Pe. Thiago: uma vocação que se concretiza no sacerdócio ministerial

Por: Pe. Jaime Lemes, msj

Com o lema “É necessário que Ele cresça e eu diminua!”, tirado do Evangelho de São João (Jo 3,30), Pe. Thiago Camatta Egydio foi ordenado presbítero no dia 09 de agosto, durante missa presidida por Dom Wilson Angotti na Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, na cidade de Caçapava/SP, que é a sua paróquia de origem. Pe. Thiago contou nesta entrevista sobre o seu itinerário vocacional e formativo e sobre como vivenciou o momento de sua ordenação.

O LÁBARO: Fale um pouco sobre como foi o seu discernimento vocacional, a sua vida no seminário e a sua formação.

Pe. Thiago: O discernimento vocacional foi acontecendo desde a infância, visto que já falava que queria ser padre, e com as atividades na paróquia, principalmente no serviço de coroinha, a vocação foi amadurecendo com o passar do tempo até o envio para o seminário em 2016. Na época, dois padres me incentivavam na vocação e me apoiaram para ingressar no seminário: o Cônego José Luciano e o Padre Roger Matheus. Os anos de formação inicial foram uma experiência muito positiva e marcada por desafios próprios da vocação, que me proporcionaram um amadurecimento na vida pessoal e espiritual. A convivência com os demais irmãos de caminhada, a formação acadêmica e a formação interna muito contribuíram com a construção pessoal e em vista do futuro ministério ordenado.

O LÁBARO: Depois de ordenado Diácono, no dia 22 de fevereiro deste ano, você foi designado para servir na Paróquia São Cristóvão, em Pindamonhangaba. Como foi esse tempo de ministério diaconal?

Pe. Thiago: Foi um tempo de muita riqueza e aprendizado. A vivência mais intensa na paróquia, acompanhando a rotina de trabalhos pastorais e a troca de experiências com os padres que lá estão, Monsenhor Elair e Padre José Carlos, me proporcionaram um crescimento no ministério e na fraternidade entre nós. O contato mais direto com o povo no cotidiano também favoreceu muito o enriquecimento da vida ministerial, além de acompanhar mais de perto o funcionamento pastoral e administrativo da paróquia.

O LÁBARO: Quais as experiências mais significativas que vivenciou no exercício do Diaconato e quais foram os desafios?

Pe. Thiago: Além dos trabalhos pastorais, a vivência sacramental também foi muito importante. As celebrações do batismo das crianças eram momentos muito gratificantes e de forte emoção, pela graça de ver nascer novos filhos para a Igreja. Pude realizar também visitas aos enfermos de algumas comunidades, onde pude conversar com cada um e ouvir as dificuldades que enfrentavam e, ao final, lhes dava a bênção. Foram momentos gratificantes e de contato com a fragilidade humana, levando a esperança e o conforto aos irmãos. Também nas visitas me encontrei com famílias que enfrentavam o luto pela perda de filhos ou outros parentes próximos, sendo oportunidade de escuta e de ser sinal da presença da Igreja junto aos que choram. Todas essas experiências, gratificantes e desafiadoras mediante a delicadeza das situações, contribuíram muito para o ministério e foram oportunidades de grande aprendizado e realização da missão que me foi confiada.

O LÁBARO: Como foi a sua preparação para celebrar a Ordenação Presbiteral?

Pe. Thiago: Foram meses de muito trabalho e reuniões para alinhar e organizar tudo. Com o auxílio do padre Leandro Alves de Souza, formei uma comissão na paróquia que me ajudou muito nas iniciativas para arrecadação de fundos para as despesas da ordenação e na organização de toda a estrutura necessária para a celebração e o almoço festivo. Tive o apoio dos padres de Caçapava e outros da diocese para as promoções que foram feitas e o auxílio no empréstimo de materiais para serem usados na ordenação e primeira missa, como cadeiras e materiais litúrgicos. De modo mais pessoal, pude me preparar com o retiro, cujo pregador foi o Padre Leandro dos Santos, meu diretor espiritual, que me auxiliou muito nas reflexões com base no rito de ordenação, para que eu pudesse bem vivenciar aqueles momentos. Também com o tríduo nos dias 06, 07 e 08 de agosto pude celebrar com a comunidade e ter momentos de adoração ao Santíssimo, com orações vocacionais, o que me ajudou ainda mais a viver a ordenação.

O LÁBARO: Você foi ordenado padre em sua paróquia de origem, Nossa Senhora da Boa Esperança, em Caçapava. O que isso significou para a comunidade e como foi vivenciar esse momento?

Pe. Thiago: Foi uma ocasião de muita graça para todos, pois muitos acompanham minha vida desde a infância e estiveram comigo na caminhada até a ordenação. Toda a paróquia esteve empenhada nos preparativos, e a emoção tomou conta de todos ao longo da celebração. Também durante o tríduo, que contou com a participação expressiva do povo, alegria e emoção marcaram a preparação para aquele grande momento. Para mim, foi um instante marcante ser ordenado na igreja onde recebi todos os outros sacramentos, especialmente pelo fato de minha família colaborar com a paróquia desde o início. Destaco, ainda, que meu avô materno (in memoriam) construiu o presbitério e o altar da Igreja Matriz, o que tornou esse momento ainda mais significativo para mim.

O LÁBARO: Você foi nomeado vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, em Taubaté. Como foi receber essa notícia e como tem sido a acolhida do povo?

Pe. Thiago: Recebi a designação com grande alegria, e poder servir a esta porção do povo de Deus será uma grande graça. Mesmo não conhecendo muito a realidade paroquial, será uma oportunidade de construir novas amizades e de desempenhar meu ministério juntamente com o pároco, Padre Alexandre, em favor deste povo, para que juntos formemos Igreja. A acolhida foi calorosa desde o momento em que o anúncio foi feito pelo bispo. Alguns fiéis estavam presentes e já manifestaram alegria com a notícia, e o pároco me recebeu fraternalmente, externando as boas-vindas e me auxiliando nos preparativos para esta nova etapa.

O LÁBARO: No início do ministério presbiteral, é natural que se crie algum tipo de expectativa sobre o caminho que será percorrido e o trabalho que será realizado. Quais são as suas expectativas?

Pe. Thiago: Minhas expectativas se fundamentam na graça de corresponder ao chamado que o Senhor me confiou. Espero poder servir com generosidade e fidelidade ao povo de Deus, aprendendo com a comunidade e deixando-me conduzir pelo Espírito Santo. Quero ser um padre próximo, que escuta, acolhe e anuncia o Evangelho com esperança, ajudando a cultivar a fé, a unidade e a caridade. Do mesmo modo, desejo atuar na assessoria do COPS (Colegiado de Organismos e Pastorais Sociais), colaborando com os trabalhos de cada pastoral que o compõe, a fim de que sejam expressão da caridade evangélica da Igreja.

O LÁBARO: Que mensagem você deixa aos jovens que estão pensando em fazer esse caminho vocacional?

Pe. Thiago: Aos jovens que sentem em seu coração o desejo de seguir esse caminho vocacional, deixo a mensagem de que não tenham medo de dar uma resposta generosa a Deus. O chamado do Senhor é sempre um convite ao amor e ao serviço, e somente respondendo a Ele encontramos a verdadeira alegria e realização. Perseverem na oração, busquem o acompanhamento espiritual e estejam abertos à ação do Espírito Santo. A vocação não é um peso, mas uma graça. É a certeza de que Deus conta conosco para o bem da Igreja e da humanidade.

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