Testemunhas do Ressuscitado: um chamado à ação e à fraternidade

“‘O Cristo que leva aos céus, caminha à frente dos seus!’ Ressuscitou de verdade. Ó Rei, ó Cristo, piedade!”

É Páscoa: o Cristo Senhor ressuscitou dentre os mortos, e essa é a base de nossa fé. Com este trecho da Sequência que entoamos no glorioso Domingo de Páscoa, e que transcrevemos acima, devemos tomar consciência de que todos somos testemunhas do Ressuscitado e que nossa vida deve ser vivida de forma a darmos esse verdadeiro testemunho. O Cristo caminha à nossa frente; precisamos seguir os seus passos.

Tendo isso em mente, é importante compreender que, por mais que o Tempo Quaresmal tenha se findado, a nossa missão para com a temática apresentada pela Campanha da Fraternidade de 2026 não chegou ao fim. Assim como Cristo ressuscita para nos dar nova vida, a vida eterna, devemos auxiliar nossos irmãos a “ressuscitarem” todos os dias de suas mortes cotidianas causadas pelas injustiças que os assolam.

Dar verdadeiro testemunho de Cristo Ressuscitado não é fechar os olhos para as necessidades do próximo, mas sensibilizar-se com elas e agir de modo a dar-lhes nova dignidade de vida. Durante as Oitavas Pascais — período de oito dias em que celebramos o mesmo Domingo da Ressurreição — nós contemplamos os Apóstolos, Pedro e João, agindo em favor de um homem que era coxo de nascença (At 3,1-10). Eles seguiram a voz do Mestre que lhes disse na noite da Última Ceia: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13,15).

Agora é a nossa vez. Somos nós que temos que dar o exemplo de seguimento a Cristo, colocando-nos a serviço dos irmãos. É a hora em que, como testemunhas, devemos aplicar no mundo os ensinamentos obtidos de Jesus, quando caminhamos como Ele. Durante o Tempo Quaresmal, tivemos provas dessas ações. Algumas cidades de nossa Diocese (Caçapava, Natividade da Serra e São Luís do Paraitinga, por exemplo) demonstraram ações em vista da regularização de moradias para a sua população, mas também algumas paróquias nos são testemunhas de uma vida doada em favor dos irmãos mais necessitados, como a Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Jambeiro, que se dedicou no auxílio a uma família que passava por dificuldades.

Essas realidades nos servem de exemplo: por mais que pareça difícil e duro obter auxílio para os mais desfavorecidos, quando agimos com discernimento e vontade de mudar uma realidade de sofrimento em nome de Cristo, nós chegamos a um bom êxito, não apenas de forma material, mas também espiritual, pois, enquanto agimos em favor do próximo, Deus age em nosso favor, acalentando e sustentando nosso interior.

A partir de agora, devemos agir para que a CF de 2026 seja bem vivida e nos conduza a uma sociedade mais justa e fraterna para todos. Os trabalhos devem continuar, pois “a colheita é grande, mas os operários são poucos” (Lc 10,2). Busquemos viver bem a nossa vida, na doação para com o próximo, que é nosso irmão, e assim poderemos nós, e eles, contemplar juntos o Cristo Ressuscitado que se manifesta em meio aos seus discípulos!

Pe. Wellington Giovane Santos
Assessor Diocesano para as Campanhas

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