O Ritual de dedicação de Igreja e de altar

A Igreja Católica Apostólica Romana possui, através da dimensão litúrgica, uma diversidade de ritos que caracterizam a realidade sagrada do ato realizado. Digo isto para evidenciar o nosso costume de pedir a bênção aos objetos de uso devocional, as imagens, terços, medalhas, mas não é só isso, temos também a benção de pessoas, de lugares, de objetos destinados a celebração. Desejamos sempre envolver aquilo pelo qual nos relacionamos ou utilizamos na prática da fé, com a presença de Deus.

Na consciência da importância da benção diante de tantos elementos, podemos refletir neste artigo o ritual de dedicação de Igreja e de altar. Recentemente a Comunidade São Antônio de Santana Galvão, pertencente a Paróquia São Vicente de Paulo teve sua igreja dedicada e, em breve, será a vez da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Belém, como parte das comemorações dos dez anos de criação da Paróquia.

O que vem a ser este ritual de dedicação da Igreja e de altar?

Primeiramente gostaria de destacar que, desde o lançamento da pedra fundamental ou o início da construção de uma Igreja, já é previsto a realização de um rito. Outra possibilidade é também realizar a dedicação de uma igreja onde já se costuma celebrar os sagrados mistérios, principalmente quando há reformas que atinjam o altar, a mesa da palavra, a capela do santíssimo.

Cristo, o grande templo

“Pela sua morte e ressurreição, Cristo tornou-se o verdadeiro e perfeito templo da nova aliança e congregou o povo que Deus tornou seu. este povo santo, reunido na unidade que procede do Pai e do Filho e do Espírito santo, é a igreja, o templo de Deus edificado de pedras vivas, no qual o Pai é adorado em espírito e verdade. Com razão, pois, desde os tempos antigos, se chamou também igreja ao edifício onde a comunidade cristã se reúne para ouvir a Palavra de Deus, orar em conjunto, receber os sacramentos, celebrar a eucaristia”. (Ritual de dedicação de uma igreja, n.1)

O Ministro que preside os ritos da dedicação é o bispo diocesano. Quando este não pode se fazer presente, pode delegar a outro bispo, e somente em casos extremos autorizar um presbítero para presidir o rito.

Há, no missal romano, os textos próprios para as orações e nos lecionário, as leituras a serem proferidas no dia da dedicação.

É fundamental que no dia da dedicação consiga-se reunir o maior número de fiéis para participar do momento.

O rito é composto da entrada na Igreja, (que pode ser simples, solene ou ainda com uma pequena procissão saindo de um outro lugar), da aspersão da assembleia e das paredes da Igreja, liturgia da palavra com três leituras, homilia, profissão de fé, não há preces, mas a recitação da ladainha dos santos.

Percorrido estes primeiros momentos, temos o ponto alto que é composto pela prece de dedicação, isto é, uma oração em que se afirma o propósito de dedicar para sempre a igreja ao Senhor e em que se implora sua benção, seguida pelo rito de unção com o óleo do crisma, que é derramado no altar e nas paredes da igreja. “Em virtude da unção, o altar torna-se símbolo de Cristo, que é o ‘Ungido’ por excelência. A unção da igreja significa que ela está dedicada toda inteira e para sempre ao culto cristão. São doze as unções, confirme a tradição litúrgica ou quatro, para significar que a igreja é a imagem de Jerusalém, a cidade santa”. Em seguida, ocorre a incensação, ou seja, o incenso é queimado sobre o altar; o revestimento, onde se recebe e coloca a toalha no altar; e a iluminação do altar, seguida pela iluminação da igreja (acende-se as velas), lembrando que Cristo é a “luz para a revelação dos povos”.

Cumpridos esses ritos, a celebração eucarística prossegue com a apresentação das oferendas, a recitação de um prefácio próprio para a missa de dedicação, a oração eucarística fica a escolha do presidente da celebração.

O dia da dedicação passa a ser um dia especial para a vida da comunidade eclesial e poderá e deverá ser relembrando e celebrado anualmente no grau de solenidade.

Que cada rito litúrgico possa ser celebrado com sentido, espiritualidade, profundidade, sem pressas, sem tensão, de modo, que a graça santificante decorrente da força do Espírito Santo, nos ajude a contemplar a presença divina, no templo físico e no templo vivo que somos cada um de nós.

Pe. Kléber Rodrigues

Fonte: Jornal O Lábaro edição novembro de 2019