RESSUSCITOU, SUBIU AO CÉU, ESTÁ À DIREITA DO PAI – temas 12 e 13

Em junho de 2025, neste espaço, iniciamos a publicação de breves noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano que completou 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada: “Caminho da Fé”. Também pode ser encontrada no portal de nossa Diocese.

Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras

A afirmação sobre a ressurreição segue-se àquela da paixão e morte e se constitui como o anúncio central de nossa fé. A vida não termina com a morte. Jesus ressuscitado nos indica o futuro de nossa existência. Não nascemos para morrer, mas morremos para ressuscitar. A ressurreição de Jesus revela nosso destino final, a meta de nossa vida. Referindo-se a Jesus, no livro do Apocalipse 1,18, lemos: “Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos” e o livro dos Atos dos Apóstolos 2,24, afirma: “Não era possível que a morte o retivesse em seu poder”. Jesus ressuscitado se fez presente entre os discípulos que tinham dificuldade em compreender todas essas coisas. Tomé relutava a acreditar nos outros apóstolos que diziam ter visto o Senhor ressuscitado. Novamente Jesus se manifestou aos apóstolos reunidos e disse: “Tomé, põe o teu dedo aqui e veja minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas tenha fé. Tomé respondeu: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste porque me viste? Felizes os que não viram e creram” (Jo. 20,27-29). O próprio Jesus instruiu os apóstolos dizendo-lhes: “Assim se lê nas Escrituras: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e, no seu nome, será anunciada a conversão para o perdão dos pecados, a todas as nações a começar por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas” (Lucas 24,46-48). Ninguém viu como foi a ressurreição em si, mas viram o Ressuscitado. O Novo Testamento atesta as diversas vezes que Jesus ressuscitado se manifestou aos discípulos. A 1ª Carta aos Coríntios 15,6 registra que numa das vezes o Ressuscitado apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez. Morte e ressurreição constituíram-se como centro do anúncio das primeiras comunidades cristãs. É o que chamamos de querigma, o centro do anúncio cristão. Por volta do ano 56, o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, dizendo: “Eu vos transmiti … o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Céfas e depois aos Doze” (ICor.15,3-4). Jesus ressuscitado disse aos discípulos: “Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1,8). Assim, todo aquele que é discípulo de Jesus é enviado a anunciar sua ressurreição, conforme o testemunho das Escrituras.

Subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai

Esta afirmação de nossa fé se encontra no evangelho escrito por Marcos 16,19 – onde lemos: “Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus”. Interessante observar que neste curto versículo nós temos o fundamento do que professamos em nossa fé, ou seja, que Jesus foi para o céu e está junto do Pai. Dizer que subiu ao céu é fazer referência a uma realidade que é superior a esta nossa; por isso a indicação de que Jesus “subiu” ao céu. O céu não é uma realidade física, mas o lugar da presença de Deus uno e trino. Quando ensinava aos apóstolos Jesus lhes disse claramente: “Eu saí do Pai e vim ao mundo; agora, deixo o mundo e volto ao Pai” (cf. João 16,28). Pela palavra do próprio Jesus, temos indicado de onde ele veio e para onde ele foi. Jesus nos falou isso não só para termos informações sobre sua origem e seu destino, mas para indicar-nos a meta de nossa existência. Ele nos abriu o caminho; nós somos destinados a estar com ele lá onde ele nos precedeu. No evangelho escrito por João 17,24 – lemos o que Jesus disse: “Pai, quero que estejam comigo aqueles que me destes, para que vejam a glória que me deste, pois me amaste antes da criação do mundo”. Pela ressurreição, Jesus já estava glorificado, e isso podemos perceber pelas propriedades novas e sobrenaturais de que desfruta, como entrar no lugar onde os discípulos se encontravam estando as portas fechadas. Porém, é uma glória ainda velada sob a aparência de uma humanidade comum. A última aparição de Jesus ressuscitado termina com seu ingresso definitivo na glória divina, simbolizada pelo céu e pela nuvem que o encobre. Só aquele que saiu do Pai pode retornar ao Pai (cf. Jo.16,28). “Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” – disse Jesus (João 3,13). Somente Jesus pode nos abrir esse acesso, esta porta para desfrutarmos da presença de Deus, no céu. A expressão estar “sentado à direita do Pai” é uma referência a um lugar de honra. Assim, aquele que existia como Filho de Deus desde toda eternidade se coloca junto ao Pai, levando consigo nossa humanidade glorificada. Jesus nos abre o caminho para que lá onde ele está, um dia, estejamos também nós. Esta é a esperança que nos anima e não decepciona, porque é garantida pelo próprio Deus.

 

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano

 

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