Há muitos tipos de catequistas. Há os retrô e os modernos, os que falam baixo e os que gritam, os que usam lousa e os que fazem dinâmicas, os cansativos e os inspiradores. Catequista é uma variedade que ganha até de casa de produto a granel.
Uma coisa, porém, eles têm em comum: todos são peças-chave na história religiosa das novas gerações católicas. Para bem ou para mal, todo mundo lembra de ao menos um de seus catequistas. Pode ser a recordação de um encontro específico ou de uma palavra tocante, mas geralmente tem a ver com o jeitão do catequista. A catequese, mesmo tendo preocupações de educação religiosa, deixa mais marcas pelo “quem faz” do que pelo “o que se diz”. Até porque, não são poucas pessoas que relatam não lembrar de quase nenhum conteúdo do seu tempo de catequese.
Quais as causas disso? Primeiramente, pode ser pelo fator idade. Quando se é novo, a religião não apresenta toda a sua força de significado como para um adulto. Veja-se a diferença no interesse dos adultos catequizandos em comparação com os adolescentes, por exemplo. Um segundo elemento pode ser o estilo do encontro de catequese. Se ele é maçante ou moralizante ou excessivamente disciplinador, o esquecimento é tido como o melhor caminho para “fechar o ciclo” e seguir em frente. Sem contar quem ficou com raiva da catequese pelas mesmas razões. Por fim, se não há conteúdo bom, geralmente não há memória boa. Recordar é um eco de intensidade: lembramos o ruim e o bom, não o meio-a-meio. Diz o Apocalipse: “o morno eu vomito”.
É claro que o conteúdo é e deve ser uma preocupação constante. O catequista deve ser um leitor assíduo da Bíblia e da doutrina da Igreja. Ele é o seu primeiro catequizando: antes de ser mestre, ele é o discípulo que busca ouvir o Senhor. No entanto, mesmo com grande qualidade de pregação e com habilidades didáticas, muitos conteúdos serão esquecidos. O próprio Santo Agostinho, em um dos seus escritos, reconhece que seu povo não se lembra de tudo o que ele pregava e diz, tentando se consolar: “ao menos, lembrarão que me dediquei a pregar para eles”.
No fim, há uma tendência a ficar muito mais da pessoa que conduz do que da própria condução. A pessoa do catequista fica mais que suas falas. A pessoa do catequista é catequese! Mesmo que não lembrem dos encontros, haverá lembranças daquela senhorinha piedosa ou daquele jovem fervoroso ou daquele chato de galocha.
A gente precisa decidir o que quer ser. É isso que vai ficar.
Pe. Marcelo Henrique, reitor do Seminário de Filosofia
