Não se “vive como padre”, mas se “é padre”!

“Queres exercer o ministério sacerdotal por toda a vida, colaborando com o Bispo no serviço ao Povo de Deus, guiado pelo Espírito Santo?”.

A Igreja, na sua materna sabedoria, sempre ensinou-nos que o ministério nasce a partir do encontro de duas liberdades: divina e humana. Se, por um lado devemos sempre recordar-nos que “ninguém pode arrogar-se tal encargo. É-se chamado a ele por Deus” (CIC n. 1578), por outro lado, evidentemente, é sempre um “eu humano criado” – com a própria história e identidade, com as próprias qualidades e também com os próprios limites – que responde ao chamado divino.

A tradução litúrgico-sacramental do necessário diálogo entre a liberdade divina que chama, e a liberdade humana que responde, é representada pelas perguntas feitas a cada um de nós pelo Bispo, durante o rito da ordenação, antes da imposição das mãos. É um “diálogo de amor e de liberdade”.

Foi-nos perguntado individualmente: “Queres exercer o ministério sacerdotal “por toda a vida”, colaborando com o Bispo no serviço ao Povo de Deus, guiado pelo Espírito Santo?”. Ao que respondemos: “Quero”.

A resposta, livre e consciente, fundamenta-se em um ato explícito da vontade (“Quereis exercer”: “sim, quero”) que, como bem sabemos, deve ser continuamente iluminado pelo juízo da razão e sustentado pela liberdade, para que não se transforme em voluntarismo, ou ainda, com o passar do tempo, em infidelidade. O ato da vontade é, por sua natureza, estável, justamente porque é um ato humano, no qual se exprimem as qualidades fundamentais das quais o Criador nos fez partícipes.

O compromisso que assumimos é “para toda a vida” e, portanto, não está relacionado, de forma mais ou menos evidente, a entusiasmos e gratificações, nem muito menos a sentimentos. O sentimento tem um papel determinante para o conhecimento da verdade e, desde que seja colocado, como uma lente, no seu “justo lugar”, não será um obstáculo para o conhecimento, mas sim algo que o favorecerá.

A nossa vontade consentiu de exercer “o ministério sacerdotal”, não outras “profissões”! É um ministério, uma vida de entrega total ao ministério de Cristo. Antes de tudo, somos chamados a ser sempre sacerdotes, como nos recordam os Santos em todas as circunstâncias, exercendo com todo o nosso ser o ministério ao qual fomos chamados. Não se “vive como padre”, mas se “é padre”!

Todas os dias somos chamados a renovar nossas promessas. Em meio à comoção lembramo-nos quem somos, aquilo que o Senhor quis que fôssemos na Igreja: para Ele, para o Seu povo e para a nossa própria salvação eterna!

Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mulher do “tudo” e do “para sempre”, nos assista e nos proteja!

Pe. Leandro dos Santos
Assessor Diocesano do Serviço de Animação Vocacional