Continuamos percorrendo nosso caminho de perseverança, com a reflexão formativa de mais um pilar da vida cristão: a Fração do pão: “Mas eles forçaram-no a parar: ‘Fica conosco, já é tarde e já declina o dia’. Entrou então com eles. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. Então, se lhes abriram os olhos e o reconheceram… mas ele desapareceu. Diziam então um para o outro: ‘Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?’” (Lc 24,29-32).
A expressão “fração do pão” é a mais antiga forma para designar o mistério Eucarístico, o primeiro nome dado a celebração da Santa Missa. Ela nos lembra o gesto do Cristo que se doa na Ceia e na Cruz, e do cristão que precisa fazer da sua existência partilha e doação generosa. Esta é uma dimensão constitutiva da vida eclesial e cristã. É preciso aprender com Jesus a partilhar os três pães: da caridade, da Palavra e da Eucaristia.
- Sobre o pão da caridade: Na oração do Pai-Nosso, Jesus nos ensinou a pedir: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”. “Trata-se de ‘nosso’ pão, “um’ para ‘muitos’. A pobreza das bem-aventuranças é a virtude da partilha que convoca a comunicar os bens materiais e espirituais, não por coação, mas por amor, para que a abundância de uns venha em socorro das necessidades dos outros”. (CEC 2833). A presença dos quem têm fome nos revela a necessidade da partilha do pão da caridade.
- Sobre o pão da Palavra: o ser humano também padece de outra fome: fome de Deus. Como nos recorda Jesus: “Não se vive somente de pão, mas de toda Palavra que saí da boca de Deus” (Mt 4,4). Os cristãos devem envidar todos os seus esforços para escutar a Palavra e anunciar o Evangelho aos pobres. Por isso, a Palavra de Deus deve ser sempre acolhida na fé da Igreja e meditada profundamente em nosso interior. Ela é alimento sólido e seguro da vida cristã.
- 3. Sobre o Pão da Eucaristia: “A Eucaristia é nosso pão cotidiano. A virtude própria deste alimento divino é uma força de união que nos vincula ao corpo do Salvador e nos faz seus membros, a fim de que nos transformemos naquilo que recebemos… Este pão cotidiano estás ainda nas leituras que ouvis cada dia na Igreja, nos hinos que são cantados e que vós cantais. Tudo isso é necessário à nossa peregrinação” (Santo Agostinho).
Perseverar na partilhar do pão é partilhar o pão da caridade com os que têm fome, anunciar o Evangelho a todos, e viver enraizado no mistério da presença real de Cristo, que se oferece por nós e nos alimenta com o seu Corpo e Sangue. A Eucaristia é fonte de comunhão, força para missão e sustento para a perseverança no caminho cristão.
Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia
