FRATERNIDADE QUE GERA VIDA NOVA

“Eis que farei uma coisa nova, ela já vem despontando: não percebeis? Com efeito, estabelecerei um caminho no deserto, e rios em lugares ermos.” (Is 43,19)

Com essas palavras do profeta Isaías, iniciamos um novo semestre neste ano de 2026. Um novo horizonte se abre para a nossa caminhada de fé e de construção de um mundo cada vez mais aberto à graça de Deus. Aquilo que deixamos passar nos primeiros meses deste ano, podemos agora retomar e concretizar, fazendo com que nossa ação se configure às ações de Cristo.

Nesta nova caminhada, devemos agir para que todos possam possuir vida nova, e vida em abundância (cf. Jo 10,10). O termo “fraternidade” nos leva a conceber essa realidade. Dentro do cristianismo, ele se liga ao mandamento novo que Jesus nos deixou e que constitui a essência dos demais mandamentos e da promoção da vida: “Como eu vos amei, amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34b). O amor é fonte de vida! É isso o que contemplamos nas ações de Deus em vista da salvação de toda a humanidade. João nos deixa claro, em sua primeira carta: “Deus é amor”, e a manifestação do grande amor de Deus se deu em seu Filho, Jesus Cristo. Por Ele temos vida (cf. 1Jo 4,8-9). Pelos ensinamentos de Cristo, por meio de suas palavras-ações, e por sua entrega na cruz, foi-nos dada a possibilidade de uma vida nova.

O mês de julho é marcado, na Igreja, como o mês do “Preciosíssimo Sangue de Cristo”; sangue que o Senhor derrama em sua Paixão para nos salvar do pecado que leva à morte. Filósofos antigos acreditavam que, no sangue, estava a vida do homem. No livro do Levítico, vemos que o povo judeu possuía uma compreensão semelhante a essa: “Porque a vida da carne está no sangue” (Lv 17,11). A ciência, hoje, consegue explicar essa antiga crença: o sangue é o meio de transporte de micro e macronutrientes, além do oxigênio, elementos necessários para que nosso corpo, e cada célula nele existente, sobreviva.

Em nosso dia a dia, precisamos compreender que nossas ações, por menores que sejam, podem assumir a função que o sangue exerce no corpo: levar vida aos que precisam. Não apenas uma vida física, por meio da caridade praticada, mas também uma vida espiritual e psíquica, por meio da escuta e do diálogo. Jesus nos deixou claro que Ele é a Vida (cf. Jo 14,6). É por meio d’Ele que a humanidade pode se reconstruir e assumir uma nova caminhada, mas, para isso, Ele quis precisar de nós. Quando estamos em comunhão com Ele, ou seja, quando assumimos em nossas ações as próprias ações de Cristo, tornamo-nos promotores da vida, dando sentido à existência de nossos irmãos.

Ser cristão é reconhecer-se banhado pelo sangue de Cristo para que, fortalecido contra todo tipo de mal, possa promover a justiça e a dignidade para todas as pessoas. As Campanhas da Fraternidade adentram esse âmbito. São instrumentos que a Igreja utiliza para que nós, cristãos, reconheçamos que é preciso assumir uma comunhão mais perfeita com Cristo, para, assim, levarmos vida às realidades onde ela não existe ou é desestimulada. Locais que a Igreja nos ensina a olhar com novos olhos.

Fraternidade é compadecer-se do sofrimento do irmão, tomando-o para nós. Vivamos a nossa caminhada tentando, ao máximo, assumir essa realidade, de modo a promover e levar vida a todos os que dela necessitam, em todas as circunstâncias, fazendo com que possuam dignidade e, assim, possam contemplar o Senhor, que ouve a voz do povo que sofre e vem ao seu encontro para salvá-lo (cf. Ex 3,7-8).

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