FRATERNIDADE QUE AMA SEM MEDIDA

Em nossa caminhada pela vida, temos infinitas oportunidades que se desdobram a cada passo dado. A cada momento vivido, somos chamados a realizar escolhas e definir metas que nos fazem crescer como pessoas. É perceptível a todos que, ao iniciarmos um novo mês, vemos despontar novos horizontes, expectativas e forças renovadas para podermos agir de forma diferente, com mais empenho e dedicação, buscando realizar boas ações. Dentro do cristianismo, esse processo chama-se “conversão”.

Vivendo o mês de junho — último mês do primeiro semestre —, devemos fazer uma breve reflexão sobre como está sendo a nossa caminhada cristã até este momento. Como tenho dado testemunho de discípulo de Cristo? Será que tenho agido de forma a cumprir seus ensinamentos? Tenho vivido o mandamento novo? Estou caminhando ao encontro de meus irmãos para lhes fazer o bem ou estou fazendo o contrário? Esses questionamentos, entre muitos outros, devem nos orientar para que possamos avaliar a nossa caminhada e nos posicionar de forma renovada em nosso dia a dia, especialmente ao iniciarmos um novo semestre.

Busquemos ser cristãos verdadeiros, coerentes com os ensinamentos de Jesus e vivendo os pilares da comunidade cristã, conforme refletido no Projeto Diocesano de Pastoral “Perseverantes no Caminho”. Fortaleçamo-nos na Sagrada Escritura, na oração diária e na presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, que caminha ao lado de sua Igreja, sempre guiando-a pelo Espírito Santo. Ele é nosso exemplo de ação, de vida doada e de vivência plena da obediência ao Pai. Neste mês de junho, celebramos o dia dedicado ao seu Sagrado Coração (12/06), símbolo do amor misericordioso de Deus.

Ao falarmos de encontro com o próximo e de entrega da própria vida por meio de uma comunhão fraterna, a figura do Sagrado Coração de Jesus desponta de forma radiante. É nesse Coração Santo que encontramos fortaleza para o nosso servir, mesmo quando somos caluniados por nossa ação pastoral; mesmo quando tentamos corrigir, de forma fraterna, as divisões e indiferenças vividas por inúmeras pessoas, entre as quais também se encontram cristãos. Em nossa caminhada, necessitamos deixar que o Coração de Nosso Senhor nos guie, para que jamais deixemos de lado o perdão, a compaixão e a reconciliação, marcas de um mistério que deve adentrar o mais íntimo do nosso ser e nos transformar de dentro para fora.

Na vivência anual da Campanha da Fraternidade, esses pontos são muito importantes, levando-nos a experimentar uma unidade e uma gratuidade no amor que nos fazem sair de nós mesmos e buscar auxiliar tantos irmãos que se encontram em dificuldade. Como já foi dito em edições anteriores do Lábaro, a Campanha possui um tempo determinado para sua apresentação e reflexão — o Tempo Quaresmal —, mas sua vivência deve estender-se por toda a vida, e não apenas durante o ano em que determinada temática é proposta. Busquemos compreender essa realidade, pois assim estaremos mais próximos de nossos irmãos e, consequentemente, mais próximos do Sagrado Coração de Nosso Senhor, sendo testemunhas fiéis de um amor que se doa todos os dias para o bem de seu povo. Recordemos que em nossos lares esse amor deve sempre ser vivido de forma a revigorar cada família. Dessa forma, auxiliemos aquelas famílias que não possuem um lar estruturado ou que, sem moradia, chegam a não contemplar o amor doado, por falta de compaixão e atitude de muitos irmãos.

Tenhamos sempre em mente aquilo que São João nos apresenta em sua Primeira Carta: “Pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar” (1Jo 4,20). O amor não é apenas oração, mas também ação, atitude de encontro e transformação.

Pe. Wellington Giovane Santos

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