In Unitate Fidei: a Carta Apostólica de Leão XIV sobre o Concílio de Nicéia

O Papa Leão XIV publicou na Solenidade de Cristo Reino do ano corrente, a Carta Apostólica na Unidade da Fé, por ocasião da celebração dos 1.700 do Concílio de Nicéia, o primeiro concílio ecumênico da história da Igreja, retomando assim a definição dogmática deste evento decisivo para fé cristã: “Cremos em Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, que desceu do céu para a nossa salvação”. Esta afirmação acerca da divindade de Jesus Cristo, tornou-se o fundamente perene da identidade cristã. O papa destaca que nas provações da vida, a fé em Jesus Cristo nos dá esperança e força. O documento consta de 12 pontos, destacamos aqui alguns temas essenciais:

O Sumo Pontífice dá grande ênfase ao tema do diálogo entre os cristãos, pois “o que nos une é muito mais do que o que nos divide”: “Para podermos desempenhar este ministério de forma crível, devemos caminhar juntos para alcançar a unidade e a reconciliação entre todos os cristãos. O Credo de Nicéia pode ser a base e o critério de referência deste caminho. Propõe-nos efetivamente um modelo de verdadeira unidade na legítima diversidade. Unidade na Trindade, Trindade na Unidade, porque a unidade sem multiplicidade é tirania, a multiplicidade sem unidade é desintegração. O Espírito Santo é o vínculo de unidade que adoramos juntamente com o Pai e o Filho. Devemos, portanto, deixar para trás as controvérsias teológicas, que perderam a sua razão de ser, para adquirir um pensamento comum e, mais ainda, uma oração comum ao Espírito Santo, para que nos reúna a todos numa única fé e num único amor” (n. 12).

Propõe-se também como tema de reflexão para toda Igreja, a restauração da unidade da fé, a partir de um caminho de reconciliação, escuta e acolhimento, elementos constitutivos de uma igreja sinodal. Isso não nos tornará mais pobres, mas nos enriquecerá eclesialmente e espiritualmente: “Tal como em Nicéia, este objetivo só será possível através de um caminho paciente, longo e, por vezes, difícil de escuta e acolhimento recíproco. Trata-se de um desafio teológico e, mais ainda, de um desafio espiritual, que exige arrependimento e conversão da parte de todos. Por isso, precisamos de um ecumenismo espiritual de oração, louvor e culto, como aconteceu no Credo de Nicéia e Constantinopla” (n.12).

Outra temática que o Papa nos recorda é que “no centro do Credo Niceno–Constantinopolitano está a profissão de fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus. Este é o coração da nossa vida cristã. Por isso, comprometemo-nos a seguir Jesus como Mestre, companheiro, irmão e amigo. Contudo, o Credo Niceno pede mais: lembra-nos, com efeito, que não devemos esquecer que Jesus Cristo é o Senhor (Kyrios), o Filho do Deus vivo, que ‘pela nossa salvação desceu do céu’ e morreu ‘por nós’ na cruz, abrindo-nos o caminho para uma vida nova com a sua ressurreição e ascensão. Seguir Jesus Cristo certamente não é um caminho largo e confortável, mas este caminho, muitas vezes exigente ou mesmo doloroso, conduz sempre à vida e à salvação” (n. 11).

O Papa Leão concluí o texto com uma bela oração ao Espírito Santo para que nos acompanhe e guie nesta obra de reconciliação: “Santo Espírito de Deus, Vós guiais os fiéis no caminho da história… Nós vos agradecemos por terdes inspirado os Símbolos da fé e por suscitardes no coração a alegria de professar a nossa salvação em Jesus Cristo, Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Sem Ele, nada podemos”.

Vale a pena ler na íntegra o documento, e assim buscar trilhar o caminho da unidade cristã, que irá reunir a Igreja no único rebanho de Cristo. Boa leitura!

 

Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia 

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