Diocese de Taubaté publica Orientações Pastorais perante as Eleições de 2026

A Diocese de Taubaté publicou, no dia 12 de maio de 2026, o documento ORIENTAÇÕES PASTORAIS PERANTES AS ELEIÇÕES DE 2026. As considerações do documento têm o intento de zelar e fomentar a consciente a consciente e cidadão participação política preservando a comunhão eclesial, especialmente, em nossa Diocese.

Leia aqui o texto completo das ORIENTAÇÕES PASTORAIS PERANTES AS ELEIÇÕES DE 2026:

 

Aos que estas orientações chegarem, saudação, paz e benção no Senhor!

O Magistério da Igreja Católica estabelece diretrizes claras sobre a distinção entre a missão dos clérigos e dos leigos no âmbito da atuação política. O princípio geral é que os clérigos (diáconos, presbíteros e bispos) devem abster-se de manifestações político-partidárias como expressão de sua missão e zelo em vista à unidade da Igreja, promovendo o bem comum acima de disputas ideológicas.

  1. Considerando que a Doutrina da Igreja Católica enfatiza que é próprio dos leigos a participação ativa no âmbito da política, como se pode ver a seguir:

Os fiéis devem esforçar-se para que os valores do Evangelho impregnem as realidades sociais” (Catecismo da Igreja Católica nº 2442); “Para animar cristãmente a ordem temporal (…) os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política…” (Exortação Apostólica Christifideles Laici, n. 42, São João Paulo II) e “Compete aos fiéis leigos participar ativamente na vida política, de modo sempre coerente com os ensinamentos da Igreja….” (Cf. Dicastério para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenho e ao comportamento dos católicos na vida política, 24 de novembro de 2002), e

  1. Considerando que a Igreja Católica, em relação aos clérigos, prescreve que “estes não estão jamais a serviço de alguma ideologia ou facção humana (partido)” (Presbyterorum Ordinis 6); “Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos… (Cân. 285 §3); “Não tenham parte ativa nos partidos políticos … a não ser que, a juízo da autoridade eclesiástica, o exijam a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum” (Cân.287 §2); assim sendo, os clérigos não devem se envolver diretamente em partidos políticos ou candidaturas, mas têm o dever de orientar os fiéis analisando os sinais dos tempos e promovendo os princípios éticos e sociais que promovam o bem comum e preservem a unidade da Igreja; cabe, pois, aos ministros ordenados apoiar os fiéis leigos na missão de infundir os valores cristãos na sociedade e na política (cf. P.O. 9);

Isto posto, depois de termos ouvido o parecer do Conselho de Presbíteros e, após criteriosa avaliação, publicamos as seguintes orientações, que têm em vista o agir dos católicos perante as eleições de 2026.

  1. Clérigos e leigos, no exercício de sua cidadania, busquem discernir sobre propostas e pessoas que melhor possam contribuir para o progresso do País, a paz e a ordem social. Reconheçam que pensar diferente é um direito democrático e isso não nos dá o direito de tratar o outro como inimigo a ser combatido. A fim de se fazer boas escolhas, informem-se, sobretudo recorrendo à imprensa profissional, à consulta aos programas de governo, aos debates entre candidatos, etc. Para boas escolhas é necessário pesquisar, se informar, conversar, ouvir os que pensam diferente e considerar suas razões. Não se deixem influenciar ou enganar por notícias falsas (fake news), por materiais montados com recurso de IA (inteligência artificial), como vídeos ou notícias recebidos em redes sociais, por textos ou frases tiradas de seu contexto.
  2. É muito importante a escolha criteriosa não só para presidência e governos estaduais, mas também para o legislativo (deputados e senadores), que terão importantes decisões a serem tomadas. Antes de escolher, pesquise o histórico do candidato. Existem vários sites que avaliam a atuação dos parlamentares; um dos mais conhecidos é o “Ranking dos Políticos”, que analisa itens como corrupção, desperdício de dinheiro público, presença nas sessões e produtividade.
  3. É vetado aos Clérigos vincularem sua imagem à campanha eleitoral de qualquer candidato ou partido, seja por material físico ou virtual, seja por participação em eventos ou programas audiovisuais, manifestando de modo público apoio ou repulsa a partido ou candidato. Caso ocorra uso indevido da própria imagem, seja solicitada imediata remoção, ou se faça retratação.
  4. É totalmente contrária à orientação da Igreja e, por isso, desautorizada a veiculação de propaganda eleitoral em ambientes eclesiais (igreja, salão, centro catequético, casa ou carro paroquial, etc.).
  5. Os clérigos, como cidadãos, têm suas opções ou preferência políticas; porém, pelo bem da Igreja, não as manifestem de modo algum, especialmente em redes sociais (whatsapp, Instagram, Facebook etc.) e, com maior razão ainda, em páginas e grupos institucionais da Igreja. A exposição pública das diferentes opiniões dos clérigos constitui uma agressão e um desserviço à unidade da Igreja, que estes devem, por missão, promover.
  6. Nos meios de comunicação pastoral (especialmente de whatsapp ou congêneres), os administradores sejam orientados a não admitirem propaganda política nem explícita e nem implícita, cuidando para que não manifestem ou mesmo insinuem apoio ou aversão política.
  7. Clérigos responsáveis pelas comunidades eclesiais zelem para que candidatos não se utilizem de celebrações e demais atividades pastorais para propaganda partidária ou pessoal. Somente os candidatos leigos que já exerciam regularmente algum ministério litúrgico (como MESCEs, leitores, cantores, etc.) ou outra atividade pastoral na comunidade, poderão se manter no serviço.
  8. Pedimos o cuidado dos Clérigos para que as comunidades não sejam expostas a interesses de campanhas eleitorais, com ofertas de favores de candidatos em promoções comunitárias, produção de cartazes, panfletos, empréstimos de carros ou equipamentos de som etc. que possam ser usados como “moeda de troca” tendo em vista o apoio da comunidade.

Estas orientações não esgotam todas as possibilidades que poderiam ser consideradas, mas têm o intento de zelar e fomentar a consciente e cidadã participação política, preservando a comunhão eclesial, especialmente, em nossa Diocese, bem como a preservação da missão da Igreja de ser promotora da paz e da concórdia fundamentada na justiça (cf. Cân. 287 §1). Em vista disso pedimos e contamos com a colaboração de todos.

Dadas e passadas na Cúria Diocesana de Taubaté, aos 12 de maio de 2026.

 

Dom Wilson Luís Angotti Filho
Bispo Diocesano de Taubaté


Mons. Irineu Batista da Silva

Chanceler

 

 

 

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