O Decreto Pefectae Caritatis sobre a conveniente renovação da vida religiosa foi aprovado no dia 28 de outubro de 1965.4Antes de começar o Concílio Vaticano II, foram enviadas a Roma 558 propostas sobre o tema da vida consagrada. Isso é um reflexo de uma necessidade de renovação da vida religiosa. O texto final apresenta 25 parágrafos e foi provado com 2321 votos a favor e 4 contra.
Entre os leigos e o clero temos a vida consagrada, citada na Lumen Gentium, mas pormenorizadamente refletida no decreto Perfectae Caritatis. Grande foi a renovação neste campo, tanto das instituições de vida ativa como de vida contemplativa.
Todos os cristãos são chamados a viver os conselhos evangélicos, mas alguns dedicam a sua vida inteiramente a esta missão, assumindo os votos de castidade, pobreza e obediência.
Existem inúmeras formas de vida consagrada na Igreja, tais como a vida monástica, a vida religiosa apostólica, os institutos seculares e as novas comunidades, mas todas se caracterizam por viverem mais intensamente os conselhos evangélicos, através de um voto público.
Os religiosos, que podem ser leigos ou clérigos, revelam o rosto e o amor de Deus no seu dia a dia, nas suas variadas atividades, na sua oração e no seu testemunho de vida.
Ao longo da sua história a vida consagrada exprimiu-se numa grande variedade de formas originais. Mais recentemente a vida consagrada encontrou novas formas de expressão nos institutos seculares e outras experiências novas que se não reconhecem nos modelos jurídicos precedentes.
O texto-chave do Concílio Vaticano II, o n.15 do Decreto Perfectae Caritatis propõe como modelo privilegiado da comunidade religiosa a comunidade de Jerusalém.
O Concílio Vaticano II reconhece a riqueza deste modo de vida e seu papel fundamental na difusão da mensagem cristã no mundo e na construção do Reino de Deus ( PC, n.25).
Através do Decreto Perfectae Caritatis, procura animar e renovar os diversos institutos e suas ações apostólicas a fim de darem uma resposta sempre mais adequada às exigências de cada tempo e lugar.
No Proêmio são apresentados os motivos da necessidade de renovação na vida religiosa: “Quanto mais fervorosamente se unirem, portanto, a Cristo por uma doação que abraça a vida inteira, tanto mais rica será a sua vida para a Igreja e mais fecundo o seu apostolado” (PC n.1).
Todos os consagrados, nas diversas formas e presentes ao longo de toda a história do cristianismo, são movidos pelo Espírito Santo e devem ser testemunhas de Cristo e do seu Evangelho.
O Concílio Vaticano II exorta os religiosos (as) a serem fiéis à sua missão específica, dando sentido à causa pela qual nasceram, pois cada instituto religioso surge para responder a uma necessidade específica da Igreja e do povo. Surgem para atender a uma carência e ser a presença de Cristo naquela realidade específica: missões, comunicação social, educação, auxílio aos doentes entre outros.
Os nn. 7-11 recordam a especificidade de cada modo de viver a consagração: vida apostólica, vida conventual, vida laical, institutos seculares. Muitos desafios são lançados hoje à vida consagrada num mundo com falta de valores e de compromisso.
“Todos os religiosos, portanto, difundam no mundo inteiro a boa nova de Cristo, pela integridade da sua fé, caridade para com Deus e para com o próximo, amor à cruz e esperança da glória futura, a fim de que o seu testemunho seja visível a todos e glorificado o nosso Pai que está nos céus” (PC, n.25).
Segundo o Vaticano II todos os consagrados são convocados a trabalhar com empenho para a edificação e o crescimento do Corpo Místico de Cristo e o bem da Igreja (Christus Dominus, n.33).
Prof. Dr. José Pereira da Silva
