Nossas reflexões sobre o Jubileu têm procurado sempre mostrar que este tempo especial a que chamamos de Ano Santo, tão rico em significados, tem um sentido basilar: é um tempo de pausa.
A sociedade frenética em que vivemos tem uma obsessão em nos manter sempre entretidos e ocupados. A pausa parece quase um pecado ou um crime hediondo. Se antes a promessa feita era a de que a tecnologia faria muitas coisas por nós e receberíamos o tão sonhado tempo livre de presente, fato é que o tal tempo livre tornou-se escravidão digital e virtual. As horas anteriormente perdidas em afazeres e trabalhos tornaram-se, então, horas dedicadas às redes sociais com prejuízos enormes para a saúde mental, emocional e física. Pior: continuamos entretidos e sem tempo, bem como a pausa continua a ser mal vista: um pequeno instante fora da hiper conexão absoluta a que estamos sujeitos pode significar deixar de ser visto, notado, curtido, deixar de “lacrar”.
O Jubileu de 2025, o primeiro desta era da hiper conexão, atreve-se a proclamar a pausa com seu sentido religioso e também humano. Neste mês de setembro, conhecido na Igreja do Brasil como o “mês da Bíblia”, a pausa jubilar pode ser compreendida e vivida por nós como uma atitude relacionada à escuta da Palavra de Deus.
Na frenética desenvoltura das redes sociais, muitas são as palavras que nos comunicam diferentes conteúdos: desde os vídeos curtos até os longos podcasts, palavras são despejadas como numa violenta e caudalosa enxurrada de tempestade de verão.
Contudo, o suntuoso espetáculo só tem um artista a revelar em seus palcos: o vazio da vida. Há palavras em profusão, mas ninguém escuta nada e nem ninguém, porque ninguém pausa para ouvir e porque, no fundo, são apenas ideias vazias e nada mais. As tantas palavras são como uma chuva que não molha ninguém, pois a necessidade do coração humano continua sendo aquela única Palavra que faz e dá sentido à vida: a Palavra de Deus. Está Palavra se fez carne na Encarnação e também se fez silêncio na cruz para nos ensinar que somente pausando as palavras é que podemos ouvi-La a fundo.
Que este mês de setembro do Ano Santo traga realmente um tempo de maior contato com a Palavra de Deus, seja pela leitura mais frequente, pela meditação pessoal e pelo estudo. E tudo isso só pode ser possível se tivermos a grande coragem de pausar o ritmo frenético da existência para ouvir e redescobrir o essencial que é invisível aos olhos, mas perceptível a ouvidos atentos à única Palavra que realmente importa.
Por Pe. Celso Luis Longo
