O primeiro ano jubilar ordinário, celebrado na diocese de Taubaté teve como grande evento as festividades promovidas para celebrar a canonização de Santa Teresinha do Menino Jesus, em 1925. A Diocese de Taubaté teve um papel preponderante nesse episódio, por dois fatos determinantes.
O primeiro, porque o bispo de então, dom Epaminondas Nunes de Ávila e Silva, foi um grande devoto da santa carmelita ainda antes mesmo de ela ter sido canonizada. Verdade, verdade mesmo, a santa carmelita de quem ele era devoto primeiramente era Santa Teresa de Ávila, que vivera entre os anos de 1515 e 1582, canonizada em 1622 e proclamada doutora da Igreja em 1970 pelo papa Paulo VI. A vida da freira espanhola é riquíssima de exemplos de espiritualidade e foi sobre ela que o bispo taubateano resolveu aprofundar seus conhecimentos, tendo encomendado ao seu secretário um livro com a sua biografia. Por essa ocasião, dom Epaminondas encontrava-se enfermo, internado em um hospital no Rio de Janeiro. Isso foi em 1913.
Aconteceu, porém que o seminarista José Monteiro, ao invés de lhe levar o livro sobre Teresa d’Avila, levou-lhe, por engano, uma biografia da irmã Teresinha do Menino Jesus. As duas eram carmelitas, embora tenham vivido em épocas totalmente diferentes. Enquanto esteve acamado, o bispo pedia à sua sobrinha, que o acompanhava juntamente com a sua irmã Virgínia, que lesse para ele a história da Teresinha mais nova, pela qual ele se encantou. A freirinha tinha fama de santa e nem beatificada ainda tinha sido, estando seu processo de beatificação correndo na Santa Sé. Foi beatificada dez anos depois, mas dom Epaminondas já era seu devoto, tendo se transformado num grande defensor da sua beatificação e, para mais tarde, da canonização. Pois, em 1923 a irmã Teresinha do Menino Jesus foi declarada beata e, dois anos depois, exatamente no primeiro ano jubilar da diocese de Taubaté, foi elevada à canonização, passando a ser venerada como Santa Teresinha do Menino Jesus. Tão logo ocorreu a beatificação, dom Epaminondas se empenhou na construção de uma capela dedicada a ela, no Largo da Cadeia, em 1924, que acabou por constituir-se no primeiro santuário dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus, no mundo, antes mesmo do de Lisieux, na França, que é o grande centro internacional da sua devoção, sendo este o segundo fato determinante da importância da devoção à santinha carmelita em Taubaté.
Nos arquivos diocesanos, em um livro não publicado, as pesquisas da professora Olga Rodrigues em parceria com a arquiteta Lívia Vierno relatam que “em 17 de maio de 1925, ocorreu a canonização de Santa Teresinha e a diocese de Taubaté esmerou-se nas comemorações: ao meio dia os sinos das igrejas de Taubaté repicaram, enquanto dom Epaminondas, na capela particular do palácio episcopal, procedeu à bênção de uma imagem de Santa Teresinha e a colocou no altar. As 13h, na Catedral de Taubaté, fez a bênção de duas imagens de Santa Teresinha, paraninfadas pelo Sr. Felix Guisard, Dona Francisca de Mattos, Sr. Antônio Pereira da Silva Barros e dona Mariana de Mattos Barros. Logo após, o Pe. Florêncio Luiz Rodrigues, secretário do bispado, fez uma alocução sobre a solenidade. A seguir, foi organizada uma procissão com as irmandades, os membros do Seminário Diocesano, o clero regular e secular e uma multidão de fiéis, que seguiu em direção à Praça Comendador Costa Guimarães, onde foi realizada pelo Monsenhor Nascimento Castro, representando Dom Epaminondas, a bênção solene da primeira pedra do Santuário de Santa Teresinha. Foram paraninfos nesse ato o Sr. Dr. César Costa, prefeito municipal, e sua esposa, Dona Lucilla Costa, numa deferência de Dom Epaminondas à dedicada cooperação de ambos para com as obras do Santuário.”
Por Henrique Faria
