FRATERNIDADE QUE ACOLHE E CUIDA

Continuando nossa caminhada anual, entramos em um novo mês. Estamos, como cristãos, nos preparando para novas festas que fazem com que nosso coração, e espírito, pulsem mais forte. No mês de maio, a Igreja celebra a Ascensão do Senhor, solenidade que nos faz memória de que, sentado a direita do Pai está Cristo, nosso eterno mediador; também é celebrado, neste mês, a solenidade de Pentecostes, nos recordando o momento em que, cumprindo sua promessa, Cristo nos envia Seu Espírito, e por meio Dele, a Igreja recebe forças para cumprir a missão que o Senhor lhe outorgou. Contudo, não devemos nos esquecer que, na vida devocional de nosso povo, além destas grandes Solenidades, o mês de maio é marcado como o Mês Mariano, todo voltado para a Mãe de nosso Deus, aquela que é, conforme nos ensina a tradição, consoladora dos aflitos.

A Bem-Aventurada Virgem é modelo de seguimento para todo cristão que, em sua vida, procura se configurar cada dia mais a Jesus. Em sua vida, ouviu e aplicou as palavras provindas de Deus, sempre refletindo-as em seu coração, o que lhe possibilitou unir-se mais a seu Senhor e gestar, primeiro no coração e depois na carne, o próprio Verbo da vida.

Em sua vida, toda doada como serviço à Deus, a Virgem Maria padeceu em alguns momentos, o que também lhe conferiu ser exemplo de superação para aqueles que, hoje, possuem também suas dores. O Texto Base da Campanha da Fraternidade deste ano nos recorda isso. A Virgem Maria foi a primeira morada da Nova Aliança, foi nela que Deus se faz hóspede (Lc 1,38); ela conheceu o que é ter uma moradia negada (Lc 2,7), o que é ser migrante, no momento em que necessitou fugir para o Egito (Mt 2,13-15) e o que é viver em uma região estigmatizada (Jo 1,46). Ela nos é um grande exemplo de união “entre o serviço e o silêncio, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa” (Texto Base, n. 181). A Santíssima Virgem conjuga em sua vida mística e profecia, oração e prática (Tg 2,17-18).

Aos pés da cruz de seu Filho, Maria recebe a missão de ser intercessora da Igreja nascente (Jo 19,25-27), auxiliando os Apóstolos e discípulos de Cristo a realizarem, também eles, a sua experiência de uma vida doada em favor do próximo de modo a cumprir o mandamento novo deixado por Jesus (Jo 13,34-35). Por isso, inspirados pela Virgem Maria, mulher do “sim” e do cuidado, somos chamados a cultivar uma fraternidade que acolhe, escuta e protege a vida. Maria nos ensina a sensibilidade diante das necessidades dos outros, como nas Bodas de Caná (Jo 2,1-12). Neste mês, reflitamos sobre o cuidado com os mais vulneráveis, promovendo gestos concretos de solidariedade em nossas comunidades, a fim de que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10b).

 

Pe. Wellington Giovane Santos

Assessor Diocesano para as Campanhas

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