O SENHOR VIRÁ JULGAR A TODOS E SEU REINO NÃO TERÁ FIM – tema 14 e 15

Em junho de 2025, neste espaço, iniciamos a publicação de breves noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano, que completou 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada: “Caminho da Fé”. Também pode ser encontrada no portal de nossa Diocese.

De novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos

Após a ressurreição, aos olhos dos discípulos, Jesus foi elevado aos céus, eles ficaram ali parados, extasiados com o que tinham visto. Diante deles apareceram dois homens vestidos de branco e lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (cf. Atos 1,11). Anteriormente, quando Jesus lhes tinha falado sobre a destruição de Jerusalém e o fim do mundo, os discípulos perguntaram-lhe quando seria isso e qual o sinal do de seu retorno, no final dos tempos. Jesus respondeu dizendo: “Não cabe a vós saber os tempos ou momentos que o Pai determinou com sua autoridade, mas recebereis o Espírito Santo para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, na Judeia, na Samaria e até os confins da terra” (cf. Atos 1,7-8). Jesus também os alertou: “Cuidado para que ninguém vos engane! Pois muitos virão, usando meu nome e dizendo: ‘Eu sou o Cristo!’ … Hão de surgir muitos falsos profetas, que enganarão muita gente. A maldade se espalhará tanto que o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. … Se alguém vos disser: O Cristo está aqui, ou Ele está ali, não acrediteis. Vede que eu vos preveni. … (Naquele dia) aparecerá, no céu, o sinal do Filho do Homem. Então … verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória” (Mateus 24,3-13 e v.30). A partir da ascensão de Jesus os seus discípulos não devem ficar olhando para o alto, esperando o Senhor voltar glorioso. Com a ascensão, iniciou-se o tempo do testemunho. Jesus enviou os seus discípulos para darem testemunho de sua morte e ressurreição. Eles receberam o Espírito Santo para serem, por toda a terra, as testemunhas de Jesus. Esse é o tempo que nós vivemos agora; é o tempo da Igreja, tempo de viver nossa fé, de dar testemunho de Cristo, de fazer discípulos para o Senhor. É desta maneira que o cristão deve aguardar o Senhor voltar. Essa é a nossa missão. Feliz de quem o Senhor assim encontrar. A segunda vinda do Senhor será para o julgamento. “Quando o Filho do Homem vier em sua glória … ele se assentará em seu trono glorioso e separará uns dos outros. … Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! … Depois dirá aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos” (Mateus 25,31-41). Estejamos conscientes do que o Senhor espera de nós e assim O aguardemos.

O seu Reino não terá fim

A expressão “Reino de Deus” indica a soberania ou o senhorio de Deus sobre o mundo, a história e as pessoas. O reino ou reinado de Deus acontece quando existe acolhimento de sua Palavra e disposição em viver segundo sua vontade. A ideia de Deus como rei do seu povo já vem desde o Antigo Testamento. Enquanto os outros povos tinham reis, Israel considerava Deus como seu rei. A expressão “Reino de Deus” tem como equivalente a expressão “Reino dos Céus”, que surgiu entre os rabinos de Israel, fruto da preocupação de não se pronunciar o nome de Deus. O reino de Deus constitui-se como um dos temas centrais das pregações de Jesus e foi ilustrado com parábolas que ele contou. Jesus comparou o Reino de Deus à semente de mostarda (Lc.13,18), ao fermento misturado à farinha (Mt.13,33), à rede de pesca (Mt.13,47), ao tesouro escondido (Mt.13,44), à pérola de grande valor (Mt.13,46), e outras. Em cada uma dessas parábolas, Jesus evidencia diferentes aspectos do Reino de Deus. Por exemplo, na parábola que compara o reino de Deus ao fermento colocado em meio a farinha, ele evidencia que o Reino de Deus é uma realidade dinâmica que transforma a realidade do mundo e das pessoas. Por sua vez, a parábola do tesouro escondido revela a disposição pessoal de quem descobriu o valor do Reino de Deus e empenha tudo o que tem a fim de conquistar esse grande tesouro. Quanto à parábola do joio e do trigo, a pedido dos discípulos, o próprio Jesus explica-lhes o sentido, e diz: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos.  Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticaram o mal; depois, esses serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt.13,36-43). O reino de Deus concretiza-se com Jesus e será plenificado no final dos tempos, na parusia, quando o Senhor retornar glorioso e todo mal for vencido. Então seu Reino será estabelecido para sempre e não terá fim. Participará do Reino de Deus quem, ao longo da vida, acolheu a mensagem de Jesus e procurou promover e viver os valores do Reino. Venha a nós, Senhor, o vosso Reino.

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano

 

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