Neste ano, o Seminário de Taubaté acolheu uma única nova vocação: um jovem de Pindamonhangaba, que disse o seu “sim” ao Reino, desejando servir a Igreja e ao Povo como padre.
Sem sombra de dúvidas, é notável a sua decisão em tempos e escassez vocacional. Ainda assim, é pouco para uma diocese de dez cidades e quarenta e nove paróquias. Será que Deus se esqueceu de nós? Como diriam os antigos, será que fizemos algo e estamos sendo castigados? A sociedade não acredita mais que a função de padre seja relevante? Ou os jovens não querem viver para as coisas de Deus? Ou será que a evangelização está indo de mal a pior? Os católicos não estão suficientemente religiosos para criar uma atmosfera de escuta interior da voz de Deus?
A problemática é diversificada. Em certo sentido, todas as perguntas acima podem ter o seu ponto de verdade. Há causas culturais, espirituais e até sócio-econômicas que explicam a tragédia do baixo número de vocações ao sacerdócio. Todas elas precisam ser bem constatadas, interpretadas e, sobretudo, devidamente enfrentadas.
Uma coisa, porém, continua sendo de extrema utilidade: convidar! Não dá para saber se um rapaz que nunca pensou em ser padre tem vocação, mas ele só poderá pensar nisso se alguém o provocar. A pergunta “já pensou em ser padre?” tem uma função catalizadora. Ela pode ser a origem de novas vocações. Toda vocação é uma questão interior, questão forte, impactante, que dá o que pensar e faz até a gente se coçar. “Que queres de mim, Senhor? Que queres que eu faça?”.
Apesar de todos os problemas do mundo atual, em matéria de fé e de religião, é preciso continuar perguntando “já pensou em ser padre?”. Deus vai fazendo a obra por aí, convocando novos Pedros e Andrés, Tiagos e Joãos, passando nas coletorias e nas pescarias do agora. É impossível que Deus tenha parado de chamar! Impossível! Ele sempre chama, mas chama pela Igreja, obra Sua, voz Sua, sinal Seu.
“Ide pelo mundo, a todos pregai o Evangelho”. Nesse mandato está incluso “chamai a todos”. Provavelmente, a maioria não vai querer ser padre. Muitos, porém, poderão se interessar por seguir o Senhor mais de perto.
Não importa todo o caos do mundo presente, chamemos e Deus chamará!
Pe. Marcelo Henrique, reitor do Seminário de Filosofia
