O economato é um departamento muito importante dentro da estrutura administrativa de uma diocese. Pe. Leandro, que assumiu a função no último dia 08 de junho, o define bem: “Não se trata apenas de gerir recursos, mas de cuidar de um patrimônio que está a serviço da evangelização, da caridade e da missão da Igreja”. Pe. Leandro dos Santos, tem 16 anos de sacerdócio e há sete é pároco da Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda, na cidade de Caçapava. Amante de música instrumental, que, como ele mesmo diz, lhe traz serenidade, também se identifica como são-paulino, embora seja mais por uma lembrança de adolescência do que propriamente por se considerar um torcedor. Ao assumir como ecônomo da Diocese de Taubaté, ele diz que o faz com espírito de humildade, na disposição de servir à Igreja naquilo que for necessário. Nesta entrevista, Pe. Leandro fala sobre como recebeu a nomeação e sobre o modo como pretende desempenhar a sua nova missão.
O LÁBARO: Recentemente o senhor foi nomeado por Dom Wilson como ecônomo da Diocese. Como recebeu essa nomeação?
Pe. Leandro: Confesso que recebi essa nomeação com muito temor. Era uma função que jamais imaginei exercer. Quem me conhece sabe que a área administrativa nunca foi a minha maior inclinação. Sempre procurei enxergá-la apenas como um instrumento a serviço da missão pastoral. Ao longo do ministério, contudo, Deus foi me proporcionando algumas experiências que exigiram esse olhar administrativo, como a condução de obras no Seminário Diocesano e, mais recentemente, os desafios do restauro da Igreja Matriz de São João Batista e da construção de uma nova igreja em nossa paróquia. Foram experiências que me ensinaram muito, mas nunca pensei que fossem suficientes para justificar uma nomeação como essa. Minha formação sacerdotal foi profundamente marcada pelo testemunho do saudoso Padre Hugo Bertonazzi, de quem aprendi que o sacerdote deve estar sempre disponível para servir à Igreja onde ela mais necessita. Foi isso que procurei dizer a Dom Wilson durante nossas conversas: “Não me considero o mais preparado. Certamente existem pessoas mais capacitadas do que eu. Mas, se a Igreja me pede esse serviço, eu o acolho com humildade, disposto a aprender e a oferecer o melhor de mim”. Costumo até dizer aos amigos que a única função que eu nunca imaginava exercer na Diocese era justamente a de ecônomo. Talvez por reconhecer minhas limitações e a grande responsabilidade do cargo. Por isso, procuro viver essa missão com serenidade e confiança, acreditando que Deus também nos chama para aquilo que, humanamente, não escolheríamos. Se a Igreja confiou a mim esse serviço, cabe-me corresponder com dedicação, espírito de aprendizado e fidelidade.
O LÁBARO: O senhor está ainda vivenciando um momento de transição. Quais são as suas primeiras impressões nessa nova missão?
Pe. Leandro: Tenho vivido esse início como um tempo de aprendizado. Encontrei na Cúria Diocesana uma estrutura organizada e uma equipe de colaboradores muito competente, o que me permite iniciar essa missão com maior serenidade. Isso me dá a segurança de saber que a responsabilidade não recai sobre uma única pessoa, mas é compartilhada por profissionais que conhecem profundamente o trabalho e colaboram diariamente para o bom funcionamento da Diocese. Neste primeiro momento, procuro ouvir bastante, conhecer melhor as demandas, compreender os processos e colaborar na solução dos desafios que vão surgindo. Estou consciente de que ainda tenho muito a aprender, mas também confiante de que, com o apoio da equipe e a confiança de Dom Wilson, poderei desempenhar esse serviço da melhor maneira possível, sempre procurando colocar a administração a serviço da missão evangelizadora da Igreja.
O LÁBARO: Essa nova função requer disponibilidade de tempo para expediente na Cúria Diocesana. Que mudanças estão sendo feitas para conciliar a demanda paroquial e o economato?
