As atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032) apresentam-nos, como um dos caminhos da missão, a Animação Bíblica da Pastoral. Recordam-nos, assim, que a Igreja é ouvinte e servidora da Palavra de Deus, que é o “coração de toda a atividade eclesial” (Verbum Domini, n. 1).
Segundo as Diretrizes, a Animação Bíblica da Pastoral não é uma pastoral a mais, mas uma qualidade da Igreja, enquanto comunidade que se deixa conduzir pela Palavra, permitindo que todas as ações evangelizadoras sejam por ela iluminadas e formando discípulos que escutam, celebram, vivem e anunciam o Evangelho com alegria.
O Papa Leão XIV, em uma de suas catequeses, indicou-nos: “A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus. Na comunidade cristã ela tem, por assim dizer, o seu habitat: com efeito, na vida e na fé da Igreja ela encontra o espaço onde revelar o seu significado e manifestar a sua força”.
Ainda reflete o Santo Padre: “Na comunidade eclesial a Escritura encontra o âmbito onde desempenhar a sua tarefa peculiar e alcançar a sua finalidade: dar a conhecer Cristo e abrir ao diálogo com Deus. ‘A ignorância da Escritura – efetivamente – é ignorância de Cristo’. Esta famosa expressão de São Jerónimo recorda-nos o objetivo último da leitura e da meditação da Escritura: conhecer Cristo e, através d’Ele, entrar em relação com Deus, relação que pode ser entendida como conversa, diálogo”.
As Diretrizes oferecem-nos indicações pastorais bastante precisas para a Animação Bíblica da Pastoral. Destacamos apenas quatro delas:
- Criar processos simples e contínuos de formação bíblica (círculos bíblicos, cursos breves, semanas bíblicas), para que todo batizado tenha acesso ao essencial das Escrituras;
- Garantir que todos os encontros e reuniões da comunidade se iniciem com uma oração bíblica, refletindo a Palavra de Deus;
- Formar comunidades de discípulos missionários a partir da experiência da Leitura Orante da Palavra de Deus;
- Aprofundar o elo entre a escuta da Palavra de Deus e o serviço aos pobres.
Por fim, a Igreja deve sempre assegurar a todos o direito de receber o anúncio da Palavra de Deus. Se não o fizermos, corremos o risco de transformar a Igreja em uma instituição social assistencialista, ou seja, ela passará a realizar aquilo que tantas ONGs já são chamadas a realizar.
Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia
