A partir de hoje, acompanhe neste espaço uma apresentação bíblico-catequética sobre a fé da Igreja, expressa no Símbolo Niceno Constantinopolitano. Além de uma introdução teremos vinte temas, através dos quais, refletiremos sinteticamente sobre a fé cristã. Colecione esses temas que serão publicados mensalmente, assim você terá uma apresentação das verdades de fé e sua fundamentação bíblica. Com essa leitura você percorrerá o “Caminho da Fé” da Igreja. Desejo que lhe seja esclarecedor e muito útil.
Introdução: Contextualização histórica
Iniciamos aqui uma série de breves orientações catequéticas sobre o credo Niceno Constantinopolitano, que é a profissão de fé Católica formulada em dois concílios: o de Nicéia, realizado no ano 325 e o de Constantinopla, no ano 381. Em 2025, o Concílio de Nicéia, completa 1700 anos de sua realização. Foi o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja Católica. É dito ecumênico não porque tivesse reunido pessoas de outras igrejas; o cristianismo ainda não sofrera nenhuma divisão; não existiam outras igrejas cristãs a não ser a Católica. A palavra “ecumênico” vem do grego oikós, que significa todos da casa, da família ou do mundo. O Concílio de Nicéia, na Turquia, foi ecumênico porque reuniu todos os bispos da época. No dia 20 de maio do ano 325, quando o Concílio foi iniciado, havia 314 bispos presentes, vindos do Egito, Palestina, Síria, Ásia Menor, África, Espanha, Gália e Itália. O Papa Silvestre, já era bem idoso e, não podendo ir até Nicéia, enviou dois padres que o representaram no Concílio. O objetivo do Concílio foi corrigir uma heresia, ou seja, um erro, que se espalhava na Igreja, conhecido como “arianismo”. Tratava-se de um erro doutrinal, ensinado por Ario, um padre grego, de Alexandria, que dizia que o Filho de Deus teria sido criado e por isso não era igual a Deus, ou seja, não era Deus. Diante disso, toda Igreja reunida corrigiu esse erro e formulou uma profissão de fé comum, expressando a verdadeira fé fundada na revelação bíblica e nos ensinamentos de Jesus. Essa profissão de fé recebeu alguns complementos no Concílio de Constantinopla, que se realizou no ano 381. Por isso é conhecido como Credo Niceno Constantinopolitano e, juntamente com o Credo Apostólico, expressam o que é a fé genuína da Igreja de Jesus Cristo. Nas missas dominicais recitamos uma ou outra e, por elas, expressamos nossa fé Católica.
1- Creio em um só Deus
Eu o convido a refletir sobre a afirmação de nossa fé: Creio em um só Deus. Desde o Antigo Testamento, vivendo entre pagãos que cultuavam muitos deuses, o Povo de Deus reconhece que Deus é único. A Bíblia, no livro do Deuteronômio 6,4-5, lemos: “Ouve ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força.” No evangelho escrito por Marcos 12, 29-30, Jesus mesmo confirma que Deus é “o único Senhor” e que é preciso amá-Lo de todo coração, com toda a alma, com todo o espírito e com todas as forças. Em João 10,30, Jesus revela: “Eu e o Pai somos um”. Quando o apóstolo Filipe pede a Jesus que lhes mostre o Pai, Jesus responde: “Quem me vê, vê o Pai” (João, 14,9). Assim, Jesus revela sua unidade com o Pai. No evangelho escrito por Mateus 28,19, depois da ressurreição, Jesus ao enviar os apóstolos em missão, diz: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos meus, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Aqui, Jesus revela a unidade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Assim sendo, a fé cristã, por revelação de Jesus, professa que Deus é único, mas é Pai, Filho e Espírito Santo. Não são três deuses, mas três Pessoas e um único Deus. Acreditar que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo nos caracteriza e nos distingue como cristãos. Por acreditarmos em um único Deus, não podemos absolutizar nada deste mundo. Só Deus é absoluto. Quem absolutiza o poder, o dinheiro, o sexo, o prestígio ou qualquer outra coisa, cria um ídolo, pois vive em função disso, desviando-se do Deus único e verdadeiro. Sempre que nós cristãos falamos “Deus” nos referimos à Santíssima Trindade; quando falamos sobre o Pai, o Filho ou o Espírito Santo, falamos sobre as Pessoas Divinas. Para nós cristãos, Deus é um só; é uno e trino. Fique com Deus.
Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano
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