Decreto Ad Gentes: sobre a atividade missionária da Igreja, evangelizar e testemunhar a fé

O Decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja foi promulgado Pelo Papa São Paulo VI (1963-1978), em 07 de dezembro de1965, no penúltimo dia do Concílio Vaticano II. Uma razão  para as dificuldades em delinear o Ad Gentes foi a visão predominante, que se baseava estritamente no Direito Canônico aplicado às missões. O Decreto foi aprovado por uma maioria esmagadora dos Padres Conciliares ( 2.394 votos a favor, 5 contra).

A atividade missionária Ad Gentes se dirige a povos, grupos humanos, contextos socioculturais onde Cristo e o seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam comunidades cristãs para poderem encarnar a fé no próprio ambiente e anuncia-la a outros grupos.

A esse respeito nos diz o Decreto Ad Gentes: “ Enviada por Deus ás nações para ser ‘o sacramento universal de salvação’, esforça-se a Igreja por anunciar o Evangelho a todos os homens” (n.1).

Ad Gentes destaca o respeito que o missionário deve ter com a cultura local, enfatizando que Deus já está presente antes da chegada do missionário.

Ad gentes enfatiza que a identidade da Igreja missionária é caracterizada pelo ser e não pelo fazer, que a própria Igreja é “um sacramento universal de salvação”. Destaca que o fim próprio da atividade missionária é a evangelização e a implantação da Igreja nos povos ou grupos em que ainda não está radicada” (AG,n.6).

 O Decreto Ad gentes considera que toda a Igreja é missionária, portanto , todos os batizados são chamados a promover a proclamação do Evangelho e a se engajar em obras de misericórdia. O documento deixa claro sobre a necessidade, por um lado, de proclamar o Evangelho e, por outro, de não forçar a conversão de ninguém à fé cristã: “A Igreja proíbe severamente obrigar quem quer que seja a abraçar a fé…” (AG, n.13).

O principal tema tratado em Ad Gentes é a identidade da Igreja missionária, o que ela é, o que faz e deve fazer.

A evangelização consiste no anúncio explícito do mistério de salvação de Cristo e de sua mensagem, pois: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” ( 1 Tm 2,4). Nos diz a Ad Gentes: “Portanto, é preciso que todos se convertam a Cristo conhecido pela pregação da Igreja e que sejam incorporados, pelo batismo, a ele e à Igreja, o seu corpo” (n.7).

A Igreja é chamada a responder aos desafios que são colocados à humanidade em cada época, desafios que existem internos e externos à Igreja. O engajamento da Igreja no mundo, a fim de transformá-lo de acordo com os valores do Evangelho.

Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade.

O Evangelho , e consequentemente a evangelização, não se identificam com a cultura, e são independentes em relação a todas as culturas. E no entanto, o reino que o Evangelho anuncia é vivido por homens profundamente ligados a determinada cultura.

A Boa nova do Evangelho se destina à pessoa humana na sua complexa totalidade, espiritual e moral, econômica e política, cultural e social.

A missão é essencial à natureza cristã do batizado. É sempre urgente o despertar do ímpeto missionário em todos os membros da comunidade cristã. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Jesus Cristo.  Da comunidade cristã nasce sempre o anúncio da Boa Nova do reino que convida cada pessoa à vida em Jesus Cristo e ao seu seguimento.

Cada pessoa batizada é chamada a evangelizar e testemunhar a fé em Jesus Cristo!

                                                      Prof. Dr. José Pereira da Silva

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