Numa Igreja Sinodal, cada um tem uma tarefa preciosa, diferente, mas coordenada com a dos outros. É preciso cultivar o intercâmbio de dons e o entrelaçamento dos laços que nos unem, apoiados pelos Bispos em comunhão entre si e com o Bispo de Roma. Na quarta parte do Documento Final do Sínodo, inicialmente destaca-se a importância da Igreja particular, sem deixar de indicar a necessidade de se ampliar a “tenda”:
“A conversão sinodal convida, assim, cada pessoa a alargar o espaço do seu coração, o primeiro lugar onde ressoam todas as nossas relações, enraizadas na relação pessoal de cada um com Cristo Jesus e com sua Igreja. É essa a fonte e a condição para qualquer reforma em chave sinodal dos laços de pertença e dos lugares eclesiais. A ação pastoral não pode se limitar a cuidar das relações entre pessoas que já convivem entre si, mas deve favorecer o encontro com cada homem e cada mulher” (n. 110).
O Documento sugere uma reflexão sobre a Igreja enquanto “casa”. Quando não entendida como um espaço fechado, evoca a possibilidade de acolhimento, hospitalidade e inclusão. O Sínodo indica o compromisso de fazer da Igreja uma casa acolhedora, sacramento de encontro, escola de comunhão. Recordando sempre que a Igreja é Povo de Deus a caminho com Cristo, sendo cada um chamado a ser peregrino da esperança.
Destaca neste processo de implementação do Sínodo a importância da paróquia: “A comunidade paroquial, que se encontra na celebração da Eucaristia, é lugar privilegiado de relações, acolhimento, discernimento e missão. Assim, tornar-se mais claro que a paróquia não está centrada em si mesma, mas orientada para a missão e chamada a apoiar o empenho de tantas pessoas que, de modos diversos, vivem e testemunham a fé na profissão e na atividade social, cultural e política” (n. 117).
O Sínodo reflete a importância do intercâmbio de dons dentre as Igrejas, que acontece de modo especial nas Conferências Episcopais e Assembleias Eclesiais: “Nas Assembleias Eclesiais (regionais, nacionais e continentais), os membros que exprimem e representam a variedade do Povo de Deus (incluindo os Bispos), participam no discernimento que permitirá aos Bispos, colegialmente, tomar decisões a que estão obrigados em virtude do ministério que lhes foi confiado. Essa experiência mostra como a sinodalidade permite articular concretamente o envolvimento de todos (Povo de Deus) e o ministério de alguns (o colégio dos Bispos) no processo de decisões sobre a missão da Igreja” (n. 127).
Por fim, na quarte parte do Documento Final, recorda-se o aniversário do primeiro Concílio Ecumênico, no qual o Símbolo da Fé que une todos os cristãos foi formulado de modo sinodal. A celebração do 1700° aniversário do Concílio de Nicéia deveria ser uma oportunidade para aprofundar e confessar juntos a fé cristológica e assim colocar em prática a sinodalidade.
Leia também: Documento final do Sínodo dos Bispos – “Lançai a rede” – Parte III
Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia
