Grito das Famílias, apelo a todos

A partir de duas motivações e uma convicção, dirijo a todos um pedido. A que motivações me refiro? A primeira delas é a realidade de nossas famílias que continuamente enfrentam desafios como o empenho diário pela sobrevivência, a educação dos filhos, problemas diversos como desemprego, alcoolismo, drogas, violência, doenças, etc. Pelo ambiente externo são as famílias são fortemente influenciadas por contra valores que marcam nossos tempos, tais como o individualismo, a ganância, competição, exacerbação do sexo, busca por prestígio e poder, etc. A segunda motivação é proveniente de nossa assembleia pastoral que após um longo percurso de escuta que perpassou comunidades, paróquias e decanatos, nas opções feitas no âmbito diocesano, tivemos como que um grito de socorro proveniente das famílias. As três opções pastorais assumidas possuem referência direta à família. Temos que reconhecer que essa realidade exige nossa atenção e cuidado pastoral!

Diante disso quero fazer um pedido que dirijo a todas as instâncias da Diocese, especialmente aos ministros ordenados, aos religiosos, aos agentes de pastoral, aos dirigentes de todas as entidades a nós vinculadas. Peço que incluam nos projetos pastorais e promovam com todo empenho uma atividade simples, mas que pode trazer um grande benefício para as famílias e para a sociedade. Incentivem e insistam para que as famílias realizem, no próprio ambiente do lar, um encontro semanal para reflexão da Palavra de Deus e oração. Sobre isso já tive oportunidade de escrever e solicitar em várias celebrações. Bastariam quinze minutos e uma dinâmica realizada em três passos: 1- iniciar com a oração ao Espírito Santo; 2- ler um trecho escolhido e breve da Palavra de Deus e partilhar o que Deus inspirou a cada um; 3-concluir com uma oração espontânea, motivada pelo que foi refletido.

No primeiro passo, a oração ao Espírito Santo expressa a intenção dos participantes em disporem-se a Deus a fim de serem por Ele iluminados e conduzidos. Para o segundo passo, não se tome um texto bíblico ao acaso, mas seja escolhido, preferencialmente, de uma das Cartas dos Apóstolos ou do Evangelho. O trecho a ser lido e refletido seja breve, de poucos versículos. A cada semana se dá sequencia à leitura da carta ou do evangelho escolhido. Após a leitura os participantes dedicam um tempo a refletir, ou seja, pensar sobre o que leram ou ouviram. Em seguida, cada um partilhe o que Deus lhe inspirou por meio daquele texto, ou seja, o que lhe foi mais significativo. Não se faz “sermão” para os outros, mas partilhamos o que despertou nossa atenção. Por fim, no terceiro passo, movidos pelo que Deus suscitou no coração de cada um, os participantes, com suas próprias palavras, fazem orações espontâneas de súplica, louvor ou ação de graças.

Exposto esse pedido, que dirijo insistentemente a todos, expresso agora minha convicção, citada no início deste artigo. Estou convencido de que tal prática, assumida com frequência semanal, certamente transformará nossas famílias robustecendo nossa vida cristã e gerando harmonia em nossos lares. Ao mesmo tempo, essa prática vai preparar e fortalecer nossas famílias a fim de que, pela graça de Deus proveniente da oração, tenham condições de enfrentar e vencer as situações que diariamente nos desafiam. Certamente, essa prática, cultivada em família, repercutirá na sociedade, onde os cristãos serão o sal que dá sabor, a luz que ilumina e o fermento que transforma. Assim Deus nos ajude.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos um feliz 2016, pleno das bênçãos e graças de Deus!

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano de Taubaté

Comente