Carta Apostólica: Uma fidelidade que gera futuro

O Papa Leão XIV publicou em dezembro do ano de 2025, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, no primeiro ano do seu pontificado a Carta Apostólica Uma fidelidade que gera futuro, em comemoração do 60° aniversário do Concílio Vaticano II, recordando ensinamentos fundamentais dos Decretos Optatam totius e Presbyterorum Ordinis, promulgados em 1965, pelo Papa Paulo VI.

Trata-se de dois documentos que respiram a compreensão da Igreja como Povo de Deus peregrino na história. O Decreto Opatatam totius, sobre a formação sacerdotal, nos recorda que a renovação da Igreja depende em grande parte da renovação do ministério sacerdotal. Esse documento dará grande ênfase a formação pastoral e espiritual dos candidatos ao sacerdócio. Já o Decreto Presbyterorum Ordinis aponta-nos para o presbítero como servidor do Evangelho e homem da caridade pastoral, direcionando assim uma nova compreensão do ministério ordenado a luz da eclesiologia de comunhão.

Primeiramente, o Papa Leão indica que a fidelidade nasce do encontro com Cristo. A fidelidade à vocação, observa o Papa, fortalece-se quando o sacerdote não perde a memória daquele primeiro chamado e permanece unido a Cristo. Dedica-se na Carta amplo espaço a formação permanente do presbítero, como condição indispensável para a fidelidade ao ministério ordenado. Insiste na necessidade de uma formação integral que assegure “o crescimento e a maturidade humana”.

Outro eixo do documento é a fraternidade presbiteral: “Como poderíamos nós, ministros, ser construtores de comunidades vivas, se entre nós não houvesse antes de tudo uma fraternidade efetiva e sincera?”. Sobre o tema da sinodalidade e corresponsabilidade, indica-nos a “descobrir com sentido de fé os carismas, humildes ou excelentes, que sob múltiplas formas são concedidos aos leigos”. Também a caridade pastoral deve ser o princípio unificador da vida do presbítero.

Por fim, na conclusão do texto, o Papa Leão em forma de prece confia os seminaristas e presbíteros, a São João Maria Vianey, modelo para todos os sacerdotes, que dizia: “O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”. “Um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão; um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor eucarístico, amor sacerdotal”, afirma o Papa Leão.

 Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia 

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