Esboço histórico dos 110 anos de fundação do Seminário Diocesano

Nos 110 anos de fundação do Seminário Diocesano e visando a divulgação ampla e a preservação documental de sua história, reproduzimos o texto que abre o primeiro livro tombo do Seminário, que abarca os anos de 1910 a 1915 e vai assinado pelo padre José Soáres Machado e rubricado pelo então seminarista de filosofia José Romão da Rosa Goés. A grafia é literal, conforme o manuscrito.

Esboço histórico

No dia 20 de fevereiro de 1910, installou-se o Seminario Diocesano de Taubaté, apenas com o curso preparatorio.

Após uma missa cantada no Convento de Santa Clara, com a assistencia do exmo. e revmo. Sr. D. Epaminondas Nunes d’Avila e Silva, dignissimo Bispo desta Diocese, seguiu o pessoal presente para o edificio, onde tinha de funcionar o Seminario. Ali, orou eloquentemente o exmo. mosn. Nascimento Castro alludindo ao acto e o seminarista José Benedicto Alves Monteiro, alumno do 3º anno, transferido do Seminario Menor da Archidiocese, dirigiu uma saudação ao exmo. snr. Bispo Diocesano.

Com menos de tres mezes de administração episcopal, iniciava D. Epaminondas, nosso amado Bispo, a serie de suas obras fecundas de pastor apostolico. Numa diocese pobre como esta, s. exa. adqueriu, por compra, da Ordem 3ª de S. Francisco, o predio que se destinava à fundação do Asylo de S. Antonio, situado na Avenida Tindal em frente à parede que faz encontro a rua 15 de Novembro.

O predio ainda estava por se acabar, as salas de aula escasseavam de modo a servir de aula uma entrada em meia agua illuminada apenas por um vão aberto no alto da parede lateral e fechada por uma portinhola tosca de madeira com uma tramella. O chão era de terra.

O mobiliário compunha-se de velhos bancos e carteiras. Mas tudo isso mostrava o esforço de nosso Bispo e a orientação segura de começar as cousas pelo principio com a simplicidade propria de quem visa um fim alevantado.

Essa foi a parte material.

A parte intellectual do pessoal docente foi constituida pelos abnegados capuchinhos, em cuja frente estava o rev. Frei Bernardino de Lavalle, que inspirado nos caridosos fins de sua Ordem, tomou sobre seus hombros e sobre o de seus irmãos a direção, o ensino e a manutenção do Seminario.

Prestaram tambem seus concursos desinteressadamente o revmo. mons. Nascimento Castro e os srs. drs. Eusebio Imnocencio Paz Lobo da Camara Leal e Gastão Aldano Paz Lobo da Camara Leal.

Também leccionaram no Seminario os revmos. srs. Frei Bernardino de Lavalle, Reitor, Fr. Damião de Grume, Fr. Fidelis Motta, Fr. Salvador Cavedine e Frei Felicissimo Maria Moschini.

Em 1911 sendo reclamada a presença do Revmo. Frei Bernardino em S. Paulo, foi nomeado reitor o revdmo. Fr. Fidelis, que com todo o criterio continuou o sabio governo do seu antecessor.

Como companheiros de trabalhos teve este os revdmos. srs. Frei Vigilio de Breguzzo, Frei Luiz de Santa Maria, Frei Jacyntho de Prada, Frei Felicissimo Maria Moschini e Frei Diogo da Bahia.

Na administração dos Padres Capuchinhos, estudaram, no Seminario,, tambem os alumnos do Collegio Seraphico.

Era de admirar então a civilidade daquelles meninos e a brandura de seus corações vivamente tocados sempre pela acção severa e pelo exemplo austero dos virtuosos capuchinhos.

Durante dois annos manteve-se essa direção e o edificio continuava então a ser melhorado e augmentado.

Foi adquerido, para o Seminario, um terreno, ao lado, que pertencia ao finado Visconde de Tremembé, o qual vae até à rua Santa Isabel.

Não podendo mais os capuchinhos continuar na regencia do Seminario, S. Exca. Revdma. transferiu sua residencia para ali em 1912, e, vivendo uma vida claustral, superientendeu o governo da casa, tendo como seu reitor o Revmo. sr. Padre Antonio Firmino Vieira de Araujo.

Já consideravelmente augmentado o edificio e tornado confortavel, foi o estabelecimento convertido em Seminario e Collegio Diocesanos, abrangendo aquelle duas secções: a do Seminario Maior e a do Seminario Menor.

No curso secundario, os candidatos ao sacerdócio ficam separados em estudo, dormitorio e recreio, dos que se dedicam às carreiras profanas, o que foi uma das primeiras idéas do novo governo.

Ao lado do edificio se levanta um magnifico templo já concluido em cuja capella-mór se assenta um riquíssimo e custoso altar e que serve para a communidade.

Para embellesamento da casa fez-se um lindo jardim e no centro deste ergue-se um bello coreto para a banda musical do Seminario.

No fundo, entre o recreio dos Seminaristas e o dos Collegiaes menores, medeia a gruta de N. Senhora de Lourdes que se ostenta poeticamente com graça e arte, a qual foi inaugurada no dia 8 de Dezembro de 1913, por occasião da grande festa da Immaculada.

Cantou ali a 1ª missa o Revmo. Snr. Conego Francisco d’Oliveira Lima e orou eloquentemente o Exmo. Mons. Antonio Nascimento Castro, ambos Professores do Seminario. A gruta foi benta por Mons. Castro, então Governador do Bispado.

Tendo-se alterado a saude de S. Exca. Revdma. mudou-se para o palacio episcopal, a conselho medico, ficando a direcção exclusivamente a cargo do Reitor, o que se deu e principio do anno de 1913. Nesse anno, o pessoal docente do estabelecimento era o seguinte: Mons. Antonio Nascimento Castro, Conego Francisco d’Oliveira Lima, Padre Antonio Firmino Vieira d’Araujo, Padre José Soares Machado, dr. Eusebio Imnocencio Paz Lobo da Camara Leal, dr. Gastão Aldano Paz Lobo da Camara Leal, Prof. Francisco Fernandes Monteiro, Theologos Plinio Gonçalves de Freitas, Custodio Bernardes da Silva e Antonio Telesphoro de Moura.

Em 1912, leccionou na casa tambem o redmo. Padre Antonio Cabral Beirão que regeu a “Schola Cantorum”, hoje sob a direção do Revdmo Padre José Soares Machado.

Cursavam o 3º anno do Seminario Menor os alumnos vindos de Pirapóra, que foram 7: Plinio Gonçalves de Freitas, José Benedito Alves Monteiro, Antonio Telesphoro de Moura, Israel Moreira, Joaquim Marcondes de Camargo, Theotonio do Amaral Palmeira e Crescencio de Souza. No 2º, estiveram 3: Theodorico Pereira, Viterbo Robin e Mario Ortiz. Estão ainda os 4 primeiros dos 7 que cursam o Seminario Maior e o alumno do 1º anno Annibal Gravina.

Hoje apenas com 5 annos de existencia é o Seminário de Taubaté um edificio bello e confortavel e um dos estabelecimentos mais dignos por sua collocação e conformações physica e moral, tendo-se já em creança tornado credor de confiança e preferencia do publico, o que lhe vaticina um futuro grandioso e risonho.

Sirva esta nossa noticia de conforto ao coração do nosso Bispo, concorrendo para seu completo restabelecimento, promissor de muitas outras obras de benéfico resultado espiritual para seus amados diocesanos.

Fonte: Jornal O Lábaro edição janeiro e fevereiro 2020