No dia 1º de agosto, a Paróquia São Miguel Arcanjo, em Pindamonhangaba, celebrou Ordenação Presbiteral de um filho: Pe. João Pedro. Gêmeo, ele é o segundo filho de dona Lúcia e do sr. Anísio, que tiveram quatro. Nesta entrevista, o neo-sacerdote fala sobre o seu caminho vocacional, a ordenação e como está vivenciando o ministério.
O LÁBARO: Conte como foi o seu discernimento vocacional, a sua vida no seminário e a sua formação.
Pe. João Pedro: Minha caminhada vocacional foi acontecendo aos poucos, como um processo de descoberta e de escuta de Deus. Não foi simplesmente uma decisão tomada de um dia para o outro, mas um caminho no qual fui percebendo, por meio das experiências, das pessoas que encontrei e dos acontecimentos da minha vida, que Deus poderia estar me chamando para algo maior. O discernimento vocacional foi, sobretudo, um exercício de aprender a reconhecer a voz de Deus no meio das minhas próprias expectativas, dúvidas e inseguranças. Ao longo desse caminho, fui compreendendo que a vocação sacerdotal não consiste apenas em realizar uma função ou assumir uma missão dentro da Igreja, mas em configurar a própria vida a Cristo e colocá-la a serviço do povo de Deus. Aos poucos, fui amadurecendo a consciência de que o sacerdócio exigiria de mim não apenas disponibilidade, mas também conversão, responsabilidade, renúncia e uma profunda vida de oração. A entrada no seminário foi um momento muito importante nesse processo. A vida no seminário me ensinou que a vocação precisa ser discernida na realidade concreta do cotidiano. O seminário não é apenas um lugar onde se estuda para ser padre, mas uma verdadeira escola de vida, de convivência, de oração e de amadurecimento humano e espiritual. Aprendi a conviver com pessoas diferentes, a reconhecer meus limites, a trabalhar minhas dificuldades e, também, a perceber os dons que Deus havia colocado em mim.
O LÁBARO: Em fevereiro deste ano você foi ordenado diácono, sendo designado para servir na Paróquia Santo Antônio de Pádua e na Paróquia Menino Jesus, em Caçapava. Como foi esse tempo de ministério diaconal?
Pe. João Pedro: O tempo de ministério diaconal foi, para mim, uma experiência muito significativa e um período de grande amadurecimento. Depois de tantos anos de formação no seminário, poder viver concretamente o ministério junto ao povo me ajudou a perceber que aquilo que eu havia aprendido na formação precisava ganhar vida na realidade cotidiana das comunidades. Servir na Paróquia Santo Antônio de Pádua e na Paróquia Menino Jesus, em Caçapava, foi uma experiência muito rica justamente porque me permitiu conhecer duas realidades bastante diferentes dentro de uma mesma cidade. De um lado, uma realidade mais urbana e central, com suas características próprias; de outro, uma realidade mais periférica e rural, marcada pelas roças, pelas estradas de chão e por comunidades mais distantes do centro. Essa diversidade foi muito importante para minha formação pastoral, porque me ensinou que não podemos olhar para o povo de maneira uniforme. Cada comunidade possui sua história, sua cultura, suas necessidades e sua maneira própria de viver a fé. O ministério diaconal me ajudou a desenvolver esse olhar mais atento e próximo.
O LÁBARO: Quais as experiências mais significativas que vivenciou no exercício do Diaconato e quais foram os desafios?
Pe. João Pedro: As experiências mais significativas que vivi no exercício do diaconato estiveram, sobretudo, no contato com as pessoas. O ministério me permitiu conhecer pessoas muito diferentes, com histórias, personalidades, necessidades e maneiras de viver a fé bastante diversas. Aprendi que estar a serviço da Igreja significa também aprender a escutar, acolher e compreender o outro. Um dos grandes desafios foi aprender a lidar com essas diferenças. Nem sempre é fácil compreender determinadas atitudes, opiniões ou situações, e muitas vezes somos colocados diante de realidades para as quais não temos uma resposta pronta. O diaconato me ensinou a ter mais paciência, prudência e capacidade de escuta, procurando não olhar apenas para a situação apresentada, mas para a pessoa que está por trás dela. Também foram muito significativas as experiências pastorais nas diferentes comunidades. Como já mencionei, vivi realidades bastante distintas em Caçapava. Essa diversidade me ajudou a perceber que cada comunidade possui suas próprias características e que o modo de exercer o ministério precisa levar em conta a realidade concreta das pessoas. Outro aprendizado importante foi compreender que o ministro não precisa ter resposta para tudo. Há situações em que o mais importante é estar presente, escutar e caminhar junto. Isso foi me ensinando uma forma mais humana e pastoral de exercer o ministério.
O LÁBARO: Como foi a sua preparação para celebrar a Ordenação Presbiteral?
Pe. João Pedro: A preparação para a Ordenação Presbiteral foi, acima de tudo, um tempo de recolhimento, oração e amadurecimento daquilo que Deus vinha realizando em minha vida. Depois de tantos anos de formação e, especialmente, depois da experiência do ministério diaconal, eu já não olhava para a ordenação apenas como a realização de uma etapa, mas como o início de uma nova forma de entregar a minha vida a Deus e à Igreja. Procurei viver esse período com muita oração, colocando diante de Deus minhas expectativas, meus medos, minhas limitações e a responsabilidade que estava prestes a assumir. Foi um momento de recordar toda a caminhada vocacional: desde os primeiros sinais do chamado, passando pelo seminário, pelos anos de estudo e formação, até chegar ao diaconato. Perceber todo esse caminho me ajudava a reconhecer que a ordenação não era um acontecimento isolado, mas fruto de uma longa história de discernimento e de graça. Também procurei me preparar retomando o sentido do próprio sacerdócio. Fui compreendendo cada vez mais que ser padre não significa simplesmente exercer uma função dentro da Igreja, mas configurar a própria vida a Cristo, especialmente no serviço, na entrega e na disponibilidade para o povo de Deus. O ministério diaconal havia me ajudado muito nesse sentido, porque me ensinou concretamente a estar próximo das pessoas e a lidar com diferentes realidades.
