Desde o mês de junho deste ano, neste espaço, iniciamos a publicação de breves noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano que, neste ano de 2025, completa 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais, sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada: “Caminho da Fé”.
Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro
Com essa afirmação nos referimos à proveniência de Jesus Cristo, que é o Filho unigênito, nascido do Pai antes de todos os séculos. Jesus Cristo é plenamente homem e plenamente Deus, da mesma natureza divina do Pai Celeste. Quando o apóstolo Filipe pediu a Jesus: “mostra-nos o Pai e isso nos basta”, Jesus respondeu: “Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai … Você não acredita que eu estou no Pai, e o Pai está em mim?… Acredite em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim” (João 14, 8-11). Jesus explicita ainda mais essa verdade quando diz: “Eu e o Pai somos um” (Jo.10,30). Por revelação do próprio Jesus, nós cremos que Ele é o Cristo, é Deus e vem de Deus. Não existem dois deuses; Deus é único em Pessoas diferentes, isso é revelação de Jesus; por isso dizemos que Jesus Cristo é Deus de Deus. Também dizemos que Ele é luz da luz. Na 1 epístola de João 1,5-7, lemos: “Deus é luz e nele não há trevas. Se dizemos que estamos em comunhão com Deus e no entanto andamos nas trevas, somos mentirosos e não colocamos em prática a Verdade. Mas se caminhamos na luz, como Deus está na luz, estamos em comunhão uns com os outros...”. Esse trecho da Sagrada Escritura diz que Deus é luz e que nele não há trevas. As trevas são associadas ao pecado, ao mal. Dizer que Deus é luz significa dizer que ele é sumo bem e nele não há sombra de mal. Dizer que Deus é luz significa também que por ele podemos enxergar as coisas como são, podemos caminhar com segurança e podemos chegar à meta de nossa existência. A expressão do Credo, que nos propomos a refletir, diz que Jesus Cristo é Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Na história da humanidade os povos acreditaram em muitos deuses falsos; na verdade, ídolos criados pela conveniência humana. O Salmo 115 diz: “Os ídolos deles são prata e ouro, obras de mãos humanas: têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos e nada ouvem… Iguais a eles serão os que os fabricaram e os que neles confiam”. Jesus diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai a Pai senão por mim!” João 14,6. Ele é fonte de vida plena, de salvação para todo aquele que o reconhece como Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João 18,37).
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai
Esse artigo do Credo se refere a Jesus Cristo, Deus Filho que se fez homem. É em relação a ele que o Credo diz “gerado, não criado”. O apóstolo São João, ao falar sobre Jesus, o Filho de Deus que se fez homem, escreveu: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe. E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do Pai como filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo. 1,1-3.14). Esse texto do evangelho diz que a Palavra estava em Deus, a Palavra era Deus … a Palavra se fez carne e vimos sua glória. Assim São João fala de Jesus, o Filho eterno que sempre existiu no seio da Trindade e participou da obra da criação. Num determinado momento da história, a Palavra se fez carne, habitou entre nós, e nós o pudemos contemplar, o pudemos conhecer, pois Ele assumiu a nossa humanidade. A Palavra é algo próprio e íntimo a Deus Pai e tendo sido proferida se fez conhecer em Jesus Cristo. Pela Palavra tudo foi criado. Ora se tudo foi criado pela Palavra, ela existia antes da criação, portanto, não é criada. A Palavra procede do Pai, pertence ao Pai, provém dEle. O Credo diz que Jesus foi gerado não criado. A criatura pode ser completamente diferente daquele que a criou. Porém o que é gerado é da mesma natureza daquele que o gerou. Jesus é gerado, não criado. Dizer isso significa justamente dizer que Jesus possui a mesma natureza divina do Pai Eterno. Como já dissemos, é Deus de Deus. Em coerente continuidade com a afirmação de que é gerado não criado, o Credo continua e diz que Jesus é consubstancial ao Pai, ou seja, possui a mesma substância ou a mesma natureza divina do Pai, que o gerou. Em nossa fé cristã é importante e fundamental termos a consciência de que Jesus Cristo é o Filho Eterno que sempre existiu no seio da Santíssima Trindade e que, ao chegar à plenitude dos tempos, assumiu a condição humana e nasceu da Virgem Maria. Era consubstancial ao Pai e se fez também consubstancial ao nós. Em Jesus, Deus se uniu à nossa humanidade. Reconheçamos essa verdade e permaneçamos sempre unidos a Deus.
Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano
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