Dom Epaminondas: pinceladas da vida e da missão do primeiro Bispo da Diocese de Taubaté

            A história da nossa Diocese passa pela trajetória de homens e mulheres que, respondendo generosamente ao chamado de Deus, deixaram marcas profundas que perduram até os dias atuais. Por isso, conhecer suas histórias, nos ajudam a responder com mais entusiasmo o nosso seguimento à Jesus. E, neste mês de julho, quando celebramos o nascimento de Dom Epaminondas Nunes d’Ávila e Silva, primeiro Bispo da Diocese de Taubaté, queremos recordar alguns traços de sua fecunda missão em nossa Diocese.

            Nascido em Serro Frio (MG), em 4 de julho de 1869, era filho do Major Francisco d’Ávila e Silva e de Maria Cândida Nunes d’Ávila. A morte prematura do pai trouxe dificuldades à família, mas não foi capaz de apagar do coração de Epaminondas e de seu irmão Alcebíades o desejo de servir a Deus na vocação sacerdotal. Com admirável coragem, D. Maria Cândida assumiu sozinha o sustento da casa e, trabalhando incansavelmente em serviços domésticos e na produção de velas, conseguiu proporcionar aos filhos a formação no Seminário de Mariana. Alcebíades optou pela vocação matrimonial, mas seu irmão Epaminondas, permaneceu firme, e, em 17 de julho de 1892, foi ordenado sacerdote.

             Recém-ordenado, recebeu a missão de ser coadjutor (hoje chamado de vigário) da Paróquia de Serro Frio, sua terra natal, de 1892 a 1908, sendo, depois, nomeado cônego do cabido Diocesano da Catedral de Diamantina. Seus grandes feitos e zelo pela causa do reino, fizeram-no ser indicado ao episcopado ainda aos 40 anos de idade, pelo Papa Pio X. Sua sagração como Bispo, aconteceu na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Serro Frio, em 08 de setembro de 1909, tendo a missão de ser o primeiro Bispo da recém criada Diocese de Taubaté, no interior do estado de São Paulo, no Vale do Paraíba. Sua posse canônica aconteceu na Catedral desta cidade, em 21 de novembro de 1909.

            Desde o início de seu episcopado, revelou-se um pastor zeloso e próximo de seu povo: apesar da saúde frágil, percorreu longas distâncias a cavalo para visitar as Paróquias, levando consigo o entusiasmo missionário. Outra grande marca de Dom Epaminondas, foi o amor à liturgia e uma atenção especial às vocações sacerdotais. Sob seu impulso, nasceu o Seminário Diocesano Santo Antônio, acompanhado de perto por ele, que fazia questão de conviver com os seminaristas, com quem gostava de jogar xadrez. Fundou ainda a Associação de São José Pró-Vocações Sacerdotais, para arrecadar fundos para o sustento do Seminário.

            Seu coração de pastor também se voltou para os pobres, os órfãos e os enfermos. Incentivou a expansão das Conferências Vicentinas, acolheu congregações religiosas dedicadas à educação e à caridade e colaborou com a jovem Dulce, futura Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico, na obra que daria origem à Congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, para cuidar das vocações sacerdotais e auxiliar os tuberculosos, em número tão significativo à época.

            Em maio de 1935, debilitado pela enfermidade, seguiu para tratamento no Rio de Janeiro, onde faleceu em 29 de junho.  De sua vida e seu episcopado, além dos feitos que permanecem vivos em nossa Diocese, permanecem bonitos exemplos cristãos que nos ajudam a nos questionar: “Senhor, que queres de mim?”

Jean Cardoso Carvalho

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