Unidos por uma preocupação comum. Não queremos uma termoelétrica em Caçapava

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, será diretamente afetada pelos impactos da possível instalação de uma usina termoelétrica na cidade de Caçapava. O projeto desse empreendimento tem gerado intenso debate, levando em consideração as potenciais consequências negativas para o meio ambiente e para a população.

A proposta de instalação de uma usina termelétrica para Caçapava visa utilizar a queima de combustíveis fósseis para gerar eletricidade. O projeto, de grande porte, promete contribuir para a estabilidade do fornecimento de energia na região, no entanto, especialistas em preservação do meio ambiente levantam questionamentos sobre os impactos ambientais e a conformidade com as leis e regulamentações ambientais.

Apresentando um posicionamento contrário à instalação  da termoelétrica na região, os cinco bispos da Província Eclesiástica de Aparecida, Dom Wilson Luís Angotti Filho (Taubaté), Dom Orlando Brandes (Aparecida), Dom José Carlos Chacorowski (Caraguatatuba), Dom José Valmor César Teixeira (São José dos Campos) e Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias (Lorena), se manifestaram em uma carta aberta à população sobre os riscos da instalação.

“…é imprescindível que a suficiência energética seja proveniente de fonte limpas e renováveis se fundamente na proteção e respeito à vida, na prevenção socioambiental, na escuta e respeito à população”, pedem os bispos.

A carta alerta sobre os sérios riscos ao ambiente e à saúde da população.

“O projeto da referida usina, conforme os dados técnicos já apresentados por cientistas e pesquisadores, pode acarretar sérios riscos para a saúde da população, a qualidade do ar, a segurança hídrica e o equilíbrio ambiental de todo o Vale do Paraíba. Isso fere o art. 225 da Constituição Federal, que estabelece o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as atuais e futuras gerações”, alerta a carta.
Os bispos da Província Eclesiástica de Aparecida se posicionam sobre esse assunto a partir dos ensinamentos do Papa Francisco.

“Nossa posição inspira-se nos valores cristãos e no Magistério da Igreja Católica, particularmente na Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, que nos recorda que “não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise socioambiental” (n. 139)”.

Em carta, os bispos pedem para que todos busquem informações, analisem e se posicionem quanto à instalação dessa termoelétrica.

“… pedimos a cada um, a partir de sua área de atuação, considerar com atenção e sensibilidade os impactos socioambientais que este empreendimento trará para a região”.

Os bispos indicam, para mais informações e melhor considerar esta complexa situação, o programa Arquivo A produzido pela TV Aparecida sobre esta temática, que apresenta dados, análises de cientistas e entrevistas, disponível no Youtube através do Link: https://www.youtube.com/watch?v=hZBP05R_9vY . E também o material disponibilizado por especialistas sobre os diversos impactos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde da população, disponível no do link: https://drive.google.com/drive/folders/1YEUOqyyxVE5_gggEBDhpFLJPKfLxqkIk .

Faculdade Dehoniana promove Conferência sobre o tema da termoelétrica

Diversas instituições da sociedade têm se posicionado contra esse projeto da termoelétrica. A Faculdade Dehoniana, localizada em Taubaté, promoveu uma conferência com o tema “O impacto da termoelétrica de Caçapava na saúde da população do Vale do Paraíba”, no dia 03 de setembro de 2025, aberto à comunidade, com objetivo de levar este tema a diversos segmentos da sociedade e partilhar informações sobre os problemas de saúde que a população vale-paraibana terá se a termoelétrica for instalada em nossa região.

Em apoio a essa conferência e debate sobre o assunto, no início da conferência foi exibido um vídeo com uma mensagem do bispo Diocesano Dom Wilson Angotti, sobre a importância de cada católico em se preocupar com o cuidado com o meio ambiente. Dom Wilson motivou a todos a se comprometerem, movidos pela fé, a agir concretamente em contribuição à preservação ambiental.
“Temos a nossa fé que leva sempre a um compromisso concreto, não é uma fé alienante, é uma fé concreta. O Apóstolo São Tiago diz:  mostra-me a tua fé sem as obras e eu lhe mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Assim, a nossa fé deve estar engajada, atuante, comprometida com a transformação da vida. Nós, na Igreja, temos esse compromisso, de proteger a vida, de promover a vida e de também proteger o ambient. Isso nos vem da Doutrina Social da Igreja, o ensinamento social decorrente da fé”.

Lembrando os ensinamentos do Papa Francisco, através das Encíclicas Laudato Si e Laudato Deum, Dom Wilson apontou que o compromisso como cristãos e também como brasileiros, tendo em vista a COP30, é momento oportuno de refletir e se posicionar em defesa do meio ambiente.

“Temos que pensar na conservação do nosso ambiente, buscar energias mais limpas e renováveis. Temos outras possibilidades de gerar energia, sem tantas consequências danosas para o ambiente, para a saúde das pessoas e também socialmente com um custo tão elevado como é o das termoelétricas. Procuremos nos posicionar, em meio à sociedade, para que tenhamos ações comprometidas e transformadoras em defesa da vida e do ambiente”, finalizou.

O conferencista convidado, Prof. Dr. Wilson Cabral, especialista em meio ambiente, professor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e professor da pós-graduação na UNESP (Universidade Estadual Paulista) ,fez uma apresentação com informações sobre os impactos na saúde da população. Caso a termoelétrica seja instalada em Caçapava, conforme informações do Professor Wilson, a emissão de poluentes de uma termoelétrica oferece risco à saúde como doenças cardiovasculares, problemas no sistema respiratório, entre outros problemas de saúde. Em sua apresentação, Prof. Wilson também chamou a atenção sobre o risco de internação hospitalar em caso de picos de emissão de poluentes.

“Quando há picos de emissões de poluentes aumenta o nível de internação hospitalar por doenças respirátórias agravadas por esses poluentes, isso é constatado estatísticamente, podemos consultar no DataSUS”, informou.

Padre Afonso Lobato, Pároco da paróquia Sant’Ana em Pindamonhangaba, participou da conferência na Faculdade Dehoniana e destacou a importância de as informações sobre os impactos da termoelétrica cheguem até as pessoas e as lideranças políticas, para que uma mobilização efetiva ocorra contra a instalação da termoelétrica.

“Para que haja comprometimento, posicionamento, é necessário informação, conhecimento. Sem informação, não vai existir engajamento. Então, o primeiro passo é promover ações para que as informações cheguem até mais pessoas, envolver os prefeitos, procurar apoio político, motivar as pastorais sociais a abordar o assunto na ação pastoral, falar na igreja, envolver a população para criar consciência sobre os riscos da termoelétrica. Sem participação e mobilização popular não será possível impedir a instalação da termoelétrica. É preciso levar esse conhecimento para Universidades, classe política das mais diversas esferas, para ampliar o comprometimento”, indicou padre Afonso.

Padre Afonso afirmou que , junto com o Professor Wilson Cabral, levaram as informações sobre os prejuízos ao meio ambiente para a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, para iniciar uma mobilização junto aos deputados.

Diocese de Taubaté promove manifesto contra a termoelétrica


Tendo em vista uma maior mobilização da população, a Diocese de Taubaté programou para o Dia 04 de outubro de 2025, dia da Festa do Padroeiro Diocesano, São Francisco das Chagas, um Manifesto Contra a Instalação da Termoelétrica em Caçapava. Às 9h, haverá a Concelebração Eucarística do Dia do Padroeiro e, em seguida, o manifesto acontecerá na Praça Dom Epaminondas, em frente à Catedral de Taubaté.

Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança” (Laudato Si n.244).

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