De quem é esse lixo?

É fácil andar pela rua e ver lixo jogado em locais públicos. Sujeira nas calçadas, ruas e praças. Em terrenos baldios e córregos são atirados sacos de lixo, restos de entulho, garrafas, copos, pets e até móveis. E de quem é esse lixo?
Alguém descartou essas coisas que agora pertence a todos os cidadãos porque, lançados por pessoas pouco educadas, passaram a fazer parte do meio ambiente que é a casa comum de todos nós.

E quantas vezes não vimos imagens de lixões lotados? Em jornais, revistas, sites e na TV. Nessa edição mesmo, de O Lábaro. Lá esta a imagem de um monte de lixo, uma caçamba a despejar mais dejetos, material comprado, não consumido e desprezado. Lá estão aquelas coisas que desapareceram dentro de uma lixeira basculante. Jogamos coisas no saco de lixo e pensamos que elas desaparecem. Não mais nos incomodarão. Se os nossos olhos não vêem, não mais nos preocupamos.

Mas, tudo aquilo não foi pro limbo, não desapareceu no nada. Foi parar no aterro sanitário, ocupando grandes áreas, produzindo chorume, poluindo o meio ambiente, contaminando cursos de água. E quem produziu esse lixo? Quem é o responsável pelo surgimento dessa imagem apocalíptica?

Nós. Eu. Você. Que somos consumidores. Compradores de coisas que estão agora, condenando nosso planeta a uma morte lenta. E nós vamos com ele.

“Casa Comum, nossa responsabilidade” é o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica que estamos vivenciando nessa quaresma. O Texto Base alerta: se não mudarmos nossos hábitos consumistas, se não nos convertermos de nossa sanha por acumular e por mais conforto estaremos todos condenados porque a Casa Comum foi arruinada pelos seus moradores. A Campanha propõe educar comportamentos: consumir conscientemente, não desperdiçar, aprender a reciclar.

Outro alerta da CFE é o nosso desprezo pelas questões sociais e justiça. Enquanto consumimos despreocupadamente, pobres tem seus direitos vilipendiados, crianças morrem contaminadas por doenças resultantes da falta de saneamento básico e de assistência de saúde. E esse é um direito de todos.

Mais uma quaresma. Mais uma campanha. Mais um alerta às graves conseqüências dos danos que causamos ao meio ambiente. Não basta sensibilidade, é preciso transformação urgente. Conversão.

Porque a Casa é comum, a responsabilidade é de todos. Não apenas com o ambiente, mas também com o bem de todos os seus moradores. Um fim trágico será comum se não tomarmos providencias já.

Pe. Silvio Dias
pesilvio@hotmail.com

Fonte: O Lábaro – fevereiro/2016

Foto: Mary Melgaço