JUBILEU E CAMPANHA DA FRATERNIDADE: ESPERANÇA E ECOLOGIA INTEGRAL.

No contexto do Ano Santo que estamos vivendo em toda a Igreja neste 2025, nós, católicos do Brasil, também, somos convidados pela Igreja a vivenciar a Campanha da Fraternidade, sobretudo, no tempo da Quaresma.

Parece que as coisas quase que se opõem, mas, na verdade, elas convergem. Uma característica essencial do Jubileu, em suas raízes bíblicas, é o descanso da terra. Tal preceito evoca a necessidade de que a natureza seja cuidada pelo ser humano e não meramente explorada por ele, como se fosse uma fonte inesgotável de recursos a ser depredada insanamente. Esse respeito pela terra é um sinal de esperança. Não se trata de um ato pagão, que atribui divindade à natureza; antes, é um ato de fé em Deus, o Criador.

Podemos dizer, então, que na sua formulação bíblica original, o Jubileu já faz uma menção àquilo que hoje chamamos de ecologia integral. Tal conceito, que compõe o tema da Campanha da Fraternidade de 2025, é uma visão que considera a interconexão entre o ser humano, o meio ambiente e a sociedade.

A ecologia integral propõe um estilo de vida que busca a harmonia entre o corpo, a natureza e a espiritualidade. Basicamente, isso quer dizer que o ser humano faz parte da criação, está conectado com ela e, por isso, tem o dever de respeitá-la e não deve destruí-la. E, se o faz, comete pecado, pois ofende a Deus, o Criador.

É muito importante recordar: sabemos, sim, que o ser humano é criado por Deus à Sua imagem e semelhança, dotado de uma alma imortal e, por isso, tem uma vocação sobrenatural: é chamado à plena comunhão com Deus na vida eterna. Já a natureza, por si mesma, é provisória. No final de tudo, não sobrará pedra sobre pedra e, depois da transformação de toda a realidade com a segunda vinda de Jesus, certamente, o novo céu e a nova terra serão diferentes do que conhecemos hoje. Esta é a nossa fé católica!

Contudo, parece que muitos não entendem e argumentam que a preservação da natureza não tem nada a ver com a fé. Mas, tem sim. O ser humano caminha neste mundo e interligado às realidades daqui antes de chegar à plenitude eterna. Portanto, o respeito à criação é respeito a Deus, o Criador, e à sua obra, da qual o ser humano, com sua vocação sobrenatural, é o elemento, sem dúvida alguma, mais importante. Só que isso não dá ao ser humano o direito ou o poder para destruir a natureza!

Então, a Ecologia Integral é uma forma de enfrentar a crise socioambiental, promovendo a justiça social, a preservação ambiental e um futuro sustentável. Ela tem como princípios: cuidar de si, dos outros e do ambiente; promover a cultura de paz; harmonizar o ser humano com os ritmos da natureza e do corpo; cuidar do próximo e da própria saúde; valorizar a vida e a pessoa humana; educar para o conhecimento da ligação entre o equilíbrio pessoal, social e ambiental.

O planeta vive sem nós, mas nós não vivemos sem ele. E não temos um planeta reserva! O desenvolvimento econômico e social não pode acontecer separado de preocupações e atitudes concretas para a manutenção do meio ambiente integrado com o ser humano. É mais do que urgente buscar o desenvolvimento sustentável, com o equilíbrio entre a atividade econômica, o bem-estar social, condições de vida digna para todos e a preservação da natureza.

A esperança à qual somos chamados, que não decepciona e que se realizará em plenitude apenas na vida futura, entretanto, já pode ser experimentada no aqui de nossa vida neste mundo, também quando o ser humano entende que pertence a um todo maior, que é complexo e articulado. Destruir a criação é pecado, por que é destruir a harmonia criada e desejada por Deus para este mundo, sinal e antecipação daquilo que será o céu. Nossa fé deve nos levar a mudarmos de atitude, também, nesses aspectos.

Por Pe. Celso Luiz Longo

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