O LÁBARO: No dia 1º de agosto, você foi ordenado padre na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Pindamonhangaba. Como foi vivenciar esse momento?
Pe. João Pedro: Foi um momento de muita alegria, gratidão e, também, de muita emoção. A Ordenação Presbiteral representou, para mim, a concretização de uma caminhada que começou muitos anos antes, desde o discernimento vocacional, passando pelo seminário, pela formação e, mais recentemente, pelo ministério diaconal.
Celebrar a ordenação na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Pindamonhangaba, teve um significado muito especial, porque foi ali que pude reunir tantas pessoas que fizeram parte da minha história. Olhar para aquele momento era também olhar para trás e perceber quantas pessoas Deus colocou no meu caminho e quanto Ele foi conduzindo minha vocação. Ao mesmo tempo em que havia muita alegria, também existia a consciência da responsabilidade que aquele momento trazia. Ser ordenado padre não é simplesmente alcançar o final de uma formação, mas assumir uma vida inteira de serviço. Naquele dia, mais do que receber uma função, eu entreguei novamente a minha vida a Deus e à Igreja. Foi um dia que certamente ficará marcado na minha história. Mais do que uma celebração bonita, foi a confirmação de um chamado e o início de uma nova etapa da minha vida.
O LÁBARO: Você foi nomeado vigário para duas paróquias: Paróquia Santo Antônio de Pádua e Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, em Caçapava. Como foi receber essa notícia e como foi a reação dos paroquianos?
Pe. João Pedro: Recebi a notícia com muita alegria, mas também com um profundo senso de responsabilidade. O que tornou essa nomeação ainda mais especial foi perceber que, de certa forma, eu estava retornando a duas comunidades que já faziam parte da minha história vocacional, mas agora em uma nova etapa da minha vida. Na Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, eu já havia estado como seminarista, quando estava no primeiro ano de Teologia. Já na Paróquia Santo Antônio de Pádua, tive a oportunidade de exercer meu ministério diaconal. Então, quando recebi a notícia de que seria vigário nas duas paróquias, pensei muito nisso: Deus estava me permitindo retornar a lugares que já tinham feito parte da minha formação, mas agora me confiando uma responsabilidade diferente. A reação dos paroquianos foi muito bonita. Muitas pessoas já me conheciam do período em que estive como seminarista ou diácono e receberam a notícia com alegria. Para mim, foi muito especial perceber esse carinho e essa acolhida.
O LÁBARO: Depois de um mês de ordenado, como está a sua vida ministerial? Como é ser vigário em duas paróquias? Que desafios tem vivenciado e quais são as suas expectativas nessa missão?
Pe. João Pedro: Posso dizer que estou vivendo um período muito intenso de aprendizado. A realidade do sacerdócio é muito bonita, mas também exige bastante disponibilidade. Ser vigário em duas paróquias significa estar próximo de diferentes comunidades, pessoas e situações, e isso exige organização, disposição e, principalmente, abertura para aprender. Ao mesmo tempo, existe algo muito bonito nessa experiência: poder celebrar a Eucaristia, administrar os sacramentos, anunciar a Palavra, atender as pessoas e acompanhar suas histórias. São coisas que eu já conhecia de alguma maneira durante a formação, mas que agora ganham uma dimensão completamente nova. Um dos desafios que tenho vivenciado é aprender a lidar com diferentes pessoas e diferentes situações. Cada pessoa chega com uma história, uma necessidade e uma expectativa. O padre precisa aprender a escutar, acolher e discernir como pode ajudar, sabendo que nem sempre terá uma resposta pronta. Também é um desafio conciliar as diferentes atividades e realidades das duas paróquias. Mas procuro olhar para isso não como um peso, e sim como uma oportunidade de crescimento e de serviço.
O LÁBARO: Que mensagem você deixa aos jovens que estão pensando em fazer esse caminho vocacional?
Pe. João Pedro: Eu diria aos jovens que estão pensando em fazer um caminho vocacional: não tenham medo de dar tempo ao tempo. Nós vivemos em uma época em que parece que precisamos decidir tudo rapidamente: o que vamos fazer, onde vamos trabalhar, qual caminho vamos seguir. Com a vocação não é diferente. Às vezes, queremos ter certeza de tudo antes mesmo de começar o caminho. Mas a vocação não funciona assim. É preciso permitir-se experimentar, conhecer, rezar, conviver e, principalmente, dar tempo para que as coisas amadureçam. Nem todas as respostas aparecem no início. Algumas respostas só surgem enquanto caminhamos. Na minha própria experiência, olhando hoje para toda a minha trajetória, percebo que muitas coisas só fizeram sentido depois de algum tempo. O seminário, as experiências pastorais, as pessoas que encontrei e até os desafios foram ajudando a construir uma resposta que eu não tinha pronta desde o começo.
Por Pe. Jaime Lemes, msj
