Em junho de 2025, neste espaço, iniciamos a publicação de noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano, que completou 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais, sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada: “Caminho da Fé”. Também pode ser encontrada no portal de nossa Diocese.
Professo um só Batismo para a remissão dos pecados
Essa afirmação de nossa profissão de fé significa que nós cristãos Católicos reconhecemos e aceitamos um único Batismo válido para a remissão dos pecados, o ingresso na Igreja e a participação na vida cristã. Esse Batismo é realizado com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Pelo Batismo nós morremos e ressuscitamos com Cristo. Na água do Batismo nós somos sepultados e, desta água ressuscitamos com Cristo para uma vida nova, como cristãos. A morte redentora de Cristo nos redime de todo pecado quer seja pecado pessoal quer seja pecado original. Como diz o Salmo 50: “pecador minha mãe me concebeu”. Da mesma maneira que Cristo morreu uma única vez e nos redimiu, assim também nós só precisamos e podemos ser batizados uma única vez. É justamente isso que lemos na carta aos Romanos 6,4: “Pelo Batismo fomos sepultados com Cristo na morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da glória do Pai, assim também possamos caminhar numa vida nova”. Uma vez batizados não precisamos nem podemos ser “rebatizados”, mesmo que voltemos a cair em pecado. Nesse caso temos acesso ao sacramento da Penitência ou da Reconciliação, que concede o perdão a quem já é cristão. Por acreditar na força redentora da morte e ressurreição de Jesus é que a Igreja não “rebatiza” quem foi legitima e validamente batizado. Mesmo que o batismo tenha sido realizado em outra igreja; se foi feito com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com a intenção de fazer da pessoa um cristão, esse Batismo é aceito pela Igreja Católica. O Batismo marca o início da fé cristã e da vida na Igreja. Por ele nós somos introduzidos na comunidade de fé, para viver como povo, como família de Deus. Da mesma maneira como desde o nascimento nós dependemos de outras pessoas que nos garantem a sobrevivência, de maneira semelhante o Batismo nos introduz na Igreja, que nos garante crescer e viver a fé em comunidade. Quem é verdadeiramente cristão vive a fé irmanado aos outros cristãos, como Igreja, em comunidade, não isoladamente. Não existe cristão isolado. O Batismo realiza uma renovação espiritual profunda, de modo que o batizado morre para o pecado e renasce para uma nova vida em Cristo. “Eis que faço novas todas as coisas” – Ap.21,5. Essa nova vida é marcada pelo propósito de seguir os ensinamentos de Jesus e viver de acordo com os valores do Evangelho, como membro da Igreja, em vista a edificação do Reino de Deus. Cada um reflita como tem vivido esses compromissos decorrentes do Batismo.
Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém
Nossa profissão de fé Niceno Constantinopolitana encerra-se com o que é objeto de nossa esperança cristã: a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Nós não nascemos simplesmente para morrer. A morte não é o fim de tudo. Também não ficamos reencarnando num processo interminável de autopurificação. Reencarnação não faz parte do ensinamento de Cristo; antes é a negação da redenção realizada por Cristo, pois, se o ser humano se purificasse por várias reencarnações, Cristo não precisaria ter dado a vida para nossa salvação. Para nós cristãos, a morte não é o fim de nossa vida. A fé cristã nos ensina que depois de nossa morte somos destinados a ressuscitar e a desfrutar de uma vida mais plena. Essa é a revelação de Jesus; isso que Ele ensinou. Essa é nossa esperança. A vida de comunhão com Deus na eternidade é a meta de nossa existência. Fomos criados para desfrutar da plena comunhão com Deus. Sobre a ressurreição, Jesus ensinou: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho do Homem e sairão. Aqueles que fizeram o bem ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, ressuscitarão para a condenação” – João 5,28ss. Jesus fala da ressurreição que haverá no fim dos tempos; Ele indica que todos ressuscitarão só que uns para a vida eterna e outros para a condenação eterna, dependendo das escolhas que fizeram durante esta vida. Os que ouviram a voz do Filho viverão e os que O rejeitaram permanecerão para sempre afastados dEle. Na parusia, ou seja, no fim dos tempos, além dos seres humanos toda criação será renovada. O apóstolo Paulo escreve: “Sabemos que toda criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas também nós, … esperando a redenção de nosso corpo. Pois é na esperança que fomos salvos. Ora, aquilo que se tem diante dos olhos não é objeto de esperança: como pode alguém esperar o que está vendo? Mas, se esperamos o que não vemos, é porque o aguardamos com perseverança” (Rm. 8,22-25). Por essas palavras do Apóstolo, percebemos que não somente nós aguardamos a redenção de nosso corpo, mas também toda a criação aguarda ser transformada pela graça de Deus. Vivemos a esperança de um futuro onde Deus restaurará toda a criação, eliminando o pecado, a morte, o sofrimento e a dor, e estabelecendo um reino de paz, justiça e comunhão eterna com Ele. É a visão de um mundo transformado, livre do pecado e de suas consequências, onde a criação será totalmente renovada. Essa nova realidade não é conquista humana, mas dom de Deus que plenificará toda a criação. Vivamos hoje de modo agradável a Deus para que, um dia, ressuscitados, estejamos unidos a Ele, na eternidade.
Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano
Completamos a reflexão sobre o Credo. Se você perdeu algum dos temas ou se quiser revê-los acesse aqui todo o conteúdo “Caminho da Fé”- reflexões sobre o Credo Niceno Constantinopolitano.
