Em entrevista ao jornal “O Lábaro”, Padre Rafael Tiago dos Santos, pároco da Paróquia de São José Operário, em Taubaté, resgata a história da paróquia que nasceu sob o sinal do trabalho em 1967, detalha o vigor das atuais pastorais e revela os planos de expansão para celebrar os 60 anos de evangelização.
No coração da Diocese de Taubaté, a fé muitas vezes se manifesta através do suor e da dedicação. A Paróquia São José Operário é o exemplo vivo dessa mística, onde a devoção ao carpinteiro de Nazaré se funde à identidade de uma comunidade operária. À frente deste rebanho desde 4 de julho de 2017, o Padre Rafael Tiago dos Santos conduz um período de renovação que equilibra o respeito às raízes históricas com um olhar atento às novas gerações. Nesta conversa, ele nos leva desde as primeiras missas pensadas para os turnos das fábricas até os preparativos para o Jubileu de 60 anos da paróquia, em uma narrativa que une o físico e sagrado.
O Lábaro: Padre Rafael, como se deu a fundação da Paróquia São José Operário e quais foram os pilares desse início?
Pe. Rafael Tiago: É uma satisfação compartilhar essa trajetória com os leitores do “O Lábaro”. Nossa paróquia foi oficialmente criada em 1º de janeiro de 1967, por decreto de Dom Francisco Borja do Amaral, nascendo do desmembramento do Curato da Catedral e da Paróquia da Santíssima Trindade. No entanto, o “coração” da paróquia começou a bater efetivamente em 26 de fevereiro de 1967, com a posse do primeiro pároco, o saudoso Padre Hugo Bertonazzi. Essa é a data que celebramos como nosso aniversário. Inicialmente, não tínhamos matriz; as celebrações ocorriam na Capela da Medalha Milagrosa, no Externato Santa Luiza de Marillac. Mas o que realmente estruturou nossa vida espiritual antes das paredes subirem foi a catequese domiciliar e os grupos de jovens, fundamentais para criar uma igreja viva em meio às casas.
O Lábaro: A identidade “operária” da paróquia é muito marcante. Como isso foi registrado nos primórdios da comunidade?
Pe. Rafael Tiago: A escolha do padroeiro não foi casual; ela espelhava a realidade local. Nos registros do Livro do Tombo, o Padre Hugo enfatizava que as missas das 19h30 eram as mais concorridas, justamente por “favorecer os operários” que retornavam de suas jornadas. Essa conexão com o mundo do trabalho foi selada em 1º de maio de 1967, com o lançamento da pedra fundamental da nossa Matriz no dia de São José Operário. Outro pilar essencial foi o Centro Comunitário Paroquial, instituído ainda em 1967 com reconhecimento jurídico, que atuava com vigor na assistência social e na orientação pastoral, provando que a paróquia nasceu para servir ao povo em suas necessidades mais concretas.
O Lábaro: O senhor está nesta comunidade a um bom tempo. Como define sua relação pessoal com este rebanho?
Pe. Rafael Tiago: Cheguei aqui em 4 de julho de 2017. E foi na São José Operário que experimentei a plenitude da paternidade e pertença. Sinto-me um pai que caminha junto, que se preocupa e orienta. Para mim, a prática pastoral se resume na máxima de Santo Agostinho: “com vocês sou povo de Deus, para vocês sou sacerdote”. Buscamos ser uma família que se inspira nas virtudes de São José — a justiça, o silêncio e o temor a Deus — para sermos testemunhas de Jesus no mundo atual.
O Lábaro: Observamos que a paróquia vive um dinamismo pastoral notável. Quais frutos o senhor destaca hoje?
Pe. Rafael Tiago: Temos colhido frutos de um trabalho de acolhida e capacitação. A Pastoral da Acolhida, fortalecida durante o período crítico da pandemia, tornou-se nosso grande cartão de visitas, envolvendo famílias inteiras. A nossa PASCOM também evoluiu muito, trazendo uma comunicação profissional para as nossas redes sociais. No campo da juventude, inovamos com o projeto Kairós 20+, voltado para jovens adultos, sem perder o fôlego com os adolescentes. Além disso, nossa Catequese é um motivo de grande alegria, com quase 400 crianças caminhando conosco, além de um grupo numeroso de coroinhas que traz as famílias para o centro da liturgia.
O Lábaro: Olhando para o futuro, o que a comunidade pode esperar para o Jubileu de 60 anos da Paróquia de São José Operário?
Pe. Rafael Tiago: O futuro nos pede adaptação e expansão. Nossas celebrações estão sempre lotadas, por isso já iniciamos um projeto de reforma e ampliação da Igreja Matriz, que inclui a modernização do salão paroquial e das salas de catequese. Este crescimento patrimonial é o reflexo físico da nossa caminhada espiritual. O Jubileu de 60 anos está em total sintonia com o projeto diocesano “Perseverantes no Caminho”, pois entendemos que a reforma física acompanha a reforma dos corações. O ápice dessa jornada será a solene dedicação da igreja prevista para o próximo ano, um marco que coroará esse tempo de maturação pastoral e espiritual da nossa amada Paróquia São José Operário.
PASCOM da Paróquia de São José Operário.


