Documento final do Sínodo dos Bispos “Também eu vos envio” – Parte V

“Jesus disse, de novo: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio’. Dito isso, soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito Santo’” (Jo 20,21-22). Na noite de Páscoa, Cristo entrega aos discípulos o dom da paz, e com o sopro do Espírito, realiza uma nova criação: nasce o novo povo de Deus de discípulos missionários.

Este novo povo para realizar sua missão necessitará de uma formação adequada: “primeiramente, a liberdade de filhos de Deus no seguimento de Jesus Cristo, contemplado na oração e reconhecido nos pobres. A sinodalidade, de fato, implica uma profunda consciência vocacional e missionária” (n. 141). “A formação em estilo sinodal da Igreja promoverá a consciência de que os dons recebidos no Batismo são talentos que frutificam para o bem de todos: não podem ser escondidos ou permanecer inoperantes” (n. 141).

Segundo o Documento final a formação dos discípulos missionários começa na Iniciação cristã e nelas se enraíza. Também se dá destaque a celebração dominical como lugar de formação para os cristãos: “A Missa, de fato, acontece como uma graça concedida do alto, antes de ser o resultado dos nossos esforços: sob a presidência de um e graças ao ministério de alguns todos podem participar na dupla mesa da Palavra e do Pão” (n. 142).

Um dos pedidos que emergiu com maior força foi a necessidade de uma formação integral, contínua e partilhada, não apenas para aquisição de conhecimentos teóricos, mas para promoção da abertura e do encontro, do diálogo e do discernimento comum. Deve se considerar todas as dimensões da pessoa neste processo: intelectual, afetiva, relacional e espiritual. Isso requer a presença de formadores idôneos e competentes, somente assim a formação será transformadora e generativa.

Entre as práticas formativas deu-se uma maior atenção à catequese, que deve ser cada vez mais “em saída” e extrovertida, ao estudo do Catecismo da Igreja Católica, também o aprofundamento de temas atuais da Doutrina Social da Igreja, a fim de que a ação dos discípulos missionários incida na construção de um mundo mais justo e fraterno.

Por fim, na parte conclusiva do Documento Final, destaca-se que o sentido último da sinodalidade é o testemunho que a Igreja é chamada a dar de Deus Pai e Filho e Espírito Santo, harmonia do amor que se derrama fora de si mesma pata se dar ao mundo” (n. 154). Caminhando em estilo sinodal e indo ao encontro de todos, devemos levar a alegria do Evangelho, para assim vivermos a comunhão que salva: com Deus, com toda humanidade e com toda a Criação.

Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira

Reitor do Seminário Diocesano de Teologia

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