Aula de patrologia

A Igreja, quando conta a história de suas origens, especialmente fala de duas etapas que marcaram os seus tempos primordiais: o período bíblico do Novo Testamento e o período Patrístico, chamado também de tempo dos Santos Padres ou, simplesmente, tempo dos Padres. Esse nome advém da ideia de paternidade: terminado o período das revelações de Deus, a Igreja ia se desenvolvendo sob o ensino e o pastoreio de alguns “pais”. Assim como no AT havia os pais na fé, na história da Igreja há os Santos Pais, que atuaram como pioneiros da teologia, da pastoral e da evangelização. Não haveria filhos se não houvesse pais: esses começam, aqueles prosseguem.

            Cada diocese, como Igreja Particular, tem os seus pais. O clero e o povo de hoje somos herdeiros de uma impressionante história de fé: sacerdotes, religiosas, religiosas, leigos atuaram, cada qual ao seu modo, como pais e mães do que hoje somos. Dentre os pais-padres, muitos já faleceram: Hugo, Clemente, Zé Maria, Xavier, Pedro Lopes, Ascânio Brandão, Florêncio, etc. A ladainha é longa. Pais não são, como se poderia pensar, só os fundadores, mas também os mais velhos, os mais experientes, os cheios de história e com as mãos marcadas pela bondade cultivada com zelo. Em seus corações, como em árvores de parques públicos, estão inscritos muitos nomes: não só os de casais apaixonados que eles abençoaram no matrimônio, mas de crianças que batizaram, jovens que confessaram, idosos que ungiram, irmãos no sacerdócio que ajudaram.

            Recentemente, um desses pais voltou para a sua terra natal após quase quarenta anos a serviço de nossas terras. Pe. Moacir Pedrini, scj, que a tantos padres lecionou sobre os Santos Padres, foi um desses pais recentes na história recente da Diocese de Taubaté. Professor de seminaristas e confessor nas paróquias; “faz-tudo” na Faculdade Dehoniana e formador no Conventinho; agricultor nas horas vagas, irmão em todas as horas.

            Obrigado, padre Moacir, pelo que o senhor foi e fez por nós nesses trinta e nove anos de ministério taubateano. Toda pessoa é o que faz e, mais do que isso, ela é o que significa para as outras pessoas. O senhor significa muito para nossa Igreja. Para nossa história, como um irmão mais velho que cuida dos mais novos, o senhor figura também como um pai para a fé aqui plantada e aqui colhida.

            Desejamos muitas graças nesta nova etapa de sua vida. Muitíssimo obrigado! Felicidades!

Pe. Marcelo Henrique, reitor do Seminário de Filosofia

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