Tendo iniciado o Tempo Quaresmal na Quarta-Feira de Cinzas (18/02), iniciou-se também, na Igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade (a partir daqui, CF), que, desde 1964, tem levado os fiéis católicos de todo o território nacional a uma profunda conversão, não apenas espiritual, mas também na profundidade de suas ações.
A CF “nasceu por iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales, em Nísia Floresta, Arquidiocese de Natal (RN)”, no ano de 1962, “como expressão da caridade e da solidariedade em favor da dignidade da pessoa humana, dos filhos e filhas de Deus”. Desde essa data — a CF permaneceu por dois anos como uma ação arquidiocesana e somente depois se tornou nacional — é perceptível que a Campanha busca fazer com que todos compreendam a dignidade fundamental que cada pessoa possui, independentemente de cor, raça, crença ou língua.
Ao se tornar nacional, a CF passou a refletir pontos importantes da caminhada de fé dos cristãos. São identificadas três fases nesse percurso: 1ª fase: de 1964 a 1972, refere-se à renovação da Igreja e do cristão, trazendo temas voltados à recepção do Concílio Vaticano II; 2ª fase: de 1973 a 1984, aponta a preocupação com a realidade e o pecado social, promovendo a justiça, tendo em vista o Concílio Vaticano II e as duas Conferências do Episcopado Latino-Americano realizadas em Medellín e Puebla; 3ª fase: de 1985 aos dias atuais, na qual se reflete as situações existenciais do povo brasileiro. É nessa terceira fase que nos encontramos.
Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a CF 2026 busca refletir sobre a importância da moradia digna para todas as pessoas, já que ela é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 1988, em seu art. 6º. Contudo, ao tratar desse tema, podemos nos equivocar e fixar o olhar apenas naquelas pessoas que “sobrevivem” em situação de rua e não possuem um teto sobre suas cabeças. A CF 2026, porém, nos chama a corrigir o olhar e observar realidades mais profundas, como: pessoas que pagam aluguéis excessivamente caros, o que compromete a conquista de outros direitos básicos; famílias que vivem em coabitação, ou seja, mais de uma família na mesma casa; irmãos que residem em moradias precárias e/ou em áreas de risco. Pensar em “moradia” é falar de todas essas realidades e também dos demais direitos necessários para viver com dignidade, os quais, em sua quase totalidade, somente podem ser acessados quando se possui um endereço, um CEP, uma moradia.
Dentro desse cenário, a Igreja possui um papel muito importante: a partir do anúncio da Boa-Nova do Reino de Deus, ao evangelizar, deve ensinar os fiéis a superarem as desigualdades sociais, a romperem as cadeias das injustiças e a apontarem os erros cometidos, assim como fizeram os profetas do Antigo Testamento, cumprindo o seu múnus profético e levando os fiéis a se comprometerem com a transformação do mundo.
Pensando nisso, na Diocese de Taubaté, a vivência da CF 2026 vem sendo preparada desde o mês de novembro de 2025, quando a temática foi apresentada e aprofundada com os padres e diáconos da diocese, na Reunião Geral do Clero.
Neste ano de 2026, foram realizadas formações nas sete foranias que compõem a Diocese de Taubaté. Foram momentos de rico aprofundamento da temática proposta e de aquisição de conhecimentos. Muitos exemplos de ações já realizadas foram citados, inclusive iniciativas desenvolvidas no ano de 1993, quando a CF possuía o mesmo tema que vivemos hoje.
Nas formações, contamos com a presença de fiéis leigos, sejam ou não agentes de pastoral; de padres e diáconos; de religiosos; e de autoridades civis de algumas cidades da Diocese, como prefeitos, vereadores e secretários de habitação. Além dessas formações nas foranias, a temática foi apresentada em duas paróquias que buscaram aprofundar ainda mais o tema; no encontro do Colegiado de Organismos e Pastorais Sociais (COPS) da Diocese; aos membros do Conselho Diocesano de Pastoral (CDP); no programa “Jornal da Rede”, da Rádio 99FM. Também foi realizada formação para professores do Colégio Marillac, em Taubaté, durante sua Semana Pedagógica, ocorrida de 19 a 23 de janeiro; houve apresentação do tema e do lema da Campanha aos alunos dos períodos da manhã e da tarde no Colégio Vesper, em Caçapava; e ainda a abertura municipal da CF nas Câmaras Municipais de Natividade da Serra, Caçapava e Taubaté.
Concluindo, as reflexões geradas nessas formações e discursos nos levam a aprofundar nosso olhar em vista da realização de obras que beneficiem a todos. Dois textos que se destacaram nessas apresentações foram Tg 2,14-26 e Mt 25,31-46, os quais nos conduzem à tomada de consciência de que o jejum e a oração, práticas quaresmais individuais de conversão, devem se desdobrar na esmola e na caridade, para que o fruto da conversão seja gerado e alimente a fé da Igreja.
Nos dias 28 e 29 de março, fiéis de todas as dioceses do Brasil se unem em um gesto concreto de solidariedade: a Coleta Nacional da Campanha da Fraternidade 2026, realizada no Domingo de Ramos. Essa coleta representa o compromisso cristão com a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Os recursos arrecadados serão destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), que financia projetos sociais em diversas regiões do país, especialmente aqueles voltados às populações em situação de vulnerabilidade.
Os valores arrecadados são divididos da seguinte maneira:
- 60% permanecem nas próprias dioceses, por meio dos Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS), para apoiar iniciativas locais voltadas ao enfrentamento das situações de pobreza, fome, exclusão e vulnerabilidade.
- 40% são enviados à CNBB, que coordena o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), destinando os recursos a projetos sociais em âmbito nacional, priorizando iniciativas que promovam o desenvolvimento humano integral, a justiça social e a cidadania.
Este ano já estão escolhidas as instituições que receberão a doação dos recursos que ficam na Diocese (60%), são elas:
– Lar São Vicente de Paulo, localizado à Rua Doutor Fontes Junior, nº 220, Bairro São Benedito Pindamonhangaba/SP, com 48 residentes, sendo 25 homens e 23 mulheres.
– Lar São Vicente de Paulo, localizado à Rua Ce. Domingues de Castro, nº 364, Centro – São Luiz do Paraitinga/SP, com 18 residentes, sendo 10 homens e 8 mulheres. Presidente:
– Vila Vicentina, localizado à Rua Prefeito Jorge Pereira, nº 30, Centro – Jambeiro/SP, com 15 residentes, sendo 11 homens e 4 mulheres.
– Centro de Convivência Amélia Ozanan, localizado à Rua Monsenhor Amador Bueno, nº 91, Centro – Tremembé/SP, com 38 assistidos.
Pe. Wellington Giovane Santos
Assessor Diocesano para as Campanhas
