POR ELE TUDO FOI FEITO E POR NÓS E PARA NOSSA SALVAÇÃO DESCEU DOS CÉUS – Temas 08 e 09

Desde o mês de junho deste ano, neste espaço, iniciamos a publicação de breves noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano que, neste ano de 2025, completou 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais, sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada: Caminho da Fé.

Por ele todas as coisas foram feitas

A expressão “por Ele” faz referência ao Filho eterno e santo. A criação é obra do Deus Uno e Trino, é obra da Santíssima Trindade, ou seja, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Deus eterno pôs um começo a tudo o que existe fora dele.  Tudo o que existe foi criado por meio de sua Palavra; Palavra que lhe é inerente, lhe é própria e inseparável. A Palavra ou o Verbo de Deus é identificado com o Filho, que em Jesus assumiu a nossa humanidade. Dele se diz: ‘por Ele todas as coisas foram feitas’. O Filho, coeterno com o Pai, participa da criação como Palavra criadora, Palavra que dá vida e faz existir. A Palavra está no início da obra da criação e no início da obra da salvação. No 1º capítulo do evangelho escrito por São João, lemos: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. … Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe” (Jo.1,1-3). Nessa palavra bíblica temos o fundamento de nossa afirmação de fé de que tudo foi feito por Ele, o Filho eterno e santo, o Verbo de Deus. Consideremos também os dois primeiros versículos do livro do Gênesis, onde lemos: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia … o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Por sua Palavra e por seu Espírito, o Pai criou tudo o que existe. Nessas considerações bíblicas sobre a obra da criação, temos uma referência à Santíssima Trindade: o Pai, a Palavra que é o Filho e o santo Espírito. A criação é obra comum da Santíssima Trindade (CEC n.292). Essa é a nossa fé: nós e o universo não somos obra do acaso; somos criaturas de Deus; por Ele queridos, por Ele amados, por Ele criados. As coisas criadas passaram a existir por vontade de Deus criador; por isso, devem ser respeitadas e conservadas pois provém da vontade e da ação criadora de Deus uno e trino. Diante das coisas criadas, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, tem o encargo de cuidar e de preservar toda a criação. As coisas criadas não se confundem com Deus que as criou. Por isso, nenhum elemento da criação pode ser absolutizado como se tivesse algum poder divino. O Criador é distinto da criatura e toda criatura está submissa ao poder do Criador. Confiemos em Deus, que tudo criou e a tudo sustenta em seu amor.

 Por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus

Quem desceu dos céus? O Filho eterno e santo; a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; aquele que estava no céu é que de lá desceu para assumir a nossa condição humana e nos reconduzir à comunhão com Deus uno e trino. O céu não fica acima ou abaixo de nós; não é um lugar geográfico; céu é o lugar da plena presença de Deus. Nossa maneira de falar de Deus é sempre por metáforas, ou seja, por meio de imagens e símbolos, é uma linguagem aproximativa. Dizemos que “desceu do céu” porque consideramos a realidade divina superior à nossa. Uma palavra significativa de Jesus sobre ele ter descido do céu nós encontramos no evangelho escrito por João, cap. 6: “Todo aquele que o Pai me dá, virá a mim, e quem vem a mim eu não o rejeitarei, porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”(vv37-38). Descer dos céus é uma expressão que tem por objetivo indicar que aquEle que estava no âmbito da divindade vem ao encontro da nossa humanidade. O artigo do Credo afirma que foi “por nós homens e para nossa salvação” que o Filho veio ao nosso encontro. Ele veio para salvar; para nos resgatar do pecado que nos distanciou ou até mesmo rompeu nossa relação com Deus. No evangelho escrito por João, cap. 3, temos um trecho muito bonito e cheio de afeto, que diz: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito” (vv.16-18). Por essas palavras, vemos revelada a razão pela qual o Filho eterno assumiu nossa humanidade: foi para salvar o mundo; foi para nos reconciliar consigo, superando o afastamento que o pecado nos deixou. Quem está no pecado está afastado de Deus, pois junto a Deus não há lugar para o mal. O Filho veio ao nosso encontro para nos resgatar do distanciamento de Deus e estabelecer a comunhão que liberta e salva. A salvação é ato da Santíssima Trindade: é projeto do Pai, realizada pelo Filho, sob a ação do Espírito Santo. Que ninguém rejeite ou resista ao amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo. Fique com Deus, fique na paz!

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano

 

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