Neste ano de 2025, celebramos o centenário da canonização de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, ocorrida em 17 de maio de 1925 pelo Papa Pio XI, apenas 27 anos após sua morte. Teresa de Lisieux nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873, em uma família profundamente religiosa. Seus pais, São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, foram canonizados pelo Papa Francisco em 18 de outubro de 2015. Teresinha era a caçula de oito filhos. Aos quatro anos, perdeu a mãe, vítima de câncer de mama, e desde cedo conheceu a dor do sofrimento.
Além dessa perda, enfrentou o afastamento de quatro irmãs que ingressaram no Carmelo, permanecendo sob os cuidados do pai, que mais tarde desenvolveu problemas psiquiátricos. Após suplicar pessoalmente ao Papa Leão XIII, Teresinha ingressou no Carmelo de Lisieux em 9 de abril de 1888, com apenas 15 anos. Na profissão dos votos, tomou o nome de Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face.
No claustro, alimentava intenso desejo missionário, chegando a desejar morrer pelo Senhor em terras distantes, como tantos mártires. Porém, compreendeu que sua missão seria rezar pela Igreja, pelos missionários e sacerdotes. Descobriu que seu lugar era o amor, vivido nos pequenos atos cotidianos. Por isso, em 1927, o Papa Pio XI a proclamou padroeira das missões. Vítima da tuberculose, faleceu em 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos.
Segundo a tradição carmelitana, após a morte de uma irmã, a superiora deveria escrever às demais comunidades relatando sua vida. Algumas irmãs de Teresinha, no entanto, julgavam-na sem virtudes extraordinárias. Para surpresa delas, o primeiro milagre ocorreu justamente durante o velório: uma de suas irmãs foi curada de anemia cerebral ao tocar o corpo da santa.
Rapidamente, inúmeros fiéis passaram a procurar o Carmelo de Lisieux em busca de sua intercessão. Em 19 de outubro de 1997, o Papa João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja, reconhecendo a profundidade espiritual de sua “pequena via” ou “infância espiritual”. Sem tratados teológicos, sua herança está nos escritos autobiográficos da História de uma alma, nos quais mostrou que a santidade não exige grandes feitos, mas confiança total no amor de Deus e a realização amorosa dos pequenos atos diários.
Se os milagres realizados pela intercessão da menina de Lisieux começavam a surgir nos arredores do Carmelo, mal sabiam os seus contemporâneos que, na pequena cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, surgia também um dos primeiros milagres atribuídos à sua intercessão. Aconteceu que o primeiro bispo de nossa Diocese, Dom Epaminondas de Ávila e Silva, foi acometido por uma enfermidade. Nos dias em que estava hospitalizado, Dom Epaminondas pediu a um de seus secretários que levasse até ele um livro de Santa Teresa de Ávila. Aconteceu que levaram até ele a autobiografia da jovem Teresinha do Menino Jesus, que ainda nem tinha sido canonizada. O bispo, ao ler o livro, ficou surpreso por tamanha profundidade espiritual e passou a suplicar a intercessão de Teresinha, sendo surpreendido pela iminente cura de sua enfermidade, o que fez com que ele se tornasse um grande devoto.
Podemos dizer que Dom Epaminondas dá início à propagação da devoção a Santa Teresinha em Taubaté, pedindo que fosse construída uma pequena igreja onde hoje se localiza o atual Santuário. No entanto, a devoção foi crescendo tanto em nossa cidade que foi necessário iniciar a construção de um templo muito maior, dando origem ao grande templo que temos hoje. Uma das características interessantes é que a obra do Santuário começou em 1923, antes da canonização de Santa Teresinha; por essa razão, o mesmo é considerado o primeiro do mundo dedicado a ela. Em 1925, Dom Epaminondas cria por decreto a Paróquia Nossa Senhora do Rosário e, em 1929, quando o Santuário de Santa Teresinha é inaugurado, o mesmo passa a ser a matriz paroquial.
Nas comemorações da festa de Santa Teresinha deste ano, o Santuário se encheu de uma alegria toda especial, tendo em vista o centenário de canonização da santa e de criação da paróquia. A tradicional novena das rosas teve início no dia 19 de setembro e contou com expressiva participação dos fiéis que, ao longo dos nove dias, passaram pelo Santuário em busca de um profundo encontro com Deus pela intercessão de Santa Teresinha. No dia 28 de setembro, domingo, a festa contou com uma belíssima procissão, onde foi notável a alegria e a devoção dos devotos.
As comemorações da festa encerraram-se no dia 1º de outubro, memória litúrgica de Santa Teresinha. Neste dia, o Santuário organizou uma programação toda especial com celebrações de missas desde as 6h da manhã, bênção das rosas, imposição de escapulários e orações. A partir das 18h, a banda do Exército fez uma tocata na porta da igreja, acolhendo os devotos para a Solene Santa Missa de encerramento, que aconteceu às 19h. Devotos de diversas paróquias acorreram ao Santuário para pedir e agradecer à Santa das Rosas.
Elevamos a Deus nossos louvores por nos ter dado uma intercessora tão cara ao nosso povo taubateano, sobretudo para que a vida desta grande santa seja inspiração para a vivência do amor. De fato, como ouvi em uma canção: “Passa este mundo, passam os séculos, mas quem ama não passará jamais.” Se uma jovem que morreu aos 24 anos de idade, sem grandes experiências de vida, é lembrada por nossa geração e reconhecida como a maior santa dos tempos modernos, isso só pode ser explicado por uma marca indelével: o amor a Deus e o amor ao próximo nos pequenos atos do cotidiano. Que Santa Teresinha nos inspire na vivência do amor e no testemunho evangélico.
Danilo Lorenzotti
(Seminarista do 2º ano de teologia)