Pe. Leandro: Tenho procurado organizar minha agenda de forma equilibrada para corresponder bem às duas missões, sem assumir um ritmo que se torne insustentável. Em geral, dedico de dois a três períodos da manhã por semana ao trabalho na Cúria Diocesana e permaneço na paróquia durante as tardes, noites e finais de semana, acompanhando de perto a vida pastoral e administrativa da comunidade. Também tenho a alegria de contar com a colaboração fraterna dos nossos vigários paroquiais, o Padre Wellington e o Cônego Francisco. Eles desempenham um papel muito importante na vida da paróquia, especialmente no atendimento sacramental e nas diversas atividades pastorais. Essa comunhão sacerdotal e o trabalho em equipe têm sido fundamentais para que eu possa exercer essa nova missão na Diocese sem deixar de estar próximo da comunidade que me foi confiada. Ainda estou em fase de adaptação, fazendo os ajustes necessários na agenda e na rotina. Meu objetivo é servir bem à Diocese, sem perder de vista que minha primeira responsabilidade continua sendo o cuidado pastoral da Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda.
O LÁBARO: Junto à sua nomeação para o economato, Dom Wilson nomeou também um Gestor de Patrimônio tombado, que é uma função nova dentro da organização administrativa da Diocese, e que foi assumida pelo Pe. Edgar Delbem. Qual é a importância dessa nova função e qual poderá ser efetivamente a sua contribuição para a Diocese?
Pe. Leandro: Vejo essa nova função como um importante avanço na organização administrativa da nossa Diocese. Somos uma Diocese centenária e possuímos diversas igrejas e bens de relevante valor histórico e cultural, alguns deles tombados, o que exige uma atenção especializada e o cumprimento de uma legislação bastante específica. Na Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda, há sete anos acompanho de perto o trabalho de preservação e restauro da Igreja Matriz de São João Batista, um patrimônio histórico de grande riqueza artística para a cidade de Caçapava. Embora ela não seja oficialmente tombada, essa experiência me fez compreender a complexidade e a responsabilidade que envolvem a conservação do patrimônio religioso. Dom Wilson já manifestava, há algum tempo, o desejo de oferecer à Diocese um acompanhamento mais específico nessa área. A criação dessa função demonstra uma visão de futuro e uma preocupação concreta com a preservação do nosso patrimônio e da nossa história. Creio que o Padre Edgar poderá oferecer uma contribuição muito valiosa. Além de sua experiência pastoral, ele possui conhecimento e vivência na área administrativa, especialmente por seu trabalho na Rede Vésper. Tenho certeza de que essa experiência favorecerá um diálogo qualificado com as paróquias e contribuirá para que a Diocese desenvolva uma política cada vez mais responsável de preservação, conservação e valorização de seu patrimônio histórico.
O LÁBARO: Quais são as suas perspectivas de trabalho e de que modo pretende enfrentar os possíveis desafios?
Pe. Leandro: Tenho consciência de que essa é uma missão exigente e de grande responsabilidade. Ao mesmo tempo, sei que não estou começando um trabalho do zero, mas dando continuidade a um caminho construído por aqueles que me antecederam e que se dedicaram com zelo ao serviço da Diocese. Minha perspectiva é colaborar para uma administração cada vez mais eficiente, transparente e, sobretudo, verdadeiramente eclesial. A administração dos bens da Igreja possui características próprias: não se trata apenas de gerir recursos, mas de cuidar de um patrimônio que está a serviço da evangelização, da caridade e da missão da Igreja. Assumo esse serviço com profundo respeito pelo trabalho realizado anteriormente, especialmente pelo Padre Silvio, que dedicou dez anos ao economato da Diocese e deixou uma importante contribuição. Espero dar continuidade a esse caminho, procurando oferecer também a minha colaboração. Pretendo enfrentar os desafios com serenidade, espírito de aprendizado e confiança. Acredito muito na força do trabalho em equipe e na dinâmica colegial das decisões. Ninguém realiza uma missão como essa sozinho. Contando com a colaboração dos diversos setores da Cúria, com a orientação de Dom Wilson e com a graça de Deus, espero corresponder da melhor forma possível a essa responsabilidade que me foi confiada.
Por Pe. Jaime Lemes
