CAMPANHA DA FRATERNIDADE: MANIFESTAÇÃO DO MANDAMENTO NOVO

Iniciar um novo ano é também iniciar um novo ciclo, não somente em nossa vida biológica, mas também em nossa vida espiritual. Assim como na natureza tudo se renova, em nosso interior somos renovados a cada novo tempo vivido na fé, de forma especial em momentos-chave que nos fazem aprofundar na intimidade com o Senhor e transformar nossas ações.

Neste mês, iniciamos um desses momentos-chave que nos levam a renovar nossas disposições interiores em vista de uma mudança significativa no processo de conversão: o Tempo Quaresmal. Esse tempo é marcado pela vivência da prática da oração, do jejum e da esmola/caridade, ações que levam os fiéis a repensarem o caminho trilhado na fé até o momento e lhes dão forças para recomeçar a caminhada. É nesse período que o fiel precisa compreender que sua vida espiritual está interligada com a de seus irmãos e que não caminha sozinho na busca de sua santidade. Porém, aqui corremos um grande perigo: o individualismo e a indiferença para com o próximo, marcas da atualidade que se tornam cada vez mais presentes na humanidade. Para que isso mude, a oração e o jejum devem se unir e se manifestar na prática da esmola/caridade, a fim de vivermos a plenitude da ação salvífica de Cristo e cumprirmos o mandamento novo deixado por nosso Senhor (cf. Jo 15,12); e também reconhecer o ensinamento deixado por Tiago em sua carta, não permitindo que nossa fé se perca por falta de ações concretas (cf. Tg 2,14-17).

Pensando nisso, a Igreja no Brasil realiza todos os anos, desde 1964, a Campanha da Fraternidade, chamando todos os fiéis a repensarem suas ações em vista do bem comum e da solidariedade para com o próximo, que é seu irmão. Apesar de muito atacada nos últimos anos, não podemos negar que a CF é uma forma de expressarmos a conversão de uma vida fecundada pelo Santo Evangelho. A CF possui três objetivos permanentes:

(1) Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum;

(2) Educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho;

(3) Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja).

Para este ano de 2026, a CF traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A moradia é direito de todos, respaldado pela Constituição Federal de 1988, em seu art. 6º, e pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015, sendo porta de entrada para todos os demais direitos que as pessoas possuem. Sem uma moradia, sem um CEP, inúmeros bens e direitos não podem ser adquiridos. Por isso, queremos refletir neste ano sobre o porquê de muitos irmãos não possuírem esse direito básico garantido, quais as consequências que a falta de uma moradia adequada acarreta para as pessoas e para a própria sociedade, e quais ações podemos realizar para auxiliar na promoção de uma vida mais digna para todos.

Neste mês de janeiro último, o Papa Leão XIV instituiu o Jubileu dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, um período propício para nós, da Diocese de Taubaté, que o temos como Padroeiro Diocesano. Roguemos ao “Pobrezinho de Assis” que nos ajude a ir ao encontro dos que mais precisam de nossa ajuda, assim como ele o fez, e a viver uma vida inundada pelo Evangelho, de modo a transformar a realidade do mundo em que vivemos, sendo verdadeiras testemunhas do Cristo Ressuscitado!

 

Pe. Wellington Giovane Santos
Assessor Diocesano para as Campanhas

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