No segundo encontro do Projeto Diocesano Pastoral refletimos sobre o tema: “Perseverar na comunhão fraterna”. A Palavra de Deus nos recomenda: “Estejamos atentos uns aos outros para nos incentivar ao amor fraterno e às boas obras. Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente – tanto mais que vedes o dia aproximar-se” (Hb 10,24-25).
Naturalmente, fomos criados para comunhão e não para solidão: “Deus não criou o homem como um ser solitário, mas o quis ser social. A vida social, portanto, não é algo de exterior ao homem: este não pode crescer e realizar a sua vocação senão em relação com os outros. O homem pertence a diversas comunidades, familiar, profissional, política, e é no seio destas que deve exercer a sua liberdade responsável” (Libertatis Conscientia, n. 32).
Essa dimensão da comunhão fraterna encontra seu fundamento no mistério da Santíssima Trindade: um único Deus em três pessoas distintas, que se amam de modo pleno, pois Deus é amor (1Jo 4,16). A Bíblia nos ajuda a compreender essa vocação: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18).
Essas palavras apontam para essa dimensão universal do ser humano: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Segundo o Catecismo da Igreja Católica: “A caridade assegura e purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à perfeição sobrenatural do amor divino” (CEC 1827).
A comunhão fraterna é essencial a vida eclesial, é sinal do Espírito Santo agindo na vida da Igreja, um fruto de Pentecostes. Contudo, a ferida do pecado dificulta a sua plena realização. Gerando em nosso meio feridas que precisam ser sanadas: divisões, invejas, rivalidades, polarizações, guerras, brigas, falta de perdão, mentiras, etc.
Perseverar na comunhão fraterna é justamente cultivar atitudes concretas, a fim de fazer crescer o amor e a unidade na vida eclesial: perdão, humildade, promoção da paz, acolhida, respeito mútuo, aceitação das diferenças, paciência, diálogo… ou outras atitudes que possam aperfeiçoar a nossa convivência.
A comunhão fraterna, palavra grega koinonia, diz respeito à união espiritual dos fiéis baseada na mesma fé em Cristo e no mesmo ideal de vida. A verdadeira comunhão fraterna nasce da comunhão com Cristo, quando tornamos Jesus parte integrante e fundamental de nossa existência. O amor que recebemos de Cristo faz de nós “um só coração e uma só alma” (At 2,32). Portanto, Jesus é o fundamento da nossa comunhão fraterna, tudo isso é obra do Espírito Santo, amor do Pai e do Filho derramado em nossos corações.
Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia
