O SENHOR JESUS É O FILHO UNIGÊNITO E ETERNO – Temas 04 e 05

No mês de junho deste ano, neste espaço, iniciamos a publicação de breves noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano que, neste ano de 2025, completa 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais, sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada:Caminho da Fé.

Em nossa profissão de fé dizemos: Creio em um só Senhor, Jesus Cristo – Refletiremos aqui sobre o que significa professar nossa fé em Jesus Cristo como nosso Senhor e nEle crer. No Antigo Testamento, a palavra “Senhor” substituía o nome de Deus que, por respeito, não era pronunciado. No livro do profeta Jeremias (7, 23) Deus diz ao povo, com o qual fez aliança: “Foi esta a única ordem que lhes dei: escutai minha voz e eu serei vosso Deus e vós sereis o meu povo.” Se escutamos a Deus, ou seja, se o atendemos observando seus preceitos, estaremos unidos ao Senhor e Ele a nós. Somente quando fazemos a vontade de Deus podemos dizer que Ele é nosso Senhor. O evangelho escrito por João (20,27-28) narra o segundo encontro de Jesus ressuscitado com o grupo dos apóstolos; nessa ocasião Tomé está com eles e Jesus lhe diz: “Tomé, põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado; não sejas incrédulo, mas acredite. Tomé lhe respondeu: Meu Senhor e meu Deus”. Jesus ressuscitado recebe o mesmo tratamento de “Senhor” que, no Antigo Testamento, é dado a Deus. Jesus é nosso Senhor quando fazemos o que Ele nos pede. O nome “Jesus” significa “Ihaweh salva”. Portanto, no nome “Jesus” temos contido o próprio nome como Deus se revelou a Moisés (Ex.20,1) e também a indicação da missão de Jesus, que é de nos salvar. A palavra grega “Cristo” significa “messias” e, no português “ungido”. Jesus é o Ungido do Pai, enviado com a missão de nos salvar. Sendo verdadeiramente pessoas de fé, nós não idolatramos ou não adoramos nenhum dos elementos da natureza como: sol, lua, trovão, nem qualquer ser humano, … como era comum entre os povos pagãos. Tampouco podemos atribuir valor supersticioso ou mágico a qualquer elemento do mundo criado como figa, amuletos, sal grosso, guiné, comigo ninguém pode, etc. Tudo o que existe está submetido ao poder de Deus e só em Deus devemos crer. Crer no Senhor Jesus Cristo é reconhecer que ele é Deus e só Deus é nosso Senhor.

Em nossa profissão de fé dizemos que cremos no: Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos – Dizer que cremos em Jesus, filho unigênito de Deus significa afirmar que Jesus é filho numa condição única. A palavra “unigênito” significa filho único; ou seja, não existe outro filho na mesma condição que a dele. Jesus é o filho que tem a mesma natureza divina do Pai Celeste. Ou seja, Jesus é Deus. A nossa condição é outra; nós também somos filhos, mas filhos assumidos; ou como diz São Paulo, somos filhos adotados. Na carta aos Efésios 1,3.5 lemos: “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo … nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por meio de Jesus Cristo”. Jesus evidencia essa filiação distinta quando, no evangelho escrito por João 20,17, ele diz: “vai dizer a meus irmãos que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Observem, Ele diz “meu Pai e vosso Pai” porque o modo de Deus ser nosso Pai é diferente do modo de ser Pai de Jesus, que é filho por excelência. Nós somos considerados filhos enquanto unidos ao filho Jesus. Nós somos filhos no Filho Jesus. É Jesus que nos faz ser filhos de Deus. A filiação divina de Jesus fica evidente em todo seu sentido quando Pedro proclama que Jesus “é o Cristo, o filho do Deus vivo”. Diante disso Jesus lhe diz: “Não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, e sim meu Pai que está nos Céus” – Mateus 16,17. Diante das autoridades dos judeus, Jesus declara: “O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia se eu digo que sou Filho de Deus? Se eu não faço as obras do meu Pai, vocês não precisam acreditar em mim. … Assim vocês conhecerão de uma vez por todas, que o Pai está presente em mim, e eu no Pai” – João 10,36-38. O Credo afirma também que o Filho é nascido do Pai antes de todos os séculos. Isso equivale a dizer que esta filiação é antes dos tempos, ou seja, desde toda a eternidade. Sendo Deus, o Filho é eterno, sempre existiu no seio da Trindade. Num determinado momento ele se encarnou e, nascendo como um de nós, recebeu o nome de Jesus. Após a ressurreição, sua divindade apareceu em sua humanidade glorificada. Deste modo os apóstolos puderam testemunhar dizendo: “Nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto do Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade” – João 1,14. Essa é nossa fé. Fique em paz. Fique com Deus.

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano

 

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