ENTREVISTA: Pe. Luiz Gustavo Sampaio, o novo reitor do seminário diocesano de Teologia

Taubateano de nascimento, o Pe. Luiz Gustavo, 33, cresceu participando como coroinha na Catedral São Francisco das Chagas, onde se despertou para vocação e onde, nos últimos anos, serviu como vigário paroquial. No dia 11 de dezembro, o Pe. Gustavo assumiu o ofício de Reitor do Seminário Diocesano de Teologia Santo Antônio. Aos sete anos de sacerdócio, com o auxílio do conselho de formação, ele tem agora a missão de formar novos padres para Igreja Diocesana.

O LÁBARO: Como surgiu a sua vocação e como foi o seu processo de discernimento?

Pe. Gustavo: A vocação ao sacerdócio surgiu ainda quando criança. Eu era coroinha do Mons. Irineu Batista da Silva, então Pároco da Igreja Catedral. A partir de seu trabalho desenvolvido junto à Catedral foi crescendo em mim o desejo ardente de ser padre. Participei de alguns encontros vocacionais junto ao Serviço de Animação Vocacional Diocesana, nos quais pude ir amadurecendo no processo de discernimento. Entretanto, ingressei-me no processo formativo junto à Missão Sede Santos, uma nova comunidade de espiritualidade carismática que estava nos seus primórdios.

O LÁBARO: Qual foi a reação de sua família quando disse que queria ser padre? Houve alguma resistência?

Pe. Gustavo: Minha família sempre apoiou a minha vocação, sempre me deixando muito livre em relação ao chamado. Recordo-me da figura do meu avô, Pedro Cardoso Moreira, de saudosa memória. Ele era Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística e um colaborador muito próximo de nossa Igreja Catedral. Foi ele quem me incentivou nos primeiros passos da vocação sacerdotal, ensinando-me os valores do Evangelho e transmitindo-me a fé.

O LÁBARO: Que aspectos significativos do seu tempo de formação para o sacerdócio podem ser destacados?

Pe. Gustavo: Acredito que a proximidade com o povo, mediante o trabalho missionário e pastoral. Também destaco a proximidade com Deus através da vida de oração. No tempo da formação fui acompanhado por zelosos sacerdotes, como o Pe. Marlon Múcio e outros sacerdotes de nossa Diocese, que muito me ajudaram a vivenciar de maneira muito intensa meu tempo de formação. Destaco ainda os estudos filosóficos e teológicos na Faculdade Dehoniana, que me proporcionaram um amadurecimento humano e espiritual. Ao término do curso de Teologia, pós-graduei em Formação de Seminários e Casas de Formação pela mesma faculdade.

O LÁBARO: Como padre, onde exerceu o seu ministério e que trabalhos tem desenvolvido?

Pe. Gustavo: Nos meus primeiros 06 anos de sacerdócio tive a graça de servir na Comunidade Missão Sede Santos, onde trabalhei na formação dos membros consagrados, bem como na vice-coordenação da mesma. Trabalhei ainda na vice-presidência do Instituto Santa Teresa d’Ávila em Caçapava, comunidade terapêutica para tratamento de dependência química. Ainda na Comunidade Missão Sede Santos tive a oportunidade de publicar algumas obras na linha da espiritualidade. Concomitantemente, trabalhei como cooperador da Igreja Catedral desde minha Ordenação Sacerdotal, até o momento em que fui nomeado Vigário Paroquial em outubro de 2017. Atualmente, exerço ainda meu ministério como Assessor Eclesiástico da Renovação Carismática Católica na Diocese de Taubaté e Coordenador da Comissão Diocesana para Novas Comunidades e Associações. E partir de janeiro de 2020, assumo com alegria e disposição a missão de Vigário Paroquial da Paróquia Santo Antônio de Lisboa em Taubaté.

O LÁBARO: No dia 4 de dezembro foi publicada a sua nomeação como reitor do Seminário de Teologia da Diocese de Taubaté. Como o senhor acolheu o convite para essa missão?

Pe. Gustavo: Recebi esta nova missão para, no coração da Igreja Particular de Taubaté, formar novos pastores para nosso povo, com grande alegria e consciente da responsabilidade da mesma, também por saber que estou sucedendo a grandes sacerdotes que como eu receberam a incumbência de zelar pelo futuro de nossa Diocese. De coração muito aberto renovei os votos que fiz no Altar em 12 de maio de 2012 quando fui ordenado Presbítero. Renovo com amor o chamado que o Senhor me fez um dia. Sinto-me particularmente pequeno para tão grande e exigente missão, todavia, confio na graça de Deus e sei que sou apenas um instrumento nas mãos do Senhor.

O LÁBARO: Como o senhor acredita que deva ser a formação daqueles que se candidatam ao presbiterado? Quais os aspectos mais importantes a serem considerados?

Pe. Gustavo: À luz das Diretrizes para a formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil, acredito que a formação presbiteral deve ser “única, integral, comunitária e missionária”, levando em consideração as quatro dimensões do processo formativo, “humana, espiritual, intelectual e missionária”, tendo sempre como elo integrador a vida comunitária.

O LÁBARO: Qual é a sua expectativa ao assumir essa nova missão?

Pe. Gustavo: Quero ser, à semelhança do Bom Pastor que é Jesus, um formador próximo e presente na vida de nossos seminaristas e muito colaborar também para que nosso Seminário Diocesano seja cada vez mais uma autêntica escola do Evangelho e casa de oração, estudo e comunhão. Sei que a missão é grande e difícil, contudo peço a oração de todos. Concluo esta nossa entrevista com dois versículos biblícos que me acompanham nesta nova missão: “Sei em quem acreditei” (cf. 2Tm 1,12), pois “Aquele que me chamou é fiel para realizar a obra” (cf. 1Ts 5, 24).

Por Pe. Jaime Lemes

Fonte: Jornal O Lábaro – edição dezembro 2019