“Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois de seus discípulos. Simão Pedro lhes disse: ‘Eu vou pescar’. Eles responderam: ‘Nós também vamos contigo’” (Jo 21,2-3). O caminho sinodal começou assim: ouvimos o convite do sucessor de Pedro e o acolhemos. Sobretudo, o Sínodo foi uma oportunidade de experimentar as relações que sustentam a vitalidade da Igreja e animam suas estruturas.
Segundo o Documento final durante o desenvolvimento do Sínodo emergiu o apelo a uma Igreja mais capaz de alimentar as relações: com o Senhor; entre homens e mulheres; nas famílias; nas comunidades; entre todos os cristãos; entre grupos sociais; entre as religiões; com a Criação” (n. 50). Uma Igreja sinodal depende de uma verdadeira conversão relacional:
“Temos de reaprender do Evangelho que cuidado das relações não é uma estratégia ou o instrumento para uma maior eficácia organizacional, mas é o modo com Deus Pai se revelou em Jesus e no Espírito. Quando as nossas relações, mesmo na sua fragilidade, deixam transparecer a graça de Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito, confessamos com a vida a fé em Deus Trindade” (n. 50).
O texto final ressalta também a importância dos diversos carismas, vocações e ministérios em função da missão da Igreja: “Na comunidade cristã, todos os batizados são enriquecidos com dons para partilhar, cada um segundo sua vocação e sua condição de vida (…). Cada batizado responde às exigências da missão nos contextos em que vive e atua, com base nas suas próprias inclinações e capacidades, manifestando assim a liberdade do Espírito ao conceder os seus dons” (n. 58). Ainda a Assembleia sinodal convidou a Igreja a implementar integralmente as oportunidades já previstas no direito no que se refere ao papel das mulheres. “Não há razões que impeçam as mulheres de assumir funções de liderança na Igreja” (n. 60).
Já o ministério ordenado precisa estar a serviço da harmonia da Igreja. “Quem é ordenado Bispo não recebe prerrogativas e tarefas que deve desempenhar sozinho. Pelo contrário recebe a graça e a tarefa de reconhecer, discernir e compor, em unidade, os dons que o Espírito derrama sobre as pessoas e sobre as comunidades, trabalhando dentro do vínculo sacramental com os presbíteros e os diáconos, que, com ele, são corresponsáveis pelo serviço ministerial da Igreja local” (n. 69).
O Documento elenca algumas oportunidade que devem ser oferecidas aos féis leigos, homens e mulheres, a fim que possam participar mais ativamente da vida da Igreja: a) uma participação mais ampla dos leigos na tomada de decisão; b) um acesso mais alargado dos leigos a cargos de responsabilidade nas instituições eclesiásticas; c) maior apoio e reconhecimento aos carismas dos consagrados e consagradas e ao seu empenho em cargos de responsabilidade eclesial; d) o aumento de número de leigos qualificados nos tribunais eclesiásticos; e) um reconhecimento efetivo da dignidade e o respeito aos direitos daqueles que trabalham como funcionários da Igreja e suas instituições.
Diante dessas propostas, continua, portanto, a exigência de prosseguir o discernimento, e a promoção de modelos de experimentação sobre os quais teremos a oportunidade de discernir futuramente, em busca de respostas concretas para necessidade da Igreja e da missão.
Leia também: Documento final do Sínodo dos Bispos O Coração da Sinodalidade – Parte I
Pe. Luiz Gustavo Sampaio Moreira
Reitor do Seminário Diocesano de Teologia
