DEUS FILHO SE FEZ HOMEM NO SEIO DE MARIA, PADECEU E FOI SEPULTADO – temas 10 e 11

Desde o mês de junho deste ano, neste espaço, iniciamos a publicação de breves noções bíblico-catequéticas sobre o Credo Niceno Constantinopolitano que, neste ano de 2025, completou 1.700 anos de sua formulação. Além de uma introdução são vinte temas, pelos quais sinteticamente, apresentamos aspectos fundamentais da fé cristã. Abaixo, seguem mais dois. Leia e colecione os temas desta série denominada: “Caminho da Fé”. Também pode ser encontrada no portal da Diocese.

O Filho de Deus e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da virgem Maria, e se fez homem

Em nossa fé professamos que o Deus Filho se encarnou, ou seja, se fez homem; isso se deu por obra do Espírito Santo. O que a Igreja crê e professa é o que recebemos pela Tradição e pela Palavra de Deus. No evangelho escrito por Lucas, lemos: “O anjo então disse: ‘Não temas Maria, pois encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus’. … Maria, então perguntou ao anjo: ‘Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?’ O anjo respondeu: ‘O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc.1,30-35). Assim, nós afirmamos que o Filho de Deus, ao assumir a natureza humana, se encarnou por obra do Espírito Santo, no seio da virgem Maria. Na carta aos Gálatas 4,4 – lemos: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher.” Para formar-Lhe um corpo, Deus quis a livre cooperação de uma Criatura que por Deus foi escolhida; Maria deu seu “sim”. Jesus foi concebido no ventre de Maria, não pela ação de um ser humano, mas por vontade e obra de Deus. Como diz a Escritura, Ele foi gerado pelo poder do Espírito Santo. Ele é filho de Deus porque foi gerado por Deus, e assim possui natureza divina. Ele é humano porque, ao ser concebido no seio da virgem Maria, assumiu nossa condição humana. De Deus, Jesus tem a divindade e da virgem Maria Jesus tem a humanidade. É esse o mistério da Encarnação, que a revelação bíblica nos faz conhecer e, com toda a Igreja, nós professamos que o Filho de Deus se encarnou pelo poder do Espírito Santo, no seio da virgem Maria, e se fez homem. Jesus Cristo foi gestado no ventre daquela que o próprio Deus escolheu. Assim, o Filho de Deus assumiu a carne humana no seio de Maria. Foi por ela amamentado e cuidado como filho, e Jesus a amou como Mãe, pois dela nasceu. Dizer que o Filho de Deus se fez homem significa afirmar que, ao nascer como homem, Jesus assumiu tudo o que é próprio da condição humana, exceto o pecado, que é uma realidade inconciliável com a condição divina. Quando o Filho de Deus, no ventre de Maria, assumiu a condição humana, nossa humanidade passou a estar indissoluvelmente unida à divindade. Em Jesus, Deus e homem se uniram e esse mistério se deu no ventre de Maria. Aí se deu o começo de nossa salvação. É por isso que a Igreja venera a virgem Maria e a proclama bendita entre todas as mulheres, porque o próprio Deus assim a distinguiu.

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado

O Filho de Deus não só assumiu a nossa humanidade, mas também por nós foi crucificado. Foi pelo infinito amor de Deus que se deu a criação, a encarnação do Filho, sua paixão e morte. No evangelho escrito por João, lemos: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo.15,13). Isso Jesus ensinou e demonstrou pelo que padeceu por sua morte na cruz. Dizer que Jesus foi crucificado sob Pôncio Pilatos é uma referência histórica àquele que, pela autoridade dos romanos, governava a Judéia, na época de Jesus. Foi Pilatos que, cedendo à pressão das lideranças judaicas, decretou a crucifixão e morte de Jesus. Profetizando e, certamente, sem entender o alcance de suas palavras, o Sumo Sacerdote Caifás, disse: “Não compreendeis que é melhor que um só homem morra pelo povo para que não pereça toda a nação?” Isso lemos no evangelho escrito por João 11,50 e revela que Jesus morria por todos nós, para resgatar a todos da morte, que é consequência de nossos pecados. O pecado leva ao afastamento de Deus, que é fonte da vida; afastados dEle estamos na morte. A morte redentora de Jesus realiza o que o profeta Isaías, no cap. 53, anunciava sobre o Servo Sofredor, e que bem se aplica a Jesus: “Não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar. … Era desprezado e abandonado, entregue à dor e acostumado ao sofrimento. … Mas ele oferece a vida como sacrifício pelo pecado; assim por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar” (vv.3-10). Jesus mesmo apresentou o sentido de sua vida e de sua morte à luz do Servo Sofredor, quando disse: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt.20,29). Em contraste com a desobediência de Adão, Jesus foi o Filho obediente, que obedeceu até a morte e morte de cruz (cf. Fl. 2,8). Sua obediência nos redimiu de nossa desobediência (cf. Rm.5,19-21). O caráter redentor do sofrimento e da morte de Jesus evidencia o sentido da expressão “por nós” foi crucificado. A morte e ressurreição de Jesus nos resgatam da morte que nós merecíamos por nossos pecados. Bastou a obediência de um só para nos resgatar a todos (cf. Gn.18,23-33 belíssimo e significativo texto). A referência à sepultura de Jesus o associa a todo ser humano que, pela própria natureza, é mortal. Jesus, Deus feito homem, associou-se também à nossa morte, para que da morte pudesse nos libertar.

Dom Wilson Angotti
Bispo Diocesano


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