Ao nos aproximarmos do encerramento do ano civil e iniciarmos um novo ano litúrgico na Igreja, deparamo-nos com o processo de transição das atividades da Campanha da Fraternidade. É importante perceber que, embora a Campanha tenha seu foco concentrado no período quaresmal, devemos refletir sobre ela durante todo o ano, para que nossas ações caminhem rumo a uma conversão sincera e contínua.
A Campanha de 2025, Fraternidade e Ecologia Integral, levou-nos a reconhecer a necessidade de cuidarmos da Casa Comum, o nosso planeta, criado por Deus e confiado a nós para que o cultivássemos e guardássemos como o paraíso que é, de modo que todas as gerações possam contemplar suas belezas, manifestação do grande amor de Deus (cf. Gn 1,28-31). A partir dessa reflexão, somos conduzidos a uma realidade mais íntima: o cuidado com o próximo. Por isso, a Campanha da Fraternidade de 2026, com o tema Fraternidade e Moradia – “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), nos convida a contemplar as dificuldades enfrentadas por tantas pessoas que não possuem uma moradia digna.
Essa temática, que será vivida a partir da Quarta-feira de Cinzas de 2026 (18 de fevereiro), chama nossa atenção para a importância da moradia na vida de uma pessoa. Ela é porta de entrada para todos os demais direitos, pois, ao possuir uma moradia, a pessoa também tem um CEP, requisito essencial para a obtenção de tais direitos. Em nosso país, segundo o texto-base da Campanha, 6 milhões de famílias necessitam de uma moradia e 26 milhões vivem em situação inadequada (Texto-Base, n. 30). É imprescindível que voltemos nosso olhar para esses irmãos que, por inúmeros motivos, ainda não conseguiram conquistar o direito a uma moradia digna, e que por isso sofrem preconceitos e indiferença por parte de setores da sociedade.
A Quaresma é tempo de conversão; contudo, não devemos reduzir esse processo apenas a um período do Tempo Litúrgico. É necessário dar continuidade, ao longo do ano, ao impulso que o período quaresmal nos proporciona. Assim, as reflexões geradas pela Campanha não devem se encerrar com o término do Tempo Quaresmal, mas permanecer como uma luz acesa, capaz de transformar nossas ações como cristãos no mundo. Isso nos aproxima de nossos irmãos e nos conduz, unidos, a uma intimidade mais profunda com nosso Senhor, por meio da prática da justiça e da vivência autêntica da fé.
Pe. Wellington Giovane
Assessor Diocesano para Campanhas
