DEUS TODO PODEROSO, PAI CRIADOR – Temas 02 e 03

Com início no mês de junho, publicamos aqui, noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano que, em 2025, completa 1700 anos de sua formulação. Além de uma introdução temos vinte temas, através dos quais, sinteticamente, apresentaremos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo seguem mais dois. Leia e colecione esta série denominada: “Caminho da Fé”.

Em nossa profissão de fé dizemos que:  Deus é Pai todo-poderoso

Convido-o a refletir sobre essa afirmação de nossa fé. Nossa maneira de nos referir a Deus, em geral, é por metáforas, ou seja, por imagens ou comparações. Dizer que Deus é Pai significa dizer que Ele é fonte da vida, o princípio de tudo; que possui autoridade que transcende tudo e todos; como Pai, ele é amor, solicitude e bondade para com todos os seus filhos. Dizer que Deus é todo-poderoso significa dizer que, por ser Deus, ele tem poder sobre tudo e sobre todos. Seu poder não é despótico, ditatorial, impositivo, mas é poder de um Pai, fonte de vida, cheio de amor; Ele ama e cuida de seus filhos. Vamos ver o que nos diz a Bíblia: Em Isaías 64,6-7, lemos “Senhor, vós sois nosso pai, nós somos a argila da qual sois o oleiro, todos nós fomos modelados por vossas mãos”. Já no A.T. o povo aprendeu que Deus é Pai e que estamos em suas mãos. No evangelho escrito por João 10, 27-30 temos um texto muito significativo em que Jesus diz: “Minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu essas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um”. Deus é apresentado como Pai todo-poderoso porque tem o poder de criar, de cuidar e de salvar. Nós todos estamos nas mãos amorosas de Deus que, como Pai, quer nosso bem e nossa felicidade. Ninguém pode nos tirar das mãos de Deus, das mãos de Jesus. Ao longo da vida, enfrentamos muitas dificuldades, mas é confortante saber que Deus, tal como um Pai, cuida de todos nós. Nada e ninguém pode nos tirar de suas mãos. Como filhos, confiemos e enfrentemos tudo o que a vida nos reservar sabendo que não estamos abandonados nem somos órfãos. De todas as coisas poderemos tirar uma lição e sair melhores. Deus nos ama, cuida, é Pai. Nós estamos guardados sob seu poder. Confiemos.

Em nossa profissão de fé dizemos que: Deus é Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis

Refletiremos sobre Deus criador. A revelação divina nos faz compreender que não somos frutos do acaso; fazemos parte de um projeto de amor de Deus. O amor de Deus transborda na criação. Deus cria em função da salvação; ou seja, nos cria para participarmos e desfrutarmos de seu amor. Ele cria os seres visíveis e os invisíveis ou celestes para a comunhão consigo. Vamos ler um trecho da Sagrada Escritura, tomando alguns versículos de Gênesis 1, 1-31: “No princípio Deus criou o céu e a terra” … “Deus criou o firmamento … Deus disse: a terra faça brotar vegetação … produza seres vivos segundo suas espécies … e assim se fez … e Deus viu que tudo era bom”. … E a narrativa continua: “Deus disse: façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança. Para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, … e todos os animais que se movem pelo chão. Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou …. E Deus viu que tudo que tinha feito era muito bom”. A Palavra de Deus ensina que os elementos da criação não se confundem com Deus, antes, se distinguem de Deus, são sua obra, não se confundem com seu ser. Somos criados por Deus e destinados à comunhão com Ele. A criação é o começo da história da salvação. A narrativa bíblica da criação não quer apresentar informações históricas de como foi o início do mundo, da vida, e do ser humano, mas é uma reflexão de fé que proclama que Deus é criador; que nós somos suas criaturas; que existimos pela vontade de Deus e para Deus somos destinados. O ser humano e todos os elementos que existem são criaturas de Deus; estamos interligados. São Francisco, em seu Cântico das Criaturas reconhece essa fraternidade universal quando diz: irmão sol, irmã terra, irmã água, irmão lobo… Todos somos parte da criação; seja ela respeitada e assim Deus seja louvado. Manter essa harmonia da criação é reconhecer e cuidar da obra de Deus. Quando pela ganância e sede de poder o ser humano agride o próximo ou devasta a criação ele se rebela contra a obra de Deus e sofre as consequências de suas más escolhas. Como cristãos, preservemos os bens da criação. Estejamos atentos aos nossos hábitos para que não agridam as pessoas nem a natureza. Cuidar e preservar é nossa missão. Fique com Deus.

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano

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