Celebração do Jubileu da Educação reuniu educadores de escolas de diversas cidades da diocese

O Jubileu da Educação e Ensino Religioso da Diocese de Taubaté, realizado no dia 18 de outubro de 2025, às 16h, na Catedral de São Francisco das Chagas, foi um marco espiritual e simbólico para nossa Igreja. Sob a luz que atravessava os vitrais e envolvia o templo, a comunidade educacional diocesana reuniu-se em um clima de fé, gratidão e compromisso com a educação católica. Professores, coordenadores, diretores, administrativos, estudantes e representantes de escolas de diversas cidades da diocese participaram da celebração do Jubileu da Educação, que também homenageou o Dia do Professor.

A Santa Missa foi presidida pelo Assessor da Pastoral da Educação, Pe. Edgar Delbem, sjr, e concelebrada pelo Cura da Catedral, Pe. Roger Matheus e pelo Pe. Gilson Paulino Júnior, sjr. A liturgia foi preparada com cuidado, traduzindo o propósito de unir espiritualidade e educação. As músicas ecoaram como orações cantadas elevando o espírito e recordando que a educação, quando iluminado pela fé, torna-se uma expressão concreta do amor e da presença de Jesus.

O altar representava o encontro entre a sabedoria humana e a luz divina. O ambiente sagrado da Catedral foi transformado em uma verdadeira cátedra espiritual, onde o conhecimento e a fé se entrelaçaram em um mesmo gesto de louvor e compromisso. Ali, cada professor foi reconhecido como uma extensão da missão de Cristo Mestre, e cada estudante como uma semente de esperança, chamada a florescer sob o cuidado amoroso da comunidade educativa.

Durante a homilia, Pe. Edgar destacou a grandeza da vocação docente. Suas palavras ressoaram entre os presentes, que em silêncio reverente, compreenderam que o ato de educar é um gesto de amor que transcende os muros das escolas.

São Francisco das Chagas, patrono da Catedral e exemplo maior de humildade, simplicidade e sabedoria espiritual, foi evocado como paradigma de uma pedagogia do amor e da paz. O santo de Assis não ensinava com livros, mas com o testemunho da vida. Em seu modo de viver, revelava que o verdadeiro conhecimento nasce da contemplação da criação e da escuta interior da voz de Deus. Sua vida foi um evangelho vivo, no qual cada gesto de cuidado, cada palavra de consolo e cada renúncia se tornaram lições eternas. O espírito franciscano, ao ser relembrado durante a celebração, reacendeu entre os educadores o desejo de viver a educação como um ato de serviço, uma entrega silenciosa ao bem do outro e ao equilíbrio do mundo. São Francisco inspira uma educação que ensina a amar, a cuidar e a reconhecer a presença divina em tudo o que existe — uma educação ecológica, integral e compassiva.

O pensamento do Cardeal John Henry Newman também é um alicerce intelectual da educação cristã. Teólogo e educador do século XIX, defendia que a educação verdadeira não se limita à transmissão de informações, mas é um processo de formação integral da pessoa. Ele acreditava que o conhecimento deve sempre caminhar ao lado da virtude, pois sem ética o saber perde seu valor e se torna vazio. Para Newman, a missão da escola cristã é formar consciências livres e responsáveis, capazes de julgar, discernir e agir segundo a verdade. Seu ideal de “universidade viva” — uma instituição que une razão e fé, saber e espiritualidade — foi citado por Pe. Edgar como um modelo para as instituições educacionais da Diocese de Taubaté, que buscam equilibrar inovação e transcendência. Newman lembrava que “a educação é um caminho para a sabedoria, e a sabedoria é a luz de Deus que habita no entendimento humano”.

Um outro grande limiar da educação que merece ser lembrado é Pe. Joaquim Ferreira Xavier Júnior, sjr, sacerdote ressurreccionista, pesquisador, psicólogo, teólogo, filósofo e pedagogo, criador da Psicogenética Educacional. Seu pensamento é uma das contribuições mais originais da educação brasileira. Para Pe. Xavier, aprender é um processo de integração entre emoção, motricidade e cognição — um diálogo permanente entre o corpo e o espírito. Ele via a escola como um espaço de vida, onde cada gesto e cada expressão têm significado educativo. Sua visão psicogenética aproxima a pedagogia da espiritualidade, mostrando que educar é também um cuidado com a alma do estudante. A obra e o exemplo de dedicação e pesquisa de Pe. Xavier continuam vivas em cada professor que, ao ensinar, ajuda o estudante a se conhecer, a se superar e a se reconciliar consigo mesmo e com o mundo.

A liturgia toda foi um momento de reflexão, gratidão e orações dedicadas a todos os profissionais da educação. O momento do ofertório foi simbólico e belo. Representantes das escolas levaram ao altar o pão e o vinho como sinal do trabalho cotidiano de educar. Esse gesto uniu o espiritual ao material, o altar à sala de aula, revelando que toda ação docente é uma forma de liturgia, um serviço prestado ao Reino de Deus.

Ao final da celebração, a emoção tomou conta de todos quando o Pe. Roger Matheus dirigiu uma mensagem aos educadores, lembrando que a missão de ensinar é um sacerdócio laical, uma vocação divina que se renova a cada novo amanhecer ao relembrar da história de sua professora do pré-escolar que, no ano de 2020, ele reconheceu apenas pelo olhar durante o momento da comunhão, destacando de como um professor marca o coração de seus estudantes.

Ao término da missa, todos receberam uma lembrança do Jubileu da Educação — um pequeno símbolo, cuidadosamente preparado, que representava a luz do conhecimento guiada pela fé. O gesto simples, mas profundamente significativo, gerou sorrisos entre os presentes.

O Jubileu da Educação de 2025 ficará gravado na memória diocesana não apenas como uma solenidade, mas como um chamado à ação pastoral. Inspirada pelas figuras de São Francisco das Chagas, John Henry Newman e Pe. Xavier, a Pastoral da Educação reafirmou seu compromisso de formar educadores missionários, que vejam no ato de ensinar uma expressão da presença viva do Ressuscitado. O encontro foi também um convite a renovar o pacto educativo global proposto pelo Papa Francisco: um pacto baseado na solidariedade, no diálogo, na inclusão e no cuidado com a casa comum.

A educação católica é a arte de transformar o conhecimento em sabedoria e a sabedoria em amor, e é esse amor que faz do educador um verdadeiro apóstolo do futuro. A Diocese de Taubaté segue sua caminhada, sustentada pela fé e pela esperança, unindo ciência e espiritualidade, escola e Igreja, coração e razão. Pois educar é participar do próprio ato criador de Deus, é continuar a obra da Ressurreição todos os dias, nas pequenas vitórias silenciosas do ensinar e do aprender.

Sob a bênção de São Francisco das Chagas, o Encontro da Pastoral da Educação encerrou-se como um testemunho de que o saber, quando iluminado pela fé, é caminho de santificação. Todos seguiram para suas missões certos de que o maior aprendizado daquele dia não veio dos livros, mas da certeza de que educar é servir — e servir é amar.

Professor Waldir Siqueira Moura / Pe. Edgar Delbem, sjr.

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