São Francisco das Chagas e os seus filhos nas terras de Taubaté

Muitas vezes, conhecendo as histórias das cidades mais antigas, percebemos que o surgimento das antigas vilas está entrelaçado à devoção ao seu padroeiro(a) ou à presença de ordens e congregações religiosas. E em nossa cidade não foi diferente com São Francisco das Chagas: antes mesmo de Taubaté possuir a configuração que hoje conhecemos, a devoção ao santo já acompanhava os primeiros passos da povoação que surgia às margens do rio Paraíba.

Quando Jacques Félix chegou a estas terras, no século XVII, trouxe consigo a fé católica, característica típica dos bandeirantes daquela época, e junto dele a devoção a São Francisco. Em 1645, quando a povoação foi elevada à condição de vila, homenageou seu padroeiro, denominando-se Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté. Tal homenagem demonstrava a fé e devoção daquele povo no santo que viu gravadas em seu corpo as marcas da paixão de Cristo, e por isso recebeu o adjetivo das “Chagas”.

A devoção, porém, não ficou restrita aos primeiros anos. Algumas décadas depois, os próprios moradores da vila, desejaram a presença permanente dos filhos de São Francisco. Então, em 1674, solicitaram a vinda dos frades do Convento de Santo Antônio, do Rio de Janeiro, comprometendo-se com a construção de um convento em Taubaté. Assim, nascia a presença franciscana que transcorreria séculos e se tornaria parte significativa da história religiosa de nossa cidade.

Mais tarde, já no final do século XIX, chegaram os Frades Capuchinhos. Em 1891, passaram a residir no antigo Convento Santa Clara, renovando em Taubaté a presença da família franciscana e continuando a anunciar, pela vida e pelo testemunho, o carisma que é próprio da Ordem: a simplicidade do Evangelho, a fraternidade e o amor aos mais necessitados.

De maneira especial, neste ano de 2026, a Família Franciscana celebra os 800 anos do Trânsito de São Francisco, e nós, ao olharmos para a história de nossa cidade e de nossa Diocese, que também tem São Francisco das Chagas por padroeiro, elevamos a Deus, de coração agradecido, o nosso louvor por nosso padroeiro, que há 381 anos protege nossa terra. E mais ainda, pedimos a Deus a graça de imitar as virtudes do Santo de Assis, encontrando-nos com o Cristo que se mostra abandonado em tantos irmãos necessitados, e assim, comprometermos com o cuidado de cada um deles.

                                                                                                Jean Cardoso Carvalho

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