Melhores católicos por sermos escoteiros, melhores escoteiros por sermos católicos

Poucos sabem que o escotismo (fundado em 1907, por Baden-Powell, general inglês) possui várias expressões. A Igreja Católica se soma a esse número com a UIGSE-FSE (União Internacional de Guias e Escoteiros da Europa), movimento fundado pelo Venerável Pe. Jacques Sevin, sj, que aperfeiçoou com as virtudes cristãs o método de Baden-Powell.

Entre julho e agosto deste, a Associação Guias e Exploradores do Brasil (AG&E) estreou em um evento organizado pela UIGSE-FSE: o Euromoot. Evento internacional destinado a todos os adultos. Se parece que o escotismo seja só para crianças e adolescentes, o escotismo católico também traz uma rica proposta de santificação aos adultos.

A rota é instrumento pedagógico do ramo adulto. Pela rota (espécie de peregrinação), o adulto descobre um caminho que lhe permite esbarrar com seus limites, permitindo-lhe fazer uma autoanálise de como está a sua caminhada cristã. O Euromoot 2019 permitiu ao longo de sete dias, aos quase 5000 adultos dos mais de 20 países, a fazer esta experiência de superação. O Brasil foi composto de 7 homens e fomos inseridos com uma das delegações italianas, a da Eslováquia e do México. Formamos juntos o Clã de São João Bosco, que teve como rota, o caminho de São Bento, no percurso das Altas Montanhas – o caminho mais duro dentre todos.

Impossível narrar em poucas linhas as experiências do Euromoot, até porque a Rota não se escreve, se vive. Mas, destaco três em especial: a humildade de um arcebispo; a força da juventude; e a vivência da unidade.

Nosso primeiro dia, chegado ao local que nos fora proposto, em meio a floresta, montamos o acampamento. Fui convidado pelo conselheiro religioso (C.R) da Eslováquia a presidir a Santa Missa para todo o Clã. Improvisado um altar com três mochilas, o C.R. eslovaco, que até então eu não sabia que era um Arcebispo, auxiliou-me de acólito durante toda a missa, que teve momentos em português, inglês, italiano, espanhol e eslovaco. Dois dias depois, quando soube que ele era um Arcebispo, pedi-lhe a sua benção, desculpas e perguntei o porquê não me dissera que era bispo. Ele respondeu, rindo: “Também não reconheciam Jesus”. Aprendi que hierarquia é serviço e não poder. A luz que deve brilhar não é a pessoa, mas seu serviço.

Segundo aprendizado foi a força física dos membros da UIGSE-FSE. Não era uma força animalesca em músculos, mas uma força discreta. Recordo-me em vários momentos estar esgotado fisicamente e os irmãos estrangeiros pulando, cantando e ainda disputando jogos de força. Parecia humilhação, mas no fim eu refletia: São jovens verdadeiramente saudáveis, fortes e resistentes. Católicos prontos para servir a qualquer momento do dia ou da noite. Corpo mole não tem vez na espiritualidade escoteira.

Por fim, aprendi que a melhor equipe não é aquela que reúne membros perfeitos, mas é aquela em que cada um está disposto a superar os desafios juntos e faz perdoar entre si os seus próprios defeitos No último dia tivemos a audiência com o Papa Francisco, sinal de unidade em nossa Igreja. Mas, foi com a Eucaristia concelebrada no altar-mor da Basílica Vaticana, que se encerrou a rota com chave de ouro.

Assista nossa rota completa no youtube digitando: Brasil no Euromoot 2019 – Exploradores do Brasil na rota de Roma.

Pe. Patrick Alves

Fonte: Jornal O Lábaro – edição dezembro 2019