Comunhão nas Decisões e nas Ações

No dia 16 de novembro, realizamos nossa Assembleia Diocesana de Pastoral. Este evento que reuniu o clero, representantes dos religiosos e dos leigos provenientes das 49 Paróquias da Diocese, organizadas em Foranias e das coordenações pastorais. Estiveram reunidas duzentas e vinte e duas pessoas, num significativo e importante exercício de comunhão.

Após a oração inicial, deu-se a abertura da Assembleia com a apresentação de um breve vídeo que teve por objetivo recordar relevantes ações realizadas pelas Paróquias à luz das diretrizes que nos orientaram nos últimos quatro anos. Seguiu-se a composição da mesa coordenadora dos trabalhos e a palavra inicial do Bispo. Foi apresentado e aprovado o Regimento da Assembleia. Os Vigários Forâneos apresentaram as indicações vindas das assembleias forâneas. O Padre Coordenador Diocesano de Pastoral evidenciou como essas indicações se articulam com as Diretrizes Nacionais da CNBB 2019-2023.

Os participantes da Assembleia puderam motivar a escolha desta ou daquela opção, manifestando-se na “fila do povo”, que antecedeu a escolha das três áreas a serem priorizadas. Por votação, foram escolhidas como prioridades pastorais: Família, Juventude e Catequese-Formação. Em seguida houve trabalho em grupo para indicação de ações concretas referentes a cada uma das prioridades escolhidas. Após o almoço, em nova “fila do povo” os participantes puderam motivar as escolhas a serem feitas, inclusive com oportunidade dos coordenadores diocesanos das três pastorais priorizadas se manifestarem. Houve a votação indicando diretrizes para cada uma das três prioridades. Por fim, foi apresentada a Equipe responsável para redigir as Diretrizes Diocesanas de Pastoral 2020-2023, que virão apresentadas no dia 1º fevereiro, em celebração a realizar-se na catedral. Com oração e agradecimentos, nossa Assembleia foi finalizada.

Numa assembleia como essa pode ser que alguém não tenha saído satisfeito com as escolhas feitas, porém, o mais importante é o processo eclesial de decisão, que se dá em exercício de comunhão e não por definição de uma ou outra pessoa, por mais capaz que seja. Isso é muito significativo porque a Igreja é mistério de comunhão que expressa, mesmo que de modo limitado, a comunhão da Trindade. A Igreja reúne a diversidade das pessoas na unidade do amor e da fé.

O Espírito Santo é o princípio de união que atua nos membros do Povo de Deus e é fonte de sua unidade (cf. Lumen Gentium 13). A Igreja é, pois, entendida enquanto comunhão e como tal pode-se exprimir sob três aspectos, isto é: comunhão no Espírito Santo, comunhão nas realidades santas e comunhão dos santos. Igreja não pode ser reduzida a uma categoria sociológica, pois não é fruto da simples iniciativa humana, mas da ação do Espírito Santo, que nos une na confissão da mesma fé.

A Igreja é comunhão nas realidades santas porque é conduzida pela Palavra de Deus e alimentada pela graça proveniente dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia. A Igreja também é comunhão dos santos ou daqueles que foram santificados por Cristo que, pela ação do Espírito de Deus, estão unidos na confissão da mesma fé, vivem pelo mesmo Espírito, são enriquecidos por seus dons, em vista do bem comum. Nessa perspectiva de Igreja como mistério de comunhão é que uma tal assembleia é tão significativa e até indispensável. Agradecemos a Deus pela experiência de comunhão e participação que pudemos vivenciar.

Tendo feito esse caminho e entendido a profundidade de seu significado cabe-nos agora outro importante exercício de comunhão a ser realizado na ação pastoral conjunta referente à concretização das nossas diretrizes. Que haja empenho para que os planos de pastoral de cada paróquia também sejam elaborados de modo a se evidenciar a comunhão entre fiéis leigos e pastores que, unidos, refletem e planejam a ação no âmbito dos Conselhos de Pastoral.

Por amor a Deus e serviço a seu Reino tudo o que for planejado seja realizado com a participação, empenho e generosa colaboração de todos, conscientes de que é para o Senhor que trabalhamos. Deus nos abençoe a todos e nos confirme nessa disposição em viver a comunhão eclesial e de servi-Lo por nossa ação.

Dom Wilson Angotti

Fonte: Jornal O Lábaro – edição dezembro 2